Clubes de Ciências baianos levam projetos sobre cultura oceânica à Semana Nacional de C&T

17/10/2025

Iniciativas desenvolvidas por estudantes destacam o papel da educação científica na preservação ambiental e no uso consciente dos recursos naturais

Gabriel Pinheiro
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Gabriel Pinheiro

Os Clubes de Ciências estimulam o aprendizado baseado em pesquisa, metodologia e formação científica de estudantes. Nesses espaços, os jovens desenvolvem projetos que podem se transformar em soluções para desafios da sociedade atual. É o caso do Clube Orbitz, do Colégio Estadual da Bahia (Central), em Salvador, e do Clube de Ciências CELVF, do Colégio Estadual Luís Viana Filho, em Candeias. Ambos incentivam a criação de ideias voltadas para diferentes áreas do conhecimento, entre elas a cultura oceânica e a economia azul, temas que dialogam com a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que este ano traz o tema “Planeta Água: a cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”.

Na programação oficial da SNCT em Salvador, que acontece no dia 22 de outubro, no Farol da Barra, o público poderá participar de diversas atividades, entre elas o Espaço Clube de Ciências. O local reunirá estudantes e professores para apresentar o trabalho desenvolvido pelos clubes, discutir a importância da pesquisa na educação básica e estimular a criação de projetos sustentáveis. A ação dialoga diretamente com a Lei PopCiência Bahia, a primeira legislação do país voltada à promoção da popularização da ciência e ao fortalecimento da educação científica.

O Clube Orbitz, coordenado pelas professoras Valéria Danielly e Fernanda Brito, apresentará dois projetos que aliam sustentabilidade, economia circular e cultura oceânica. Um deles, “E-papel: uso da fibra de coco para fabricação de papel sustentável”, propõe o reaproveitamento do coco verde e de resíduos de papel para produzir um material reciclado voltado ao setor hoteleiro, reduzindo o desmatamento e o descarte inadequado desses resíduos. O outro, “Do mar à moradia: economia circular com resíduos marinhos para revestimento sustentável”, transforma conchas, lambretas e cascas de caranguejo em revestimentos de baixo custo para casas.

Para Fernanda Brito, iniciativas como essas mostram o potencial transformador da pesquisa na educação básica. “Nosso clube é interdisciplinar. Deixamos livre para que os estudantes proponham os temas, que envolvem ciências humanas, da natureza e exatas. Como sociedade, precisamos entender que a comunidade escolar não se resume aos estudantes nem à escola em si. O conhecimento não pode ficar restrito aos muros escolares, ele precisa alcançar a comunidade. Se esse saber não chega até ela, a educação perde o sentido. É essencial que o conhecimento científico transborde todas as barreiras, sejam físicas, mentais ou ideológicas, para realmente impactar a sociedade”, afirma.

Também com projetos voltados à cultura oceânica, o Clube de Ciências CELVF, de Candeias, coordenado pela professora Hevelynn Franco, apresentará duas iniciativas que unem sustentabilidade e inovação. O projeto “Wall-E Guardião da Praia” desenvolve um robô feito com materiais reciclados para limpar a Praia de Caboto e promover a conscientização sobre a preservação marinha. Já “Uso de resíduos de aipim como fonte de carbono na criação de camarões” propõe o aproveitamento de restos agrícolas como alternativa sustentável e de baixo custo na aquicultura, atividade que consiste na criação de organismos aquáticos, como peixes e camarões, em ambientes controlados.

O integrante do CELVF, Gabriel Silva, ressalta que participar da SNCT é uma oportunidade de aprendizado e troca de experiências com outros jovens pesquisadores. “É a nossa chance de mostrar os projetos que desenvolvemos e de ter contato com a ciência de gente grande. Eu tive a oportunidade de ver de perto o que pesquisadores e cientistas de universidades fazem, através da minha orientadora. Isso me deu muito mais conhecimento e me fez ver que as coisas que estamos desenvolvendo no clube são importantes de verdade. A SNCT é um espaço incrível de troca. Eu poderei conversar com outros estudantes de clubes de ciências de outros lugares, vendo como eles resolvem problemas, e também receberei feedback de professores e especialistas”.

Além de Salvador, a programação da SNCT 2025 se estenderá por diversos municípios, como Camaçari, Ituberá, Taperoá, Itaparica e Juazeiro, entre outros. A programação completa está disponível no link: http://bit.ly/3W1gudL.