Policial idealizador de projeto ganha medalhas no jiu-jitsu

Publicado: 19/11/2015

Quem fez sucesso na última etapa do Campeonato Mundial de Jiu-jitsu, realizado nos dias 14 e 15 de novembro, em São Domingo, na República Dominicana, foi o sargento Lourival Alves da Silva Filho, o S.Filho, 42 anos, coordenador do Projeto Social Boa Luta, na comunidade de Barreiro, no bairro da Boca do Rio. Ele conquistou duas medalhas de ouro: uma pela categoria até 100 quilos e outra na modalidade Absoluto sem kimono, que abrange todos os pesos.


De acordo com S. Filho, a única motivação para voltar a competir foi o projeto social que coordena e que é responsável por contemplar 272 jovens, com faixa-etária entre cinco e 17 anos, da Boca do Rio, por meio de esportes, como o jiu jitsu, boxe, capoeira, além das oficinas de teatro.


“As crianças e adolescentes que participam do Boa Luta são carentes de muitas coisas, principalmente de uma referência. Coloco-me  nesse papel de  estimulador para que eles sonhem alto e lutem para conquistar o que pretendem. Sempre digo que é possível chegar lá, mas, lutando e vencendo, passo a mostrar como se consegue isso na prática”, afirmou. 


As aulas são realizadas às terças e quintas-feira, a partir das 18 horas, na Associação Nordeste Jiu-Jitsu MMA, da qual S.Filho é vice-presidente. Ele entende que não precisa de muito esforço para ser um agente de transformação social. “O que fazemos é dar carinho, estimular o respeito e potencializar a lealdade entre os meninos. Nós os cuidamos como se fossem nossos filhos, acompanhando-os na rua e na escola”, explicou. 


Em agosto passado, S. Filho venceu a segunda etapa do Mundial, ocorrido na Argentina, obtendo também duas medalhas. Na época, foi recebido pelo governador Rui Costa, em encontro na Governadoria.



Boa Luta



Aos 11 anos e com o apoio do projeto, o pequeno Henrique Ferreira está tendo a oportunidade de seguir o sonho de ser lutador. Este ano, conquistou medalha de ouro no Campeonato de Novos Talentos do Jiu jitsu, em Lauro de Freitas, sendo fundamental para isso o treinamento recebido no Boa Luta. “Aqui, a gente aprende a ter disciplina, a se concentrar e a lutar pelo que desejamos. Percebemos que podemos alcançar nossas metas e que nunca devemos desistir”, contou.



A prática esportiva tem incentivado o desempenho também na sala de aula. Só treina quem tira boas notas. Mãe dos garotos Renato e Guilherme, a trabalhadora autônoma Ana Paula Moreira reconhece a evolução dos filhos no ambiente escolar. “Eles eram muito dispersos e passaram a ter mais atenção e um cuidado maior com o material escolar. Chegam em casa depois do colégio e fazem logo as atividades. Acredito que tudo isso refletiu na melhoria das notas”.



A rotina dos treinos também potencializou as atividades de Marcos, 7 anos, portador de um leve grau de autismo. “Não interagia com os colegas e era muito dependente de mim. Hoje, brinca com os outros meninos e mostrado ser capaz de fazer as coisas sozinho. Tem sido muito bom pra ele”, enfatizou a, Tânia Raquel Andrade, mãe de Marcos.