Peritos baianos atuam na identificação de ossadas

28/05/2015
Referência na América Latina e apontado entre os três melhores do Brasil, o Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia emprestou três peritos para ajudar na identificação dos restos mortais encontrados numa vala clandestina, no Cemitério de Perus, localizado em São Paulo. A suspeita é de que o material seja de desaparecidos políticos na época da Ditadura Militar (1964/1985).

"O DPT baiano tem orgulho em dar a sua contribuição para passar o Brasil a limpo de um dos momentos mais sombrios da nossa história", declarou o diretor da instituição, Élson Jeffesson, destacando que o Ministério da Justiça, responsável pelo processo de investigação da vala clandestina, selecionou os melhores profissionais brasileiros para o caso.

Jeffesson lembrou que peritos baianos também foram solicitados e atuaram em outros casos de repercussão nacional, como na identificação, via DNA, dos corpos em um acidente aéreo, ocorrido em 2011, no Recife, e na elucidação do assassinato de Isabella Nardoni, em São Paulo. "Somos referências em todos os segmentos da ciência forense. Incentivamos a progressão acadêmica e sabemos que nessas participações nossos profissionais acumulam conhecimento e experiência", enfatizou.

Equipe

O trio de peritos baianos, que vem atuando no Cemitério de Perus, é composto pela coordenadora de Antropologia Forense do Instituto Médico- Legal Nina Rodrigues (IMLNR), perito médico-legista Letícia Sobrinho, pela também perito médico-legista Maria de Fátima Guimarães, e pelo perito odonto-legal João Pedro Pedrosa Cruz.

Os servidores baianos trabalham em conjunto com antropólogos, arqueólogos, historiadores e peritos de outros estados, uma semana em cada mês. No último balanço, já tinham sido analisadas 282 peças das 1049 caixas com restos mortais. Inicialmente, está previsto o término das identificações para 2016.

"A participação neste trabalho possibilita que a experiência e o conhecimento adquiridos pelos profissionais sejam aplicados nas perícias realizadas nas suas instituições de origem", pontuou Letícia Sobrinho. Ainda de acordo com a perita, "é importante ressaltar que este trabalho poderá fornecer respostas às famílias de desaparecidos políticos e à sociedade, ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento e consolidação da antropologia forense no Brasil".