Grupo de Trabalho do Sistema Produtivo do Dendê conhece variedade de dendê em visita à Estação Experimental em Una

14/09/2021

Com o objetivo de estruturar o sistema de produção do dendê, conhecer variedades, manejo, colheita, processamento e beneficiamento, produção de mudas e cruzamento de variedades, foi realizada, nesta segunda-feira (13), pelo Grupo de Trabalho da Indicação Geográfica (IG) do Sistema Produtivo do Dendê, e pela Comissão Técnica do Eixo Dendê do Colegiado Territorial de Desenvolvimento Sustentável e Solidário (Codeter) Baixo Sul, uma Missão Técnica à Estação Experimental Lemos Maia, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (ESMAI/Ceplac), no município de Una. O encontro contou com a participação do pesquisador da Ceplac José Inácio, especialista em Dendeicultura.

Durante a atividade, os visitantes conheceram o banco de germoplasma da ESMAI/Ceplac e a área de processamento e beneficiamento do dendê Híbrido Específico (HIE), com um sistema simples, mas de maior eficiência dos que já existem no Baixo Sul, com tecnologia de geração de energia, por meio de placas solares, que atua desde a debulha, passando por todos os processos, até o produto final, apresentado por José Inácio como um azeite de altíssima qualidade, pelas características físico-químicas apresentadas pós-processamento. Foi destacado que, além das boas características nutricionais e organolépticas do HIE, existem as qualidades agronômicas, tais como o baixo porte e resistência moderada a pragas e doenças.

Ana Cristina Souza, coordenadora técnica da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), que é integrante do Fórum Estadual de IG e Marcas Coletivas, explicou que a Missão Técnica foi importante para conhecer mais uma variedade do dendê HIE, de alta produção: “Essa variedade produz um azeite de qualidade e, devido ao porte mais baixo da planta, tem a colheita facilitada e adaptação aos consórcios em sistemas agroflorestais, principalmente para a agricultura familiar, pois nos primeiros anos de implantação, devido ao cultivo ser em maior espaçamento, já se obteria ganhos econômicos com consórcios com aipim, feijão, andu, amendoim, abacaxi, hortaliças, banana, entre outros”.

Ana Cristina salientou que, apesar de todas estas vantagens, ainda é preciso ter cautela, principalmente analisando os prós e os contra na introdução dessa nova variedade no Baixo Sul.

“É preciso forte mudança comportamental, para que haja aceitação desta nova variedade pelos agricultores e um mercado consumidor deste novo azeite de dendê, pela forte relação cultural da dendeicultura no território Baixo Sul”, ressaltou Adailton Francisco, do Codeter/Eixo Dendê do Território do Baixo Sul.

Pedro Tavares, secretário de Desenvolvimento Econômico do município de Camamu, observou que o IG tem como finalidades resgatar a cultura do dendê e fortalecer esse produto, um dos mais fortes dos municípios do Baixo Sul, e que, para isso, estão sendo realizadas atividades como a da visita à Estação Lemos Maia, no município de Una, visando buscar conhecimentos e experiências sobre o sistema produtivo do dendê: “A Bahia, que é pioneira [na produção de dendê], tem perdido muito espaço para outros estados”.

Participaram ainda dessa atividade o secretário de Agricultura de Taperoá, Gerval Teófilo, representantes da SDR/Bahiater, o Presidente da Federação das Associações do Jequiriçá, Dilson Neves e o presidente da Câmara de Vereadores do município de Taperoá, Derivaldo Marcos.

Programação

Dentre as atividades previstas para o GT, que foi criado para escrever as normativas das especificações técnicas de produção do dendê, liderado peloInstituto de Geociências da UFBA (IGeo/UFBA), em preparação ao processo da Indicação Geográfica do azeite de dendê, estão a Delimitação do Territorial da Indicação Geográfica do Azeite da Costa do Dendê; Elaboração do Caderno de Especificações Técnicas, Entidade Representativa da IG/Conselho Regulador, além do planejamento das atividades da Indicação Geográfica, Marcas Coletivas e Estradas do Dendê e estratégias de captação de recursos e parcerias.

Indicação Geográfica

A Indicação Geográfica - espécie de selo de autenticidade conferido pelo INPI a produtos típicos, produzidos exclusivamente em uma determinada região, desde que sejam comprovadas características específicas de origem, fabricação e propriedades organolépticas. É uma política utilizada para designar produtos em diversos países - um exemplo são os queijos e vinhos produzidos em vários países europeus e produtos como o chocolate, no Litoral Sul da Bahia. A IG tem o potencial de fortalecer economias regionais, proporcionando às pessoas que não vivem nos grandes centros urbanos a possibilidade de desenvolvimento profissional no âmbito de suas próprias comunidades.

Fotos: Késsia Campos

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