A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio da Superintendência da Assistência Farmacêutica, Ciência e Tecnologia em Saúde (Saftec), realizou, na terça-feira (20), o III Seminário SUS Bahia: Aqui Tem Pesquisa. Organizado pela Diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (Ditec), com o apoio da Coordenação de Gestão do Conhecimento e Fomento à Pesquisa (COGEC), o evento debateu os desafios da pesquisa e fortaleceu o papel das Comissões Locais de Pesquisa (CLPs).
“O papel de vocês na avaliação das pesquisas propostas para realização no SUS é extremamente relevante. No ano passado, foram mais de 700 trabalhos acompanhados, o que demonstra a dimensão dessa atuação”, ressaltou o superintendente da Saftec, Luiz Henrique d’Utra, aos membros das Comissões Locais de Pesquisa presentes no evento.
O subsecretário estadual da Saúde, Paulo Barbosa, chamou atenção para o trabalho muitas vezes silencioso da pesquisa e defendeu maior visibilidade à área. “Temos o dever de dar visibilidade à pesquisa porque, para o SUS, é extremamente importante que tenhamos capacidade de desenvolver novas tecnologias e produzir novos conhecimentos”, destacou.
Ética e pesquisa em saúde
A programação reuniu painéis de discussão sobre diferentes aspectos da pesquisa em saúde, entre eles o cotidiano das Comissões Locais de Pesquisa (CLP) e os rumos da ética em pesquisa no Brasil.
Ao abordar os rumos da ética, o professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Nilo Reis, destacou a importância de instituições que valorizam as evidências científicas sem perder de vista a proteção dos direitos e a dignidade das pessoas envolvidas nas pesquisas. “O ser humano não foi feito para a pesquisa. É a pesquisa que precisa explicar e justificar eticamente por que está envolvendo seres humanos. Se perdemos essa perspectiva, perdemos também um princípio fundamental do nosso contrato social: a dignidade da pessoa humana”, afirmou.
Em seguida, a coordenadora da Cogec/Saftec, Lívia Pereira, apresentou a trajetória da Plataforma Bahia, porta de entrada para submissão de projetos às CLPs. “Atualmente, temos 150 projetos implantados, oriundos de 34 instituições, distribuídos em dez unidades ou setores administrativos e abrangendo cinco áreas do conhecimento do CNPq. A maioria das propostas é de pesquisadores externos, com destaque para a UFBA”, informou.
Cotidiano das CLPs
A troca de experiências também permitiu aos novos integrantes das Comissões Locais de Pesquisa conhecer práticas já adotadas nas unidades. Carla Bressy, enfermeira do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do CEDAP, apresentou o fluxo dos projetos e ressaltou a importância do acolhimento aos pesquisadores. “É preciso que se sintam acolhidos desde a chegada e que se comprometam a dar um retorno à unidade após a conclusão do trabalho”, afirmou. Já a enfermeira do Hospital Geral do Estado (HGE), Ana Maria Pazos, destacou a relevância e a viabilidade como aspectos determinantes na seleção dos projetos. “É preciso que a proposta esteja alinhada a uma necessidade real da unidade e que também seja viável do ponto de vista financeiro”, destacou.
A diretora-geral do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), Cristiana França, apresentou avanços na pesquisa e ressaltou a necessidade de investimentos.
Para o farmacêutico José Fernando Costa, do CIMEB e membro da CLP, o encontro reforçou a importância de aliar viabilidade e proteção das pessoas nas pesquisas. “Precisamos pensar não apenas na viabilidade local, mas também na proteção das pessoas envolvidas. Fortalecer a estrutura do Estado é essencial nesse sentido”, afirmou.
A diretora da Ditec, Maridete Simões, destacou a importância do encontro para o fortalecimento da pesquisa e das CLPs e agradeceu a todos que contribuíram para a realização do evento.
O seminário integra as ações voltadas à consolidação das CLPs e ao fortalecimento da política de pesquisa em saúde na Rede SUS Bahia.