23/12/2021
Criado com o intuito de atender e acompanhar vítimas de violência sexual e seus familiares, independente do gênero e da idade, o VIVER – Serviço de Atenção a Pessoas em Situação de Violência Sexual comemora neste mês de dezembro, 20 anos de fundação.
Gerido pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), o equipamento atende, prioritariamente, crianças e adolescentes, de Salvador e Região Metropolitana, e está localizado no Instituto Médico Legal – IML, localizado na capital baiana.
Dentre os atendidos, aproximadamente 75% dos casos são crianças e adolescentes. Deste universo, aproximadamente 85% são do gênero feminino, de cor parda ou negra, de classe social B, C e D. O grau de parentesco do agressor são sempre os mesmos, aproximadamente 85% se configura como genitor, padrasto, tio, conhecido.
“As vítimas que passam pelo Viver reduzem não só o processo da depressão, da ansiedade, mas o trauma e a dor. Então, o serviço faz uma grande diferença na vida das vítimas de violência sexual, quanto também dos seus familiares”, ressalta o secretário da SJDHDS, Carlos Martins.
Composto por uma equipe multiprofissional de assistente social, psicólogas, médicas e o corpo administrativo, o Serviço Viver realiza um atendimento amplo. O atendimento tem início com a chegada da vítima ao IML para a realização da perícia. Após o momento, ela é encaminhada para o acolhimento, atendimento, acompanhamento social, psicológico, psicossocial e médico ambulatorial e os encaminhamentos para a rede de apoio.
Esta rede se consolida na parceria construída com diversas Instituições, entre elas, as: UPAS, Hospitais, Delegacias especializadas, Conselhos Tutelares, Defensorias Públicas, Ministério Público, Instituições Governamentais e não Governamentais.
Segundo a coordenadora do Viver, Divonete Santana, o serviço não possui caráter investigativo. “Embora exista o protocolo de atendimento, considera-se a individualidade de cada pessoa, então cada caso é trabalhado como único”, explicou. Ressaltando que a demandas chegam de forma espontânea e “são enviadas para a equipe técnica, que encaminha internamente ao serviço social, ou outro profissional técnico. Este fará o seu acolhimento e os encaminhamentos internos necessários para além da rede”.
O primeiro atendimento do Serviço Viver ocorreu em dezembro de 2001. A vítima era uma mulher de 32 anos, moradora do Bairro das Sete Portas. O suposto agressor era um vizinho, que cometeu o crime junto a um desconhecido, e o crime foi tipificado como estupro.
“Celebrar os 20 anos do Viver tem uma simbologia muito importante. São duas décadas de acolhimento e trabalho que impactam diretamente na vida da pessoa, na superação de traumas, na reconstrução da vida. Esse é um serviço de grande relevância para a Bahia”, frisa Divonete.