Petrobras vê campos separados no pré-sal

02/09/2008
A Petrobrás já tem indícios de que a camada do pré-sal não deve ser um único `mar` de petróleo. O diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella, disse ontem que os dados disponíveis indicam que a área total do pré-sal - que se estende do Espírito Santo a Santa Catarina - deve conter acumulações dispersas de petróleo.

`A interpretação geológica varia, mas a primeira informação que temos é de que são campos separados. O mais provável é que o pré-sal não seja um grande mar único de petróleo de 800 quilômetros de extensão por 200 de largura`, disse Estrella.

Com relação à possibilidade de alguns dos nove blocos já licitados no pré-sal `vazarem` para áreas vizinhas ainda não leiloadas - o que obrigaria a Agência Nacional do Petróleo (ANP) a promover a chamada unitização -, o executivo disse que o governo tem até dezembro de 2010 para decidir.

`Somente quando terminarmos a fase de avaliações de Tupi é que precisaremos de fato da unitização. Mas, provavelmente, até lá isso já estará resolvido`, declarou, dizendo que se houver informações suficientes, essa unitização poderá ocorrer até mesmo antes do Teste de Longa Duração (TLD) naquele bloco, que começa em março de 2009.

Estrella deu entrevista coletiva ontem para falar da cerimônia, prevista para hoje, no Espírito Santo, que marcará o início da produção permanente no pré-sal, no campo de Jubarte. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará na plataforma P-34, na costa capixaba, para anunciar o início da extração.

Apesar de ser uma operação pequena (pouco mais de 10 mil barris por dia), Estrella disse que esse início de atividade é importante para a empresa, pois `é uma espécie de ‘poço-escola``. Segundo ele, o trabalho em Jubarte ajudará a Petrobrás a estudar como se comportam os reservatórios de petróleo sob a camada de sal. SUPERESTIMADOS

O gerente da área de pré-sal da Petrobrás, José Formigli, julgou superestimadas as projeções que circularam no mercado de que chegariam a US$ 600 bilhões os investimentos necessários ao desenvolvimento do pólo de Tupi, que abrange também Carioca, Caramba, Guará, Parati e Bem-te-vi. `A Petrobrás não comenta custos. Mas, na minha opinião, essas estimativas estão fora da realidade.`

Segundo ele, os planos para o TLD de Tupi e para o projeto-piloto da mesma área foram aprovados nos atuais parâmetros econômicos da Petrobrás e seus sócios na concessão do bloco - a portuguesa Galp e a britânica BG. Ele diz que é confidencial o valor considerado pela empresa para a viabilidade econômica de uma área. `Mas não existem barreiras tecnológicas que impeçam produzir naquela área. Existem desafios.`

O diretor Guilherme Estrella assegurou que, com a tecnologia disponível hoje, a Petrobrás consegue produzir no pré-sal. `Nós estamos investindo em novos procedimentos, mas para reduzir custos.` Segundo ele, a atual cotação do petróleo (perto dos US$ 110 por barril) viabiliza, `de longe`, a produção na camada do pré-sal.

Repórteres: Leonardo Goy e Kelly Lima

Fonte: O Estado de S. Paulo

2/9/2008.