Com o tema “Planeta Água”, o evento mostra como a conservação de rios, nascentes e solos é essencial para a saúde dos ecossistemas marinhos e o enfrentamento das mudanças climáticas
A Bahia possui a maior faixa litorânea do Brasil, com cerca de 1.183 quilômetros de extensão. No estado, o mar é parte essencial da economia e da vida das comunidades costeiras. Com o tema “Planeta Água: a cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”, a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) propõe ampliar o debate sobre a importância dos oceanos e suas conexões com outros ecossistemas. Na Bahia, onde rios cortam o território e há áreas suscetíveis à desertificação, o evento também destaca como o equilíbrio da água, em todas as suas formas, é essencial para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Temas como a desertificação e a conservação de rios e nascentes nem sempre são associados à cultura oceânica. No entanto, esses assuntos, que à primeira vista parecem distantes, estão diretamente relacionados. A pesquisadora Paloma Avena, oceanógrafa, mestra em Geologia Marinha e Costeira pela UFBA e coordenadora na SEMA, explica essa conexão. “A cultura oceânica vai além do litoral. Regiões sujeitas à desertificação e ao desmatamento impactam indiretamente o oceano por meio da erosão, do assoreamento e da redução da qualidade da água que chega à costa. A proteção dos recursos hídricos, do solo e da vegetação nas áreas interiores é fundamental para a saúde dos ecossistemas costeiros e marinhos, e para o bem-estar humano”.
A saúde dos oceanos depende diretamente da conservação dos ambientes terrestres. No caso do estado baiano, onde o semiárido ocupa grande parte do território, essa relação se torna ainda mais evidente. “O desmatamento e a desertificação reduzem a capacidade do solo de reter água, aumentando a erosão e o transporte de sedimentos para o litoral. Isso provoca o assoreamento de rios e estuários, afetando habitats marinhos e espécies pesqueiras. Além disso, a perda de vegetação intensifica a emissão de CO₂, contribuindo para o aquecimento global e alterando padrões oceânicos e climáticos, como correntes, regimes de chuva e intensidade de eventos extremos, resultando em invernos mais frios, secas prolongadas e verões mais quentes”, afirma Paloma.
O secretário da Secti, Marcius Gomes, destaca que a SNCT na Bahia reforça a CT&I e o papel dos Territórios de Identidade como espaços estratégicos para a construção de uma cultura científica conectada às realidades locais. “A cultura oceânica vai além do ambiente marinho. Ela abrange a conservação dos rios, o combate à desertificação e o uso sustentável dos recursos naturais, reconhecendo que todos os ecossistemas estão interligados. Trazer essa discussão para a Bahia é uma forma de destacar o papel dos Territórios de Identidade nesse processo e reforçar como o conhecimento científico pode promover equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável”.
Para o diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da SEMA, Tiago Porto, iniciativas como a SNCT têm papel fundamental no fortalecimento da cultura oceânica. “A cultura oceânica integra tanto o conhecimento científico quanto os saberes tradicionais. Eventos como a SNCT estimulam a integração entre sociedade, ciência e poder público, promovendo ações conscientes e sustentáveis em relação ao oceano. Esses espaços de diálogo entre academia, gestores e comunidades fortalecem a educação ambiental e incentivam práticas de conservação dos ecossistemas marinhos e dos recursos naturais. Já as políticas públicas oferecem o suporte legal e institucional necessário para garantir que essas ações sejam contínuas, integradas e efetivas”, destaca.
A SNCT na Bahia é coordenada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e conta com programação em diversos Territórios de Identidades. Entre os parceiros da pasta no evento estão: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Comando do 2° Distrito Naval – Marinha do Brasil, Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), Secretaria de Educação (SEC), Secretaria de Turismo (SETUR), Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), Secretaria de Comunicação Social (SECOM), Universidades Estadual de Feira de Santana (UEFS), Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) e Federal da Bahia (UFBA), do Estado da Bahia (Uneb) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).