Certificação orgânica participativa é tema de intercâmbio entre agricultores/as das regiões de Jacobina e Irecê

20/12/2021

Nos dias 14 e 15, deste mês, famílias agricultoras, dos territórios de identidade Piemonte da Diamantina e Bacia do Jacuípe, participaram de intercâmbio para conhecer a experiência de produtores/as do município de Irecê, no cultivo e comercialização de produtos orgânicos certificados. A realização do intercâmbio é fruto da parceria do Governo da Bahia com a Rede de Agroecologia Povos da Mata, organização responsável pela certificação orgânica participativa de agricultores/as apoiados/as pelo Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e cofinanciado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

Após os módulos de capacitações sobre como se dá a certificação, via Sistema Participativo de Garantia (SPG), o intercâmbio passa para a etapa de mostrar, na prática, as perspectivas e os desafios a serem superados após a aquisição do selo orgânico. “Tivemos as capacitações, foram criados os grupos e o pré-núcleo Semiárido Forte, aqui representado por famílias de Jacobina e região. Agora estamos vivendo esse momento tão importante de troca de conhecimento com o Núcleo Raízes do Sertão, aqui de Irecê”, explicou o coordenador da ação pela Rede Povos da Mata, Cláudio Lyrio.

No primeiro momento do intercâmbio, as famílias conheceram a propriedade da agricultora Paula Ferreira e a agroindústria Quintal Orgânico, administrada por ela e por seu irmão Mateus. Ela contou que iniciou o trabalho com apenas nove itens e hoje já comercializa 76 produtos diferentes, mas alertou: “O processo de certificação é algo contínuo! O primeiro ano é fácil, tá todo mundo na ânsia, querendo, mas certificar a cada ano não é algo fácil. É preciso mais e mais estímulo e compromisso!”

Certificação orgânica participativa é tema de intercâmbio entre agricultores/as das regiões de Jacobina e Irecê

Na roça do agricultor e coordenador do Núcleo Raízes do Sertão, Fabiano Novaes, as/os agricultores/as puderam vivenciar uma visita de pares, metodologia utilizada na certificação participativa, quando os processos de cultivo, organização da propriedade e as documentações são avaliados pelos companheiros de grupo, a partir das normativas da Rede Povos da Mata. “A Rede Povos tem essa política de troca de conhecimento, de sempre somar, quanto mais pessoas, mais forte a gente fica. O Núcleo Raízes do Sertão podia pensar, ‘vamos ficar só a gente’, mas o nosso propósito é disseminar o trabalho em todo Sertão da Bahia”.

Comercialização – No segundo dia de atividades, a comercialização dos produtos orgânicos certificados foi abordada na visita ao entreposto administrado pela associação composta pelos membros do Núcleo Raízes do Sertão. Por lá, são comercializados o excedente, em média 30% da produção das 184 famílias cadastradas, que gera o equivalente a R$130 mil por mês, após as vendas nas feiras livres, de porta em porta e pela internet. O entreposto recebe, avalia e organiza a logística das mercadorias e faz a interface entre os clientes e os/as agricultores/as. O Núcleo comercializa localmente, para outros municípios e para estados como Brasília e São Paulo.

“O Pró-Semiárido abriu essa frente de trabalho para o processo de certificação orgânica de forma participativa, o que é algo novo para o próprio Estado, e nós acreditamos que esse trabalho dará muitos frutos. O desejo é que mais pra frente outros projetos bebam dessa fonte e o Estado utilize essa referência e multiplique, fazendo com que a agricultura familiar agroecológica seja ainda mais vista e valorizada”, pontuou a coordenadora do Pró-Semiárido na região de Jacobina, Rejane Magalhães.

O intercâmbio foi finalizado com uma visita à Feira Orgânica instalada no centro de Irecê, onde foi possível visualizar todo o processo de montagem da feira, organização e padronização das barracas, a diversidade de produtos, trocar informações sobre preço, logística e o comportamento da clientela. “A realização do intercâmbio marcou um ponto divisor de águas, visto que no contexto da pandemia não tivemos oportunidade de ir muito além da teoria, até chegar o grande dia. Foi realmente marcante a contribuição possibilitada nesse evento! Nós tivemos a oportunidade de experimentar e quem experimenta nunca esquece, quem experimenta consegue reproduzir e memoriza melhor”, avaliou a agricultora Mercejane Duarte, da comunidade Caraíbas, do município de Umburanas.

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