Plantas como aroeira, araruta, ora-pro-nóbis, jurubeba, pitaya, caxixe, almeirão, bertalha, língua-de-vaca, taioba e beldroega, estão entre as plantas alimentícias não convencionais (PANC), produzidas, especialmente, por agricultores e agricultoras familiares,foram apresentadas durante o Diálogos de Ater desta quinta-feira (02). O tema do evento, transmitido ao vivo pelo canal SDRBahia, no Youtube, foi: As PANC nas políticas públicas para a agricultura familiar.
O encontro contou com a participação de Nuno Rodrigo Madeira, agrônomo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e José Geraldo Aquino, agrônomo e doutor em Genética e Melhoramento de Plantas.

Aquino, que também é coordenador da Rede PANC Bahia e professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde atua como pesquisador em Genética Vegetal, explicou que PANC é um termo criado há mais de uma década, designando um grupo de plantas que não estão no quotidiano da agricultura e do consumidor, mas que possuem características que as tornam interessante para a agricultura familiar: “É muito fácil se convencer que elas são muito adequadas à agricultura familiar. São adaptadas à produção orgânica, cultiváveis em áreas marginais, tem necessidade de poucos insumos externos para a produção e estão inseridas em mercado local, que pode ser maior, e isso vai valorizar o produto e ajudar na sua manutenção”.

Nuno Rodrigo Madeira, que atua em pesquisas de cultivo de hortaliças tradicionais e não convencionais, desde 2002, lembrou que a criação do nome PANC reforçou a necessidade de se repensar o uso dessas espécies, que possuem características de consumo e comercialização local e tem nas áreas do conhecimento da Agronomia, Nutrição e Culinária/Gastronomia, um potencial valor agregado: “Isso faz completar o eixo da produção do alimento até o consumo e traz uma valorização reversa, do consumidor para o campo”. Ele enfatizou que ainda falta nas políticas públicas essa junção entre a produção das PANC e o consumo, proporcionando uma produção que atenda a demandas específicas, como as do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A coordenadora técnica da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Ana Cristina Souza, lembrou que a programação de setembro, inicia aderindo ao movimento Setembro: mês da culinária tradicional e das PANC na Bahia, e segue com uma diversidade de temas de interesse da agricultura familiar: “O Diálogos de Ater segue nos próximos encontros com a cultura do guaraná, galinha caipira, azeite de dendê e pragas na fruticultura, ou seja, um leque amplo de temas para dinamizar as quintas-feiras, com boas conversas e muitas informações”.
Durante o encontro foi abordado ainda que esse universo de plantas, que apresentam valores nutritivos destacáveis e propriedades medicinais, possui somente sete mil espécies registradas, como cultivadas e não cultivadas, obtidas por meio de extrativismo, sendo que muitas delas ainda não estão na rotina culinária e alimentar de muitas pessoas.
As PANC vêm sendo valorizadas nos últimos anos. Na Bahia, estão entre os produtos da sociobiodiversidade, que poderão participar como elementos da alimentação escolar pelo PNAE. O tema também tem se destacado por ações de pesquisa e extensão e pela Rede PANC Bahia, movimento coordenado pela UFBA, que agrega interessados no tema e tem realizadoeventos para promover a visibilidade e o consumo dessas plantas.
Os interessados nesse tema podem acessar essa edição no canal SDRBahia no Youtube. Segue link: https://bitlybr.com/gGRwn.
Sobre o Diálogos de Ater
É uma iniciativa da SDR, por meio da Bahiater e da Coordenação de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex), que acontece às quintas-feiras, a partir das 16h. A iniciativa é voltada para agentes de assistência técnica e extensão rural (Ater), agricultores e agricultoras familiares, organizações e movimentos sociais, terceiro setor, setores públicos municipais e estaduais, estudantes e todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre a realidade rural e a agricultura familiar da Bahia.