Mesa-redonda discute trajetória da mulher na segurança pública

17/03/2016
Quem vê os espaços ocupados hoje pelas mulheres na segurança pública do estado, não imagina os obstáculos enfrentados por elas ao longo dos anos, na busca por igualdade e respeito dentro das instituições. Para falar sobre a história destas profissionais, a Superintendência de Prevenção à Violência (Sprev) promoveu, na manhã desta quinta-feira (17), no auditório do Departamento de Polícia Técnica, a 1ª Mesa-Redonda sobre a História e Trajetória das Mulheres na Segurança Pública.



De acordo com o superintendente da Sprev, coronel Admar Fontes, o evento é apenas uma mostra das homenagens reservadas ao público feminino, em comemoração aos 60 anos da presença feminina na SSP/BA, completados este ano. “São histórias de superação que precisam ser contadas e registradas”, ressaltou, ao anunciar a elaboração de um livro com personagens femininas marcantes na história das polícias baianas. Além da publicação, a Sprev também planeja a gravação de um documentário com as primeiras profissionais do setor.



E quem acompanhou a evolução da mulher nas instituições de segurança pública da Bahia tem, de fato, muita história pra contar, principal objetivo da mesa-redonda. No evento, representantes das polícias Militar, Civil e Técnica e do Corpo de Bombeiros dividiram experiências marcadas por preconceito, superação e, principalmente, muito trabalho. Integrante da primeira turma mista de sargentos, em 1990, e do primeiro curso de oficiais aberto às mulheres, em 1992, a major Cássia Aparecida Queiroz Fonseca ainda lembra o comportamento dos colegas com a chegada do público feminino às unidades.



“Nós nos deparamos com vários tipos de reação. Homens que se assustaram com nossa presença, que zombaram e que desacreditavam da nossa competência. Mas também existiram aqueles que nos apoiaram”, recordou a major que, aos 49 anos, coordena o núcleo de ensino do Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Praças.



Apesar de participar do grupo seleto de majores femininas na PM/BA, Cássia carrega uma pitada de frustração por não poder chegar ao topo da carreira militar (o posto de coronel), devido ao tempo de serviço, fruto da entrada tardia da mulher na instituição. “A Bahia foi o penúltimo estado da federação a abrir vagas para mulheres na Polícia Militar”, lamentou. Afirmou, entretanto, estar “tranquila e satisfeita”, por saber que as novas oficiais terão esta oportunidade.



Já a investigadora Gildete Ramos Nascimento, que, aos 23 anos, ingressou na Polícia Civil, em 1979, numa das primeiras turmas que admitia mulheres, garante ter tido jogo de cintura para lidar com a situação. Extrovertida, usou do bom humor para ultrapassar os casos de machismo que presenciou nestas mais de três décadas trabalhando como policial.



Também do quadro da PC, a investigadora Gessilda Souza conta que, em suas experiências, a desconfiança dos colegas sempre foi relacionada ao preconceito. “Depois que eles conheciam minha dedicação ao trabalho, passavam a optar e até disputar a minha parceria”, relata.



O evento também fez homenagens a uma das figuras femininas de maior destaque na história da Segurança Pública. Maria Theresa de Medeiros Pacheco, primeira médica legista do Brasil, fazia parte do quadro do DPT baiano, e também conquistou o mérito de ter sido a primeira diretora de um Instituto Médico Legal no mundo.



Representante do Corpo de Bombeiros Militar, instituição mais jovem da Segurança Pública, a major Ana Fausta Araújo contou um pouco sobre a história da mulher na instituição, assunto que já foi tema de matéria que poder ser acessada clicando aqui.