“A próxima batalha tem que ser contra os agrotóxicos e pela agroecologia”, diz Paulo Teixeira no Prêmio Brasil Sem Fome

20/12/2025
A próxima batalha tem que ser contra os agrotóxicos e pela agroecologia

Durante cerimônia em Brasília, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar defendeu a soberania alimentar, a alimentação adequada e a transição para sistemas produtivos sustentáveis como agenda estratégica do país


A defesa da agroecologia como eixo central das políticas de produção de alimentos no Brasil marcou a fala do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, durante a cerimônia do Prêmio Brasil Sem Fome, realizada nesta quarta-feira (17), no Teatro Nacional de Brasília. O evento reconheceu 40 experiências estaduais e municipais que contribuíram para a redução da insegurança alimentar e nutricional no país. Entre as iniciativas, está o Bahia Sem Fome, programa do Governo da Bahia, que recebeu duas premiações na primeira edição do prêmio.

O coordenador-geral do Bahia Sem Fome, Tiago Pereira, participou do evento acompanhado por uma comitiva que integra a equipe do programa e celebrou a fala do ministro. “Não é possível enfrentar a fome de forma duradoura sem discutir como os alimentos são produzidos. A agroecologia articula saúde, meio ambiente, produção de alimentos e justiça social, e precisa estar no centro das estratégias de segurança alimentar.”

Ao destacar os avanços no combate à fome no Brasil, o ministro Paulo Teixeira afirmou que os resultados alcançados são fruto de uma ação articulada entre os entes federativos e da decisão política do governo federal. Segundo ele, a soberania alimentar deve ser compreendida não apenas como o acesso à comida, mas como o direito a uma alimentação adequada e culturalmente referenciada. “A soberania alimentar representa comida farta na mesa, mas também significa alimentar adequadamente o povo brasileiro. Parte da população se afastou da comida cultural, passada de geração em geração, e passou a consumir ultraprocessados, o que trouxe graves problemas de saúde.”

Paulo Teixeira relacionou diretamente o enfrentamento à fome aos desafios da saúde pública e do modelo de produção de alimentos. Ao citar o avanço de doenças como diabetes e hipertensão associadas à má alimentação, defendeu medidas estruturais que envolvam regulação, políticas fiscais e transformação do sistema produtivo. O ministro ainda destacou a taxação de bebidas açucaradas como um passo importante para enfrentar os impactos da má alimentação e reforçou que o país precisa avançar para um modelo sustentável de produção de alimentos. “Nós temos um desafio que é construir um sistema produtivo de alimentos sustentável. Por isso, acredito que a próxima batalha que precisamos travar é contra os agrotóxicos e pela agroecologia”, declarou.

Repórter: Camila Fiúza
Fotos: Thassio Ramos