Etnia Payaya de Utinga traz para a capital baiana a cerveja de cambuí

10/01/2019

A Cerveja de Cambuí, preparada com o fruto nativo Chapada Diamantina, foi um dos destaques da 9ª edição da Feira Baiana de Agricultura Familiar e Economia Solidária, o maior evento da agricultura familiar do Brasil, que acontece até este domingo (02), no Parque de Exposições de Salvador, em paralelo à 31ª Fenagro. A cerveja é produzida por famílias da Aldeia Payaya no município de Utinga.

A Feira Baiana de Agricultura Familiar e Economia Solidária é promovida pelo governo estadual, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes). O tema desta edição da feira foi ‘Mulher Rural’.

A bebida, também chamada de beberagem ou Kauin, na tradição Payaya, e de outras etnias indígenas, é ancestral, mas há quatro anos vem sendo produzida comercialmente, de forma artesanal, a maior parte por encomenda. Além da cerveja de cambuí são produzidas também, na Aldeia Payaya de Utinga, as cervejas de licuri, jambu, e com nibs de cacau.

O indígena Otto Payaya observou que os frutos utilizados na produção das cervejas são oferecidos pela mata: “O que nos é oferecido pela mata, nós transformamos em uma bebida mais delicada ao paladar do público em geral e para a gente a Feira da Agricultura Familiar é uma vitrine muito boa. A gente tem o sonho de ampliar a produção, e já até preparamos um pequeno galpão, porque a cerveja leva o nome da comunidade para fora da aldeia e traz recursos para as famílias”.

Para Otto, o próximo passo seria a construção de uma cozinha de transformação, não só para a fabricação da cerveja, mas para que possa fazer um adequado aproveitamento de mais de 25 variedades de frutos nativos da região, o que seria, além de oportunidade de trabalho, a possibilidade de divulgar a cultura Payaya”.

Outras ações

O povo Payaya de Utinga recebeu investimentos do Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR), que resultaram na implantação de um viveiro de mudas nativas, para a recomposição de áreas degradadas e matas ciliares, além de plantio de mudas medicinais. Otto Payaya conta que no ano de 2017 um grupo da comunidade se reuniu para fazer a recuperação da mata às margens da barragem do rio Utinga. A ação foi acompanhada pela dragagem e a limpeza da barragem, por parte do governo estadual, que também realizou uma obra para desviar a água, em casos de enxurradas.

“Temos uma grande preocupação com os rios da Chapada, principalmente o Utinga, porque nós nascemos ali, na nascente do rio, ao lado da barragem, e, de repente, a gente está vendo o rio passando por um processo de assoreamento e degradação. Não é só bombear, temos que ter zelo e carinho, por isso a gente tem feito nossa parte nesse processo”, ressaltou Otto Payaya.

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