Dupla de pilotas do Graer orgulha mulheres baianas

15/03/2016
No chão, o limite das capitães Danusa de Oliveira, 34, anos, e Maíra Galindo, 33, é pouco mais de 1,60 m que ambas têm de altura. Mas quando entram no “Guardião 01”, um dos helicópteros do Grupamento Aéreo da Polícia Militar, não há como fugir do clichê: o céu é o limite! Primeiras policiais femininas da Bahia capacitadas para pilotar aeronaves, enchem de orgulho não só as mais de 4 mil mulheres que compõem a tropa, como também os marmanjos que sabem a difícil saga de cumprir todas as etapas e provas do certame para a seleção de ingresso para a função.



Para começar, o número restrito de vagas de cara já assusta os candidatos. “Eram 22 vagas para homens e apenas três para mulheres, todas para cadastro reserva”, lembra Danusa que há 15 anos integra o quadro da PM. A grande peneira na hora da escolha dos candidatos inclui provas objetivas, de aptidão física, teste de habilidades específicas para a função e exames psicológicos. “Dos 100 inscritos, apenas sete candidatos, entre homens e mulheres, conseguiram aprovação em todas”, ressalta. O riso de canto de boca denuncia uma casquinha de orgulho.



E quem pensa que as dificuldades foram apenas durante a seleção dos candidatos, engana-se. O intenso curso de piloto civil, com aulas em Minas Gerais, demandou da dupla um ano e três meses de dedicação exclusiva a estudos e testes. Além da responsabilidade da atividade de risco, a pressão de serem as únicas escolhidas diante de um quadro predominantemente masculino aumentou a determinação das Pfems. “A capacitação foi um grande investimento do estado, daí ter um desempenho excelente era uma questão de obrigação, de honra. Não haveria uma segunda chance”, conta Maíra.



Embora estejam prontas para pilotar sozinhas um helicóptero, no Graer, a dupla é classificada como comandante de operações das aeronaves, uma espécie de copiloto. Para assumir o controle total, precisam cumprir 500 horas de voo, o que não deve demorar para ocorrer, já que estão em atividade desde dezembro de 2015 e o trabalho não é pouco. Aliás, a quantidade e a diversidade de solicitações da unidade são algumas características que mais atraíram a dupla.



“Aqui, nenhum dia é igual ao outro, não há rotina. Um dia estamos resgatando vidas de um acidente, no outro auxiliando colegas na captura de bandidos”, relata Maíra, lembrando que não há alívio para quem é mulher. “As escalas são igualmente intensas para todos”, enfatiza. Sobre preconceito, as capitães dizem não haver diferença no trabalho, mas asseguram que os colegas tiveram que se adaptar à presença delas. "Eles viviam num ambiente 100% masculino, que agora é dividido com a gente e eles respeitam isso”, diz.



A profissão chama atenção entre familiares e conhecidos, principalmente do público masculino. O fardamento – um macacão verde sumo, feito apenas sob o padrão masculino – esconde a feminilidade da dupla que possui perfis iguais, belezas diferentes e a vontade de ultrapassar barreiras impostas pela cultura ou pelo preconceito, na busca da igualdade na valorização do trabalho do homem e da mulher.



Domínio das mulheres



“Chegou Marta, chegou trabalho!”, dizem os mecânicos quando a controladora técnica de manutenção e inspeções do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer), Marta Ferreira, aparece no pátio. Com 11 anos na PM, a sorridente e descontraída policial foi convidada há cinco para fazer parte da unidade.



Num ambiente predominantemente masculino, a carioca, naturalizada baiana há 20 anos, desempenha de forma orgulhosa as revisões semanais nas aeronaves. Não há botão e código que lhe passem despercebidos.



Seu momento mais marcante na carreira foi quando fez rapel e voou de helicóptero pela primeira vez. “O piloto realizava manobras radicais, parecia que estava numa montanha russa”, relembra.



Casada há 25 anos, Marta diz que o marido sempre a apoiou e que nunca sofreu qualquer tipo de preconceito no trabalho. Antes de chegar ao cargo atual, a PM foi motorista de viaturas e passou pelo Departamento de Apoio Logístico (Dal). “Meu sonho é ficar aqui até ir para a reserva”, declarou radiante.