As reflexões sobre o Novembro Negro para a comunidade quilombola de Veredinhas, no município de Morro de Chapéu, na Chapada Diamantina, foi diferente, este ano, após terem em mãos o Título de Reconhecimento de Domínio.
As comunidades quilombolas são descendentes e remanescentes dos quilombos, preservam sua história, identidade, resistem e lutam pelo seu território. A Bahia se destaca como o estado com o maior número de pessoas que se consideram quilombolas no país, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.
O documento, elaborado pela Superintendência de Desenvolvimento Agrário (SDA), unidade da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), traz garantia jurídica para a comunidade por possibilitar o direito à terra, respeitando a dimensão tradicional e ancestral da sua ocupação.
Para a presidente da associação da comunidade de Veredinhas, Ivania Souza, o título simboliza a liberdade e a perspectiva de um futuro melhor para seus descendentes. “Sou mulher preta, descendente de quilombo e representante da comunidade quilombola de Veredinha. Com a entrega desse título em setembro deste ano, traçamos um futuro para nossos filhos, coisas que há anos atrás, os pais da gente não pode deixar para gente. Hoje é motivo de orgulho falar para nossos filhos, para nossos netos que temos o título de domínio, que comprova que essa terra é nossa. É a certeza da preservação da nossa história e legado”.
Para Gustavo Machado, superintendente da SDA/SDR, “ o Título de Reconhecimento de Domínio legitima a luta dos povos e comunidades tradicionais pela regularização dos seus territórios históricos, além de efetivar o direito à esta terra ocupada centenáriamente e dar dignidade para esses grupos ”.