Câmara Setorial do Cacau debate integração entre polos produtivos e fortalecimento do cooperativismo na Bahia

Publicado: 16/09/2026 Última atualização: 08/10/2026 às 11:05
Reunião da Câmara Setorial do Cacau em Barreiras
Tiago Dantas/Seagri

O apoio do Estado da Bahia à integração entre a produção de cacau nas regiões Sul e Oeste do estado e à criação de uma cooperativa do setor foi discutido durante a Reunião da Câmara Setorial do Cacau. O encontro foi realizado nesta terça-feira (15), na sede da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), em Barreiras, e reuniu produtores, lideranças do setor, pesquisadores e gestores estaduais e federais para discutir os desafios e as perspectivas de expansão da cacauicultura no estado.

O Estado da Bahia foi representado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). A integração entre os dois polos contribui para o desenvolvimento e o fortalecimento da produção de cacau na Bahia e para ampliar a competitividade do produto no mercado internacional. A parceria entre o Estado e o setor produtivo é fortalecida com a realização de ações voltadas ao enfrentamento da concorrência internacional, às oscilações de preços no mercado e à valorização da produção local.

Durante o encontro, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) apresentou os programas desenvolvidos para apoio ao setor, a exemplo do Inova Cacau 2030. A proposta tem como objetivo aumentar a produtividade do cacau, impulsionar a qualidade das amêndoas e promover a sustentabilidade ambiental e social nas áreas de cultivo, com o intuito de dobrar a produção brasileira do fruto até 2030.

Também foram elencadas medidas para a retomada da produção cacaueira no estado, que enfrenta desafios há cerca de 40 anos. Entre as propostas estão a retomada das operações do Porto de Ilhéus para a exportação de cacau, a criação de uma cooperativa para fortalecer o setor e contribuir para a valorização do preço do produto, além da instalação de um galpão com capacidade para armazenar 30 mil sacas de cacau no Sul da Bahia.

A programação abordou ainda temas como a conjuntura econômica da cadeia do cacau e chocolate, políticas públicas, pesquisa, assistência técnica, crédito rural, segurança jurídica e desenvolvimento de novas áreas de produção.

Integração entre Sul e Oeste

A proposta de ampliar a integração entre os polos produtores do Sul e do Oeste da Bahia busca estimular a troca de experiências, conhecimentos e tecnologias entre regiões que apresentam características distintas e complementares na produção de cacau.

O Sul da Bahia reúne tradição histórica na atividade, conhecimento técnico e científico, produção de amêndoas finas e experiência na verticalização da cadeia e na fabricação de chocolates. Já o Oeste se destaca pela capacidade de investimento, tecnificação, uso de sistemas avançados de irrigação e fertirrigação e gestão empresarial em larga escala.

A integração também deverá contemplar o intercâmbio de informações sobre manejo fitossanitário, colheita, secagem e manejo do solo, além da identificação de oportunidades de complementaridade produtiva e comercial entre as duas regiões.

Cooperativismo e fortalecimento da cadeia

O fortalecimento do cooperativismo entre os produtores de cacau considera a experiência das cooperativas do agronegócio de grãos e fibras do Oeste baiano como referência para a organização da cadeia cacaueira.A formação de uma estrutura cooperativa poderá contribuir para ampliar a escala de produção e comercialização, padronizar e classificar as amêndoas, reduzir custos de aquisição de insumos e facilitar o acesso dos produtores aos mercados compradores.

O planejamento prevê ainda a realização de uma mesa técnica para discutir aspectos relacionados à futura cooperativa, incluindo governança, perfil dos cooperados, infraestrutura, política de comercialização e beneficiamento, prospecção de mercados e certificações socioambientais.

Visitas técnicas

A agenda incluiu ainda visitas técnicas a unidades produtivas de referência, entre elas a Fazenda Santa Helena, em Riachão das Neves, onde foram observados aspectos relacionados ao manejo hídrico, ao desempenho varietal e à eficiência das operações de colheita e pós-colheita. O roteiro contemplou também uma visita ao Jardim Clonal BioBrasil, com foco em matrizes genéticas selecionadas, propagação clonal e padrões fitossanitários para a produção de mudas certificadas.

O encontro também contemplou a definição de uma matriz de responsabilidades e encaminhamentos para dar continuidade às ações discutidas, incluindo a formação de um grupo de trabalho, a articulação do apoio governamental e a elaboração de um cronograma para a implantação das iniciativas propostas.

A reunião ocorre em um momento de expansão da cacauicultura para além das áreas tradicionalmente produtoras da Bahia. O Estado da Bahia acompanha esse movimento e atua na articulação entre os diferentes polos, buscando ampliar a produtividade, a inovação, a organização dos produtores e a agregação de valor à produção baiana.

Fonte
Ascom/Seagri
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