Empoderamento da mulher em debate

13/10/2015

Comemorando sete anos de implantação em outubro, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), instalada no bairro de Periperi, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, está promovendo uma série de palestras, cursos e oficinas voltada para o público feminino. Intitulado ‘Empoderar para Transformar’, o projeto começou na terça-feira, dia 6, e segue até a próxima quarta-feira (14). Todas as atividades são gratuitas e oferecidas por voluntários na sede da delegacia, nos períodos da manhã e da tarde.


As ações têm o objetivo de instruir e mostrar que a mulher pode e deve romper com qualquer ciclo de violência de gênero, além de promover a capacitação, através de ideias e iniciativas simples, que podem se converter como fonte de renda para ela. Segundo a delegada titular Vânia Nunes, as atividades pelo aniversário da Deam são reflexos dos trabalhos realizados não apenas nesse período, mas ao longo do ano.


“Em 2015, trabalhamos com a realização de palestras e atividades com mulheres e também com a comunidade, como ações em escolas do bairro, com os adolescentes. A idéia é desmitificar o ambiente da delegacia, que pode ser utilizado para promoção de atividades culturais e usado pela população. Além disso, com os jovens, tentamos despertar valores, desmitificar o machismo e, começando cedo, trabalhar na prevenção da violência contra a mulher”, explicou a delegada.


As mulheres do subúrbio já ouviram palestras sobre benefícios sociais, Ronda Maria da Penha e controle de zoonoses e participaram de oficinas de auto-maquiagem e de customização. Nos próximos dias, ainda haverá oficinas de turbantes, de design de sobrancelhas e de reaproveitamento de alimentos.


As interessadas podem se inscrever através do e-mail deameventos@hotmail.com. A programação foi pensada para a preparação e capacitação para o mercado de trabalho, atentando que a dependência financeira é apontada pelas mulheres atendidas na Deam, como um dos motivos para continuarem em situação de ameaça ou violência.


Atendimento na Deam 


As mulheres atualmente possuem como recurso legal a Lei Maria da Penha, para denunciar violências, ameaças ou situações de risco relacionadas ao gênero, mas não são somente as questões policiais que são recebidas na delegacia. Por estarem em situação de fragilidade, todas as atendidas passam pelo serviço sócia,l que funciona no local e recebem apoio de voluntários, por meio de uma parceria com o curso de Serviço Social do Centro Universitário Estácio da Bahia (Estácio FIB).


Somente este ano foram registradas 1.860 ocorrências na Deam/Periperi, e a expectativa é que esse número seja menor do que as 2.822 contabilizadas no ano passado, principalmente devido às atividades voltadas para prevenção. Parte das ações é prestada pelos estudantes, como estágio de dois dias por semana no local. Para a professora e assistente social que coordena os voluntários, Adnilza Souza, essa troca de experiências é muito importante para os alunos e comunidade.


“A Deam funciona, para os alunos, como um campo de estudo, local para fortalecimento de vínculo e de esímulo para o voluntariado. Ao mesmo tempo, as mulheres que chegam aqui normalmente estão fragilizadas e precisam desse acolhimento que podemos proporcionar. Percebemos que muitas questões podem ser resolvidas com diálogos e convidamos parceiros e familiares para uma reunião social e alguns problemas são resolvidos dessa forma, evitando que haja, num futuro próximo, um conflito físico, por exemplo”, afirmou a professora Adnilza.


Além das vítimas, a delegacia está preparada para receber, atender e guardar o sigilo de pessoas que queiram denunciar situações de violência contra a mulher com terceiros, ainda que as partes envolvidas não tenham comparecido à delegacia.


“Hoje a delegacia tem dois papéis, o de polícia especificamente, com a violência já ocorrida, quando é registrado o boletim, ouvidas testemunhas, interrogado o acusado e encaminhado o processo para a Justiça. Mas temos feito um trabalho social com a comunidade, para que qualquer mulher que se sinta angustiada, preocupada (sejam relações com familiares, vizinhos, amigos), procure apoio na delegacia. Quando não podemos ajudá-la aqui,  para que procurem um psicólogo, por exemplo, encaminhamos para os serviços adequados”, acrescentou a delegada Vânia Nunes.