Parte das usinas inicia entressafra sem estoques
Cerca de 45 usinas pequenas e médias, que representam 20% da produção de cana do Centro-Sul, devem iniciar a entressafra 2008/09 sem uma gota de álcool e um grama de açúcar em seus estoques. Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), essas usinas desovaram toda sua produção para fazer caixa durante a safra.
A Unica estima uma moagem de 487 milhões de toneladas de cana para esta temporada. Cerca de 20% da produção - estimada em 97,4 milhões de toneladas de cana - estará fora do mercado na entressafra (de janeiro a abril). Esse volume de cana convertido em etanol, considerando um "mix" de produção de 60% para o combustível, resulta em 4,6 bilhões de litros. Em açúcar, significa 3,8 milhões de toneladas.
A expectativa é que os estoques de passagem para abril fiquem em 900 milhões de litros, insuficiente para 30 dias de consumo. A demanda mensal de álcool na região Centro-Sul do país gira em torno de 1,2 bilhão de litros. Segundo Rodrigues, o país não deverá registrar desabastecimento de combustível na entressafra. De abril até novembro deste ano, foram consumidos nos mercados doméstico e externo cerca de 17,4 bilhões de litros de álcool.
As exportações na região estão estimadas em 4,2 bilhões de litros, totalizando 4,7 bilhões no país. Para a próxima safra, 2009/10, os embarques deverão recuar em 1 bilhão de litros no país em decorrência da crise financeira global.
Com limitação de crédito, muitos grupos em situação financeira delicada não terão recursos para continuar os trabalhos para a próxima safra, informou Rodrigues. "A safra, para transcorrer normalmente, precisará do retorno das linhas de crédito. As linhas de Adiantamento de Crédito de Câmbio (ACC) saltaram de 1,5% para 15% a 16%. Estão caras."
Por conta da situação financeira crítica, muitos grupos também deverão adiar o início das operações de suas novas usinas. Neste ano, três das 33 novas plantas adiaram suas operações. Em 2009, a expectativa é que apenas metade das 35 novas unidades previstas comece a operar. A partir de 2010, parte dos cerca de 60 novos projetos poderá ficar em stand-by, explicou Rodrigues. (MS)