Bahia Sem Fome capacita prefeituras para gestão de Cozinhas Comunitárias Municipais

21/03/2026
Bahia Sem Fome capacita prefeituras para gestão de Cozinhas Comunitárias Municipais

Representantes de 118 prefeituras baianas participaram, nesta terça (17) e quarta-feira (18), em Salvador, da primeira capacitação dos municípios selecionados no edital 02/2025 do Projeto Comida no Prato no âmbito do Programa Bahia Sem Fome, voltado às prefeituras. Realizado no Hotel Fiesta, o encontro reuniu 150 participantes, entre representantes municipais, equipe do Bahia Sem Fome, equipe do Protocolo Brasil Sem Fome e a Procuradoria-Geral do Estado - PGE, com foco na orientação técnica para a implantação e execução das Cozinhas Comunitárias Municipais.  

Ao longo dos dois dias, a programação abordou temas centrais para o funcionamento do projeto, como o papel das prefeituras no Programa Bahia Sem Fome, os instrumentos de execução física, o sistema informatizado de gestão, o planejamento das ações para 2026, a gestão física e financeira dos convênios, a prestação de contas, além de recomendações sobre estrutura física, boas práticas na produção das refeições, SISAN e o Protocolo do Plano Brasil Sem Fome.

A iniciativa integra a estratégia do Governo da Bahia de fortalecimento da Rede de Equipamentos Integrados para o Combate à Fome, com apoio financeiro aos municípios para a implementação do Projeto Comida no Prato por meio de Cozinhas Comunitárias Municipais. De acordo com a apresentação da capacitação, a parceria tem como meta o fornecimento de 10,5 milhões de refeições ao longo de 12 meses.  

Durante a formação, os municípios receberam orientações sobre responsabilidades na execução do convênio, identificação do público beneficiário, metas de produção e distribuição de refeições, composição de equipe mínima, articulação com políticas públicas e mecanismos de monitoramento e controle social. A proposta é assegurar que as cozinhas operem de forma estruturada, com foco prioritário em pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar e nutricional.  

O coordenador-geral do Bahia Sem Fome, Tiago Pereira, destacou que parte dos municípios ainda está na etapa de instalação e organização das cozinhas e reforçou a importância de que a execução comece o quanto antes. Segundo ele, o período de 12 meses previsto no projeto passa a contar a partir do momento em que as unidades estiverem efetivamente em funcionamento, o que exige atenção das prefeituras ao cronograma de implantação.

“Algumas prefeituras ainda estão na etapa de instalação e organização das cozinhas, por isso reforçamos durante a capacitação que a execução precisa começar o mais rápido possível. O prazo de 12 meses conta a partir do funcionamento efetivo das unidades, e a nossa orientação é que os municípios iniciem, no mais tardar, em abril, para evitar contratempos. A fome tem urgência, não espera, e o compromisso do Governo da Bahia, um governo que cuida de gente, é fazer com que esse alimento chegue o quanto antes a quem mais precisa”, ressaltou Pereira.

Entre os municípios contemplados, está Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, que conquistou, no edital de 2025, oito Cozinhas Comunitárias Municipais. A coordenadora de Segurança Alimentar do município, Cleida Prates, que participou da capacitação em Salvador, destacou a relevância do encontro para organizar a implantação dos equipamentos e garantir que o projeto chegue a quem mais precisa.

“Sou nutricionista e hoje estou aqui representando o município na capacitação do Bahia Sem Fome. Nós de Camaçari conseguimos, no edital de 2025, oito cozinhas comunitárias e vamos instalar em breve essas unidades em bairros diferentes, na periferia, na orla e no centro de Camaçari. Com essas oito cozinhas, devemos atingir em torno de 1.600 pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional”, afirmou.

Cleida ressaltou que a formação contribui diretamente para a estruturação das unidades e para o planejamento da oferta das refeições de acordo com os critérios estabelecidos pelo edital.

“Essa capacitação vai nos ajudar a estruturar essas cozinhas para ter um projeto fiel ao edital com o qual fizemos convênio. Também é fundamental para que a gente saiba qual é o público-alvo, quem são as pessoas que mais precisam e aonde realmente temos que chegar com essas 1.600 refeições”, disse.

A gestora também chamou atenção para o contexto social de Camaçari. Segundo dados do RISocial, de setembro de 2025, 56,3% das famílias cadastradas no CadÚnico no município estavam em situação de extrema pobreza, cenário que reforça a importância da ampliação da rede de proteção social e de segurança alimentar.

“É uma cidade grande, industrial, mas justamente por essa característica recebe muitas pessoas em busca de emprego. Muitas vezes esse trabalho não se concretiza, e essas pessoas acabam ficando em situação de vulnerabilidade. É um número grande de pessoas vivendo com insegurança alimentar, muitos trabalhadores informais e pessoas que chegam de outros municípios e até de outros estados do Nordeste buscando uma oportunidade”, explicou.

Segundo Cleida Prates, essa dinâmica tem impacto direto sobre a demanda por políticas públicas de segurança alimentar no município.

“Temos, sim, casos de pessoas que chegam procurando trabalho, não conseguem e acabam ficando na cidade em situação muito difícil. Às vezes, a própria comunidade acolhe, em outras situações a assistência social do município é procurada e promove o retorno dessa pessoa para a sua cidade natal. Por isso, essas cozinhas serão muito importantes para ampliar a proteção social e garantir alimentação a quem mais precisa”, completou.

A capacitação também reforçou o papel estratégico das prefeituras na organização, execução, fiscalização e monitoramento das cozinhas comunitárias, incluindo a gestão dos recursos, o abastecimento, o cumprimento das metas e a articulação com outras políticas públicas, como assistência social, saúde e segurança alimentar.  

Assessoria de imprensa
Camila Fiúza
Fotos: Thassio Ramos e Ana Cardoso / Mochi Lab