Saborosas iguarias são feitas com o fruto do pequizeiro
A forma mais elementar de apreciar o fruto do pequizeiro é cozido na água com um pouco de sal. Depois de 15 a 20 minutos de cozimento, tempo suficiente para espalhar o cheiro por toda a vizinhança, está pronto. É só deixar esfriar e raspar (com os dentes ou uma colher) uma fina camada de massa que envolve o caroço.
Acadêmica em administração, Auxiliadora Ladeira, 37 anos, afirma que fica gostoso se envolver o fruto, depois de cozido, em açúcar cristal. "Como aprendi com minha mãe", explica. Já o pequeno pecuarista Samuel de Souza, 42 anos, gosta de passar o fruto cozido em uma raspa de rapadura. "Dá sustância para agüentar o trabalho pesado", confessa. Na culinária tradicional, pode ser misturado ao arroz, feijão e frango.
Mas, segundo a cozinheira Juciara Mendes, 54 anos, que aprecia o fruto desde criança, só se toda a família gostar de pequi. "E sem exagerar, pois o gosto é forte e pode ficar enjoativo. Tem quem goste de cuscuz com pequi e do baião de três (arroz, feijão e pequi)", ressalta.
Experiência - Com os resultados de diversas pesquisas sobre o fruto no Brasil apontando não só os valores nutricionais, mas também seu múltiplo aproveitamento, surgiram trabalhos com livros de receitas de pratos típicos de vários Estados. No oeste baiano, tanto os estudos científicos quanto o trabalho de disseminação das formas de aproveitamento do pequi estão no início.
De acordo com a engenheira agrônoma da ONG Agência 10envolvimento, Edite Souza, já existem experiências com a comunidade de Ponte de São Mateus, zona rural do município de São Desidério, com o aproveitamento de outros frutos, como cagaita, mangaba e jatobá. Nesta safra, o contemplado é o pequi.
Valorização - Edite diz que, além dos pratos já citados, a polpa pode ser conservada em água e sal e ser ingrediente para uma farofa peculiar. "A castanha também é muito gostosa e pode ser consumida in natura, com sal e na paçoca, além de ser acrescentada em doces como substituto de outras nozes e amêndoas", assevera Edite Souza, destacando que há quem goste de licor e de picolé, bem como de pão de queijo e patê de pequi com ricota. O óleo, mais usado como remédio, também pode ser utilizado na cozinha.
"Estamos buscando valorizar as plantas nativas, que sempre foram tradicionalmente consumidas pelos moradores dos Gerais (como é conhecida a região de cerrado). Se houvessem políticas públicas para valorizar as riquezas nativas, seria muito mais lucrativo ambientalmente e para a sobrevivência das comunidades tradicionais", afirma a engenheira agrônoma, fazendo uma crítica ao avanço de culturas novas que demandam a derrubada das árvores típicas da região.