Bolsa cai 4,5% com Petrobras; dólar valoriza 2%, a R$ 2,327

19/11/2008
Após atravessar todo o pregão no vermelho, a Bolsa de Valores de São Paulo encerrou próxima de sua mínima no dia, com desvalorização de 4,54%. As quedas sofridas por papéis de companhias de grande peso na Bolsa, como a Petrobras e os bancos, não permitiu que o resultado do Ibovespa fosse diferente, mesmo com a recuperação dos mercados nos EUA.

Em um cenário de depreciação das commodities no exterior, o dólar voltou a ganhar valor diante do real. A moeda americana terminou o pregão negociada a R$ 2,327, com elevação de 2,20%.

Concentrando cerca de 24% de toda a movimentação do pregão de ontem, as ações da Petrobras encerraram o dia com quedas expressivas, de 7,02% (ordinárias) e 5,86% (preferenciais).

`Uma coisa é discutir o pré-sal com o petróleo em torno de US$ 130. Outra é pensar nessa exploração com o produto cotado ao redor de US$ 50`, afirma Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.

O barril de petróleo foi negociado ontem em Nova York em torno de US$ 54, muito distante do pico de US$ 147 que atingiu no mês de julho. Ou seja, cada barril que a Petrobras viesse a extrair teria um valor de mercado muito menor que o estimado há poucos meses. Ontem o gerente-geral de novos negócios da empresa, José Jorge de Moraes Junior, admitiu que a Petrobras vai adiar projetos de exploração e produção. A Bovespa desceu ontem aos 34.094 pontos, o que a faz acumular depreciação de 8,49% no mês. No ano, a queda da Bolsa é de 46,63%.

O setor bancário também teve um pregão bastante negativo. Os papéis dos grandes bancos acompanharam seus pares estrangeiros e caíram com força: Unibanco UNT perdeu 7,71%; Itaú PN caiu 7,64%; e Bradesco PN se desvalorizou 7,36%. O papel ON do Banco do Brasil recuou 4,96%.

`Os bancos caíram de um modo generalizado. Temos visto um crescimento da aversão ao risco, que voltou a prejudicar de forma mais intensa os emergentes`, diz Bandeira. No exterior, grandes instituições financeiras tiveram um pregão bem ruim. Em Londres, as ações do Lloyds TSB desabaram 12%; em Nova York, o Citigroup viu seus papéis se depreciarem 6%; e em Frankfurt, o Deutsche Bank perdeu 5,5%.

Em Wall Street, os pregões se recuperaram no fim do dia. O índice Dow Jones, que chegou a cair 2%, terminou com alta de 1,83%. A divulgação do PPI (índice de preços ao produtor americano), que reportou recuo de 2,8% em outubro, não agradou o mercado. Se por um lado o indicador de preços afastou o temor de novas pressões inflacionárias nesse momento, por outro aprofundou a sensação de que o processo recessivo está mais vivo que nunca.

Dólar forte

A forte intervenção do Banco Central ontem no mercado de câmbio não conseguiu evitar que o dólar encerrasse o dia próxima de sua cotação máxima (R$ 2,333). Com apreciação de 7,73% no mês, o dólar está cada vez mais distante de seu piso de 2008 -no começo de agosto, rondava os R$ 1,56. No ano, a alta é de 30,95%. A autoridade monetária vendeu ontem US$ 1,15 bilhão em linhas destinadas à exportação. Além disso, leiloou US$ 354 milhões em contratos de `swap cambial`. Esses títulos rendem aos bancos que os compram a variação do câmbio em determinado período.

Mesmo com as atuações intensas e constantes do BC, o dólar tem se fortalecido. Além do atual cenário internacional, ainda muito incerto e imprevisível, que tem favorecido a saída de capital do país, o fator especulativo tem tido relevante peso na depreciação do real.

No mercado futuro, as apostas dos estrangeiros na manutenção do dólar forte não param de subir, tendo alcançado seus picos nesses dias. Essas apostas são medidas pelas `posições compradas` em dólar que, quanto mais altas estiverem, demonstram que os investidores estão mais confiantes na apreciação da moeda americana. As `posições compradas` líquidas dos estrangeiros na BM&F superaram pela primeira vez os US$ 13 bilhões.

Autor(es): FABRICIO VIEIRA

Fonte: Folha de S. Paulo

- 19/11/2008