Bahia realiza maior simulado de ataque terrorista

13/06/2016

Uma explosão que deixou vítimas nas arquibancadas da Arena Fonte Nova e projetou pessoas para o gramado. Esse foi o cenário de abertura da segunda maior simulação de ataque terrorista, já realizada no mundo e a maior na América Latina.


Promovido durante o Congresso Internacional de Desastre de Massa, concluído no último domingo (12), em Salvador, como preparação para os Jogos Olímpicos, o treinamento teve a coordenação do Corpo de Bombeiros Militar e a participação de 25 forças nacionais e internacionais, como a Interpol, a Marinha, o Exército, o Corpo de Bombeiros, o Departamento de Polícia Técnica e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). 



Segundo o coronel Antônio Júlio Nascimento, coordenador do Centro de Gestão Estratégica do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, o estado está preparado para qualquer incidente. “O terrorismo é nossa maior preocupação, mas existem outros problemas que podem acontecer. Um simples tumulto, por exemplo, pode provocar uma grande correria e este evento serve para fazer o treinamento das forças como um todo”, ressaltou. 



Nascimento avalia que a simulação é complexa e difícil para todas as corporações. Na oportunidade, também foi montado um cenário de intoxicação alimentar, perseguição tática ao portador de uma mala que seria colocada na arquibancada e pesquisa de artefato não identificado. 



Ele esclarece que, no caso de uma bomba, quem primeiro entra em ação é a Marinha, com roupa específica. “Em seguida, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, para saber se há componente que possa ser ofensivo, e depois o Batalhão de Operações Antibomba, usando um robô para completar a avaliação e neutralizar alguma ameaça. Controlado o risco, é a vez do Corpo de Bombeiros, que fará o atendimento às vítimas trazidas para uma área específica, onde se encontra o Samu”.



Segundo ele, a Bahia está preparada para desastres com múltiplas vítimas. “O Hospital Geral do Estado (HGE) sai na frente em nível nacional, por ter uma área de atendimento para múltiplas vítimas, que só vi na Alemanha, em 2014. A gente conseguiu implantar aqui um sistema de análise e avaliação de vítimas, para que elas sejam examinadas antes de entrarem na área de ortotrauma do hospital, evitando inclusive contaminações”. 



Resposta efetiva




De acordo com o coordenador-geral do evento, Jeidson Marques, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), juntando todos os integrantes das forças que participaram do treinamento e os voluntários, que fizeram o papel de público, foram 1,5 mil pessoas aproximadamente. O registro do maior simulado da história mundial aconteceu há pouco tempo, em Londres, com duas mil pessoas.



O foco, no seu entendimento, é preparar as forças de segurança para uma resposta ‘rápida e efetiva’ no caso de um atentado. “Mas um susto pode gerar ação, como o abandono de uma mochila, suspeita de conter explosivo. Isso pode causar um tumulto no estádio e as forças devem estar preparadas para conduzir o problema sem que se transforme numa tragédia”, pontuou. 



Domingo foi o terceiro dia do congresso. “Sábado (11) e sexta-feira (10), tivemos aqui a presença do Comitê Olímpico e do Ministério da Defesa, que estão sinalizando positivamente. Teremos 10 jogos de futebol na Fonte Nova, então é preciso uma preparação e um alinhamento das forças tão grande quanto o que está acontecendo no Rio de Janeiro”, disse ainda o coordenador- geral do evento. 



Marques também reforça a necessidade de uma sincronia com os protocolos internacionais. “Estamos falando de Olimpíadas, mas em qualquer outro grande jogo na Fonte Nova ou até mesmo no Carnaval de Salvador, que também atrai multidões, ficamos expostos a situações críticas e de visibilidade internacional. Daí seguirmos protocolos da Interpol, da Guarda Costeira dos Estados Unidos e estarmos colocando nosso alinhamento em teste”.



Perita do Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT), Tânia Gesteira, garante que a perícia segue o protocolo da Interpol no âmbito criminal “para a determinação das causas do acidente, acompanhando todos os padrões estabelecidos para a atuação em desastres e eventos adversos com múltiplas vítimas”.



Observa que o trabalho é iniciado com varredura para identificação de vestígios. “Depois as equipes trabalham simultaneamente, inclusive as de recuperação de corpos que vão fazer fotografias, anotações, resgate das vítimas e encaminhamento para o pessoal de recepção, veículos e departamento para a identificação”.



O subcoordenador do Samu, Alex Mine, classifica a capacitação como fundamental para quem integra uma equipe de resgate. “Fica um legado, principalmente para Salvador, uma capital voltada para festas. O Carnaval é um evento grande, onde pode haver múltiplas vítimas. Outra possibilidade é em deslizamentos, como os que ocorrem rotineiramente na capital baiana em épocas de chuva. Se a gente faz essa capacitação para períodos de olimpíadas, isso repercute para outros momentos também”, enfatizou.