Agricultoras familiares do Semiárido baiano começam a ter o controle do que produzem em seus quintais

01/03/2022

Agricultoras familiares de municípios do Semiárido Baiano estão entre as mais de cinco mil mulheres que passaram a ter o controle diário de tudo o que é colhido, doado, trocado ou comercializado, a partir do que é produzido em seus quintais produtivos. Tudo isso se tornou possível com a utilização da Caderneta Agroecológica, ferramenta metodológica, que permite à agricultora fazer a gestão de tudo o que é produzido na propriedade familiar, para que ela possa contabilizar monetariamente toda a produção.

Além de contribuir para o monitoramento da produção agrícola dessas mulheres, a caderneta agroecológica também promove a valorização e a visibilidade do trabalho que elas realizam nas unidades de produção familiar, além de revelar a importância da contribuição da mulher do campo na renda mensal familiar e na segurança alimentar e nutricional das famílias.

A agricultora Adegilma Viana de Souza, da comunidade Quilombo Baixão dos Negros, em Banzaê, ressalta que a caderneta tem sido uma ferramenta relevante para ela. “Ela é importante, porque tudo que eu possuo dentro de minha horta eu anoto na caderneta. Se eu vendo coentro, alface, quiabo, milho, eu anoto na caderneta. Se eu doei para alguém, se eu vendo, eu anoto. A partir do dia que comecei a anotar eu economizei muito e em vez de ir comprar na feira, tiro tudo aqui da horta”.

Maria da Cruz, da localidade Fazenda Alexandrino I, em Ribeira do Pombal, que trabalha na produção de maracujá, banana, manga e limão, conta que já participou de várias reuniões e está gostando de utilizar a caderneta, ferramenta que a tem ajudado aprender muito, registrando o que se tem e o que se consome no seu quintal. “A gente se alimenta de muitas frutas e verduras aqui do quintal e tudo isso é muito importante para nós, nesse programa do Ater Mulheres”.

A ação acontece no âmbito da Ater Mulheres Rurais, serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater) do Governo do Estado, executado via Chamada Pública da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), unidade da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), nesses municípios do no território de identidade Semiárido Nordeste II, pela Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido (Arcas), que tem sede no município de Cícero Dantas.

Caderneta Agroecológica

A ferramenta começou a ser adotada, em 2019, pelo Pró-Semiárido, projetodo Governo do Estadoexecutadopela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR). A ação já apresentaresultados econômicos e refletiu o processo de aplicação das Cadernetas Agroecológicas junto a centenas de agricultoras envolvidas no Pró-Semiárido. Dentre os dados expostos, está o valor da produção gerado por elas, que ultrapassou R$1,2 milhão em um ano de anotações.

Com informações e fotos da Arcas Semiárido.

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