14/03/2017
“Felizmente, a empresa nos ressarciu e não ficamos no prejuízo. É importante que as barreiras da comunicação sejam quebradas e a Cilba foi fundamental na resolução do meu problema!” Assim, o professor de Matemática, Lucas Jambeiro, 23 anos, comemorava o resultado positivo do seu caso, que contou com a intermediação da Central de Intérpretes de Libras do Estado da Bahia – Cilba, órgão vinculado à Secretaria e Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social -SJDHDS. Surdo de nascimento, ele foi indenizado por uma empresa de transporte intermunicipal, depois de passar por constrangimentos, ao tentar viajar, utilizando o Passe Livre, para uma cidade do interior, onde passaria as festas de fim de ano.
Como o professor de Matemática, cerca de mil surdos, surdos-cegos, pessoas com deficiência auditiva e oralizados, que dominam a Língua Brasileira de Sinais – Libras utilizaram os serviços da Cilba no último ano. O serviço é realizado no espaço da Superintendência dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Sudef, no Instituto Anísio Teixeira (IAT), no bairro de São Marcos, com três intérpretes à disposição para atendimento presencial ou online.
Caso - Lucas conta ter programado suas férias de fim de ano com umas amigas, que também são surdas, reservando as passagens via internet com um mês de antecedência. Para garantir as reservas utilizando o Passe Livre, foi até o guichê da empresa de transporte, na Rodoviária, e a atendente lhe entregou um papel comum, onde estavam anotados o dia, a hora e o número da poltrona. “Imaginei que estivesse cadastrado no sistema e que poderia viajar. No dia da viagem, aguardando na poltrona, o motorista me chamou a descer do ônibus, dizendo que meu nome não constava na lista. Voltei ao guichê, reclamei com a atendente e não conseguimos nos entender. Acabei comprando as passagens, para não perder o ônibus e a festa de Ano Novo. Foi constrangedor!”, conta.
Na volta da viagem, foi a vez de tentar o ressarcimento das passagens contando com a intermediação das intérpretes da Cilba. Passaram pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia - Agerba, pela empresa de transporte e, posteriormente, entraram em contato com a Ouvidoria. “Há serviços que são feitos via telefone. Eu sou surdo. Como posso falar por telefone? Não só eu, são muitos os que têm os mesmos problemas, os mesmos entraves!”. Por conta dessa dificuldade, a comunicação com a Ouvidoria do Estado teve que ser presencial e, dias depois, o valor da passagem foi ressarcido.
Curso
Para auxiliar no atendimento dos surdos na Cilba, além dos três intérpretes de Libras contratados, a Sudef está capacitando 34 dos seus funcionários. Ministrado pela coordenadora da Central, a psicóloga Laisa Rebouças, o curso, de 20 horas, é baseado no ensino elementar de libras, com o objetivo de munir, especialmente, os servidores do Passe Livre. “A ideia é que, ao chegar uma pessoa com deficiência surda e os intérpretes estiverem ocupados em um atendimento externo, eles possam ter condição de recepcioná-los, sinalizando um “oi”, um “bom dia”, perguntando se precisa de ajuda e se pode aguardar o intérprete. Isso vai valer muito a pena, porque esse público vai se sentir valorizado e o atendimento será mais dinâmico e eficaz”, informa Laisa.
Segundo o superintendente da Sudef, Alexandre Baroni, o curso fornece subsídios para um diálogo básico com uma pessoa surda. “É importante que esse conhecimento seja difundido, para que o primeiro contato, o primeiro atendimento ao surdo, seja satisfatório”, coloca Baroni, aventando a possibilidade de expansão da ação para servidores da SJDHDS e de outros órgãos do estado.