Policiais esclarecem dúvidas sobre uso de drogas

27/03/2015
Para os estudantes do 8º ano do ensino fundamental do Colégio Módulo, a aula da manhã desta sexta-feira (27) teve um gostinho diferente. No lugar da louza, do piloto e da professora de História, delegados, peritos criminais e investigadores entrarem em cena, esclarecendo as dúvidas dos adolescentes, a maioria entre 12 e 14 anos, sobre os efeitos do emprego das drogas.

A atividade interdisciplinar aconteceu no auditório do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Pituba, onde delegados e investigadores do Departamento de Narcóticos (Denarc) e peritos criminais do Departamento de Polícia Técnica (DPT), através de uma conversa descontraída, expuseram os riscos do uso de drogas. Os profissionais da Segurança Pública também apresentaram um quadro com os tipos de entorpecentes mais apreendidos.

Com formação em química e atuando no Laboratório de Química Forense do DPT, o perito criminal Enoque Silva foi um dos participantes desta atividade. Professor e integrante do Curso de Prevenção de Drogas para Educadores da Rede Pública, explicou para os jovens estudantes os malefícios provocados no corpo humano pelas drogas.

"Esclarecer a forma como agem e os prejuízos que causam à saúde são fortes argumentos para desencorajá-los a experimentar qualquer tipo de entorpecente. Meu papel é levar o conhecimento técnico para estimular a prevenção ou gerar uma mudança de atitude", afirmou.

Já o titular da 1ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes do Denarc, delegado Luís Sampaio, alertou para as consequências sociais do uso de drogas, movimentando o tráfico em todo o país e contribuindo para o cometimento de outros crimes, como o homicídio.

"A gente tenta plantar uma sementinha na cabeça destes adolescentes em fase de formação sobre os perigos das drogas, principalmente em tempos onde o acesso a este tipo de material é muito mais fácil do que antigamente", revelou o delegado que, embora trabalhe diretamente com a repressão ao uso e tráfico de drogas, acredita que "a prevenção ainda é a melhor solução".

Responsável pela visita dos alunos ao Denarc, a professora de História do Colégio Módulo, Tânia Lima, concorda que a prevenção é a grande saída. "O conhecimento pode prevenir atitudes erradas. Ter ciência sobre os prejuízos do uso das drogas vai garantir que não se trilhe pelo caminho errado" opinou. Segundo ela, a conversa com os profissionais da SSP será, em breve, fruto de seminários promovidos pelos alunos que participaram deste encontro.

"A intenção é que eles se tornem agentes multiplicadores, tanto na sala de aula quanto nas demais redes de amigos", ressaltou. Disse ainda que a missão de orientar os jovens sobre a prevenção ao uso de drogas não é exclusiva da Segurança Pública, mas de todos os setores da sociedade.

Para a estudante Luana Neves, 12 anos, embora as drogas sejam um tema muito debatido na escola e dentro de casa, os efeitos que elas provocam no corpo humano nunca haviam sido esclarecidos nestes ambientes. "Para mim, foi o mais interessante. A gente sabia que fazia mal, mas não de que forma", declarou.

Gabriel Torres, 13, compartilha da mesma idéia. "A gente ouve o tempo para não usar drogas, ‘porque não pode, porque não é bom ou porque os pais proíbem’, mas ninguém nunca tinha parado para me explicar os males que as drogas causam", opinou.

No final da visita, os alunos acompanharam a realização de um exame rápido de identificação química de drogas e conheceram armas de uso restrito das Forças Armadas. A expectativa da equipe da SSP é de que visitas, como a da manhã desta sexta-feira, cheguem às escolas públicas estaduais e municipais.