Presidente da Bahiainveste alerta: tarifas dos EUA podem derrubar R$ 1,3 bi do PIB baiano e sufocar setor agrícola

24/09/2025
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Paulo Guimarães vê risco para 210 mil empregos e aposta em novos mercados com apoio da ApexBrasil em Salvador

As novas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil geraram forte preocupação no setor produtivo nacional e podem impactar diretamente as exportações da Bahia. O diretor-presidente da Bahiainveste, Paulo Guimarães, analisou, na manhã desta terça-feira (19), os impactos da medida em bate-papo com os jornalistas Osvaldo Lyra (editor-chefe do Portal M!), Gomes Nascimento, Matheus Morais e Cátia Rhawllesty. Em entrevista ao programa De Olho na Bahia, da Rádio Mix Salvador (104.3 FM), ele destacou a importância da inauguração do escritório da ApexBrasil em Salvador para apoiar empresas baianas no mercado internacional.

ApexBrasil em Salvador reforça apoio às empresas baianas

Segundo Paulo Guimarães, a instalação do escritório da ApexBrasil em Salvador chega em um momento decisivo, já que diversos segmentos do setor agrícola da Bahia e da indústria local estão em risco. Ele explica que o trabalho da agência, aliado à atuação da Bahiainveste, terá papel fundamental na abertura de novos mercados e na adaptação das empresas às novas exigências globais.

Para o dirigente, a presença da agência amplia as chances do Estado reduzir a dependência de um único destino de exportação.

“A inauguração do escritório é um elemento muito importante nessa busca para ajudar as empresas baianas que, afetadas pelo tarifário, precisam sair dessa situação”, destacou.

A ApexBrasil em Salvador terá ainda a missão de auxiliar na prospecção de mercados como Emirados Árabes e China, fortalecendo a internacionalização das empresas locais e diversificando a pauta de exportações da Bahia.

Tarifa dos EUA pode reduzir PIB e empregos na Bahia

Os impactos do aumento da tarifa dos EUA já estão sendo calculados pelo governo estadual. De acordo com Guimarães, a medida pode retirar mais de R$ 1,3 bilhão do PIB baiano, além de colocar em risco mais de 210 mil empregos, sobretudo, no setor agrícola da Bahia. Ele lembra que os efeitos são sentidos principalmente em cadeias produtivas que dependem quase exclusivamente do mercado norte-americano.

Um exemplo é a pesca, já que praticamente todo o pescado exportado pela Bahia tem os Estados Unidos como destino. A manga também está entre os produtos mais afetados, pois a maior parte da produção baiana segue para aquele mercado. A dificuldade, segundo ele, não é apenas encontrar novos compradores, mas adequar a produção às exigências de cada país.

“Grande parte da manga segue para os Estados Unidos e outros mercados podem demandar um produto diferente. É aí que entra a Apex, com sua estrutura de apoio”, ressaltou Guimarães.

O dirigente acrescenta que, mesmo com o anúncio do pacote de R$ 30 bilhões do governo federal – que prevê linhas de crédito e postergação de impostos para empresas atingidas -, a prioridade deve ser a busca por novos mercados para garantir a sobrevivência de produtores e indústrias.

Bahiainveste articula novos mercados internacionais

A estratégia de enfrentar o impacto da tarifa dos EUA passa pela intensificação de contatos comerciais com países da Ásia, Oriente Médio e Europa. De acordo com Guimarães, já estão previstas reuniões com o embaixador da França para ampliar compras de água de coco e frutas produzidas no Estado. Além disso, a BahiaInvest aposta no fortalecimento da relação com a China, destino estratégico para diversos produtos agrícolas brasileiros.

Segundo o executivo, a Bahia tem grande peso no comércio exterior brasileiro, representando quase 50% das exportações do Nordeste. Para ele, a diversificação é fundamental para garantir estabilidade ao setor produtivo.

“Nós somos responsáveis por quase metade das exportações do Nordeste e temos potencial para expandir, tanto em volume quanto em número de empresas exportadoras”, pontuou Guimarães.

Nesse contexto, a BahiaInvest e a ApexBrasil em Salvador devem atuar em parceria com a Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) e com o Sebrae, desenvolvendo programas de capacitação para ampliar o número de empresas aptas a competir no mercado internacional. Entre as iniciativas está o Programa de Extensão Industrial Exportadora (Peiex), que deve cadastrar novas companhias e qualificar aquelas que já operam com comércio exterior.

Setor agrícola da Bahia é o mais afetado pelas tarifas

Entre todos os segmentos, o setor agrícola da Bahia é o que mais sofre com a tarifa dos EUA. Produtos como manga, café e derivados do cacau têm forte dependência do mercado norte-americano e são grandes empregadores de mão-de-obra no interior do Estado. Segundo Guimarães, os efeitos sociais podem ser tão graves quanto os econômicos, já que milhares de famílias dependem diretamente dessas cadeias produtivas.

Ele reforça que a preocupação não está apenas na movimentação financeira, mas principalmente na manutenção do emprego e da renda em diversas regiões. “Às vezes, o setor mais afetado não é o que mais movimenta dinheiro, mas o que mais gera empregos”, observou.

A busca por mercados alternativos será, portanto, a principal saída para evitar perdas maiores e reduzir a vulnerabilidade das exportações da Bahia frente às medidas protecionistas dos Estados Unidos.