BCS/Uruguai oferece aulas de piano para jovens da comunidade

05/11/2015

Um piano doado por um morador do Uruguai, em Salvador, é a peça central do Projeto Primeiro Som, desenvolvido há três meses por policiais militares da Base Comunitária de Segurança (BCS) do bairro. Ministradas às terças e quintas-feiras, das 9 às 12 horas, no Espaço Cultural Alagados, as aulas de música são de responsabilidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). 


 


Jovens de baixa renda, com faixa etária entre 11 e 25 anos, estão tendo a oportunidade de aprender músicas clássica, barroca e até bossa-nova, tanto na teoria quanto na prática. O soldado PM Érico Alcântara, formado em música pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e um dos idealizadores do projeto, é o professor.  


 


“Nosso objetivo é aproximar a polícia da comunidade e, através da música, direcionar a meninada para o caminho do bem. Tenho o compromisso de mostrar para os garotos que o mundo é muito maior do que conseguem enxergar no momento e que há muita oportunidade para eles”, explicou. 


 


Por meio das partituras, valores morais são transmitidos aos jovens, que aprendem a realizar trabalhos em equipe, a respeitar as particularidades de cada colega e a ajudar os mais necessitados. A música também abre portas para quem deseja crescer profissionalmente.     


 


“Minha relação com a música começou aos 10 anos, quando tocava bateria na igreja que frequentava. Hoje, aos 25 anos, sigo desenvolvendo minha arte com o piano. Adoro música,  atuo como técnico de sonorização e as aulas me incentivam a querer sempre mais”, afirmou Marcos Vinícius dos Santos, primeiro jovem a ingressar no projeto.    



Alguns dos alunos iniciaram as aulas de piano por acaso, como Quezia Alves, 25. Mesmo sem saber tocar nenhum instrumento musical, topou o desafio de aprender algo relacionado à música. “Passava por aqui e sempre ficava observando os meninos tocarem e tirarem dúvidas. Comecei a ter interesse em saber um pouco mais e resolvi participar. Está sendo muito legal. Isso expande o meu conhecimento. O projeto contribuiu bastante para eu melhorar minha concentração”, afirmou. 


 


O trabalho social feito no bairro do Uruguai é árduo, leva tempo, mas o resultado pode ser transformador. “A gente está tentando mudar o pensamento de uma geração, garantir oportunidades e estimular a esperança. Isso tudo terá um impacto muito interessante na sociedade do futuro. Estamos fazendo um trabalho de prevenção da violência para reduzir a necessidade de ações de repressão”, ressaltou a comandante da BCS do Uruguai,  tenente Carla Elis.