Jovem musicista do Neojiba conta sua paixão pela música

19/06/2019
Desde pequena, a jovem Lívia Santos Silva, 18 anos, já era apaixonada por música. Quando era criança, ela assistia, admirada, a um de seus tios tocar violão. A mãe, a artesã, Eliene Nascimento Santos, 56 anos, também a incentivava a cantar nos corais perto de casa, no Bairro da Paz, em Salvador, onde moram até hoje. “Não conhecia muita coisa, mas tudo o que tinha música, eu queria estar envolvida”, contou Lívia.

Enquanto ia crescendo, a paixão da jovem não diminuiu, muito menos o sonho de aprender a tocar algum instrumento musical. Foi aí que, quando tinha 11 ou 12 anos, ela soube que o Núcleo Bairro da Paz do Neojiba, programa da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) da Bahia, estava com vagas abertas, e ela poderia, enfim, realizar um grande sonho: aprender a fazer música, especialmente através do violão. “Pedi para minha mãe me inscrever, porque eu era menor de idade. Não conhecia nada e fui pensando que tinha violão ou algum instrumento popular. Mas não! O professor explicou que ali era uma banda sinfônica”, relembrou.

Apesar da surpresa, Lívia resolveu encarar o desafio e dar uma chance aos instrumentos de música clássica. Em pouco tempo, a jovem musicista queria tocar todos aqueles instrumentos diferentes, mas só podia escolher um. Foi então que decidiu se aventurar nas melodias do oboé, um instrumento de sopro de palheta dupla da família das madeiras, mas foi por pouco tempo. Logo, trocou para o fagote, também da família dos sopros, ambos tocados por uma palheta dupla. “As pessoas chamam ele de ‘bambu’ por causa do formato comprido e vermelho”, acrescentou a jovem.

No começo, as aulas do Núcleo Bairro da Paz aconteciam as segundas, quartas e sextas-feiras, mas passaram a ser de segunda a sexta, das 14h às 17h - além do estudo individual em casa. Apesar da rotina puxada, Lívia queria mais: em 2017, fez uma prova para ser uma “Jovem Líder”, título dos monitores dos núcleos do Neojiba, e passou. Mas foi em 2018 que ela deu um passo ainda mais importante para sua história com a música: entrou na Orquestra Castro Alves (OCA) por meio das vagas remanescentes.

Quantos aos ensaios, ela continuava a praticar no Núcleo, dividindo o tempo com a orquestra as quartas-feiras, na unidade da Federação, e aos sábados, no TCA. Com a finalização das obras do Parque do Queimado, nova sede do Neojiba, localizada no bairro da Liberdade, que tem previsão de ser inaugurada em julho, todos os ensaios acontecem em um só lugar. “Agora tudo é na sede. A gente achou maravilhoso, e as salas são ótimas, bem melhores do que antes”, pontuou a jovem.

Todo o esforço e dedicação, desde a primeira aula no Núcleo Bairro da Paz, deram resultados: na seleção deste ano para titular da OCA, Lívia foi selecionada e, agora, ela é uma dos dois fagotistas da orquestra e faz parte dos setenta musicistas que compõem o grupo. “Fiquei extremamente feliz! Passei minhas férias estudando de manhã e de tarde, desde que saiu a audição. Me chamavam para sair, mas eu preferia ficar estudando. Meu trabalho valeu a pena”, falou, entusiasmada, relembrando que ia para o Núcleo bem cedo, voltava para casa para almoçar e retornava à unidade em seguida, onde ficava até o fim da tarde. Aos fins de semana, estudava no Centro de Educação Infantil (CEI) Cristo Redentor no Bairro do Paz, unidade da Santa Casa da Bahia, instituição parceira do Neojiba.

Mesmo com a rotina pesada de estudos e ensaios, a jovem fagotista não se imagina em outro lugar se não no Neojiba, lado a lado com seu instrumento. Segundo ela, “a vida seria bem diferente”. “Eu não sei, ao certo, o que é. Só sei que uma parte de mim está aqui. Não me imagino sem estar vindo para cá, de segundo a sexta, sem fazer nada de tarde depois da escola. É algo meu, um pertencimento meu, estar participando [do programa] e seguindo meu sonho”, concluiu.

Fanfarra

Além dos ensaios da OCA e do Núcleo, Lívia ainda encontra tempo para participar da Fanfarra Musical da Bahia (Famba), do Colégio Estadual Manoel Novaes, no Canela, também na capital, onde ela estuda.

Em 2018, a Famba foi contemplada pela SJDHDS com a entrega do kit de 15 instrumentos de sopro (trompa, trompete e trombone), iniciativa do Governo do Estado para requalificar as fanfarras escolares. Ano passado, o grupo foi campeão invicto nas competições em municípios como Gandu, Mata de São João e Simões Filho, e coleciona uma série de vitórias no histórico.

“Antes, era bem difícil, porque muitos instrumentos estavam com defeito, aí não era todo mundo que podiam tocar. Depois da entrega, melhorou bastante mesmo”, reforçou a jovem, que se apresenta pela fanfarra desde 2017, assumindo a linha de frente – posição em que os integrantes seguram a placa com o símbolo da banda.