Estudos buscam novas alternativas de uso para a fruta
Universidades de vários estados com incidência de cerrado e, conseqüentemente, de pequi, estão pesquisando novas alternativas para o aproveitamento do fruto e formas de difundir seus componentes químicos como uma maneira de incentivar o seu consumo e elevar a renda de pequenos produtores.
Em Barreiras, estão em andamento estudos para a seleção das melhores variedades, através de uma iniciativa do Laboratório de Sementes nativas que funciona no Campus IX da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), tendo como parceiros o Instituto do Meio Ambiente (IMA), a Agência 10envolvimento e a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA).
Seleção - Coordenador do Laboratório, o pesquisador Fábio Cocozza ressalta que os trabalhos com pequi estão em fase inicial e que em diversos municípios o fruto está sendo colhido por estudantes em final do curso de agronomia e monitores voluntários, que fazem um levantamento do que existe na região para seleção de matrizes.
"Estamos selecionando as melhores frutas e identificando os pés com melhor produtividade, para a multiplicação de mudas", acentua, acrescentando que a colheita para a pesquisa é sistemática.
Em laboratório, se dá o trabalho de acompanhamento pós-colheita, onde são observadas peculiaridades de cada planta, como rendimento, acidez, teor vitamínico, poder antioxidante, dentre outras características. Segundo o pesquisador, a região é muito rica em frutos nativos e deveria ser incentivado um melhor aproveitamento. Já foram pesquisados os frutos de buriti, mangaba e cagaita.
Saúde - Em Goiás, Estado com grande tradição do consumo de pequi, o Laboratório de Tecnologia de Alimentos, da Universidade Católica, desenvolve alternativas para o aproveitamento do fruto com mais de 20 opções já catalogadas para a utilização da polpa. Porém, o destaque para as novas pesquisas é seu uso para tratamentos de saúde.
A composição química e os compostos bioativos presentes na polpa e na amêndoa do pequi foram tema de um estudo divulgado na edição 29 da Revista Brasileira da Fruticultura (2007). De acordo com a pesquisa, que contou com estudiosos do tema ligados à Universidade de São Paulo e do Piauí, os quatro componentes majoritários da castanha são os lipídios (51,51%), as proteínas (25,27%), os carboidratos (8,33%) e a fibra alimentar (2,2%), além do alto teor de minerais.