26/04/2012
A evolução da energia eólica na matriz elétrica nacional tem sido exponencial. Estima-se que o segmento já represente 0,9% da geração de energia, percentual que deverá crescer ainda mais nos próximos anos diante da perspectiva de contratação de dois mil megawatts (MW) anuais, o que também deverá consolidar o mercado brasileiro, hoje o décimo-primeiro do mundo, como um dos dez maiores do planeta.
Entre 2005 e 2011, dos 64 mil MW contratados nos leilões de energia, 10% desse total, ou 6750 MW, se referem a projetos eólicos. `A produção do Brasil equivale a 9% da demanda mundial de aerogeradores. Há três anos tínhamos dois fabricantes no Brasil, hoje, temos oito e devemos ter mais um em 2013. O Brasil deverá passar da décima-primeira posição para quarta ou quinta de aumento de capacidade anual do segmento`, afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Outros fabricantes, inclusive empresas chinesas, analisam construir uma fábrica no Brasil nos próximos anos, segundo ele. A capacidade produtiva da indústria instalada no Brasil deverá ser superior à demanda do País, permitindo que parte da produção seja destinada à exportação. O potencial ainda é muito grande. No início da década foi feito um estudo que apontou que o Brasil poderia chegar a uma potência estalada de 143 GW no segmento, dez vezes mais do que a capacidade da usina de Itaipu, uma das maiores do mundo. Mas a medição tinha sido feita com aerogeradores com altura inferior a 50 metros. Hoje usam-se equipamentos com altura superior a 100 metros. Quanto maior altura, maior a velocidade dos ventos. `O potencial deve ser maior que os 143 GW, mas não sei quantas vezes. Algo que era sustentado apenas por subsídio se tornou bastante competitivo.`
Em 2005 o Brasil detinha dez usinas eólicas de 28 MW. Nesse ano estão em operação cerca de 1500 MW, sendo que 1200 MW estão em construção e outros 6000 MW em contratos, devendo entrar em operação até 2016. `Esse número deve aumentar ainda mais, porque temos mais um leilão no fim do ano`, ressalta Tolmasquim. O Brasil precisa acrescentar 6.000 MW de potência por ano para assegurar o crescimento da demanda. Nessa década o planejamento do governo prioriza fontes renováveis que devem crescer 12% ao ano até 2020. `A energia eólica é uma fonte limpa, o que chama a atenção de muitas empresas. Temos ainda muito o que expandir, nosso desafio é manter a contratação anual de 2000 MW`, diz Elbia Mello, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
Em 2005, o MWh eólico custou R$ 306, em 2011 o MWh chegou a R$ 102, quase o mesmo preço da fonte hídrica. Hoje muitas empresas estão investindo no Brasil e nacionalizando peças e equipamentos, o que contribui para a redução de custos. Há um outro motivo: países da Europa têm freado o ritmo de expansão e cortado subsídios. Resultado: há ociosidade no parque mundial de fabricantes, o que contribui também para redução de preços. `O Brasil ganha espaço enquanto na Europa perde dinamismo`, afirma Collin Johnson, chefe da área de energia Grant Thornton International.
Autor(es): Por Roberto Rockmann | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 26/04/2012.
Entre 2005 e 2011, dos 64 mil MW contratados nos leilões de energia, 10% desse total, ou 6750 MW, se referem a projetos eólicos. `A produção do Brasil equivale a 9% da demanda mundial de aerogeradores. Há três anos tínhamos dois fabricantes no Brasil, hoje, temos oito e devemos ter mais um em 2013. O Brasil deverá passar da décima-primeira posição para quarta ou quinta de aumento de capacidade anual do segmento`, afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Outros fabricantes, inclusive empresas chinesas, analisam construir uma fábrica no Brasil nos próximos anos, segundo ele. A capacidade produtiva da indústria instalada no Brasil deverá ser superior à demanda do País, permitindo que parte da produção seja destinada à exportação. O potencial ainda é muito grande. No início da década foi feito um estudo que apontou que o Brasil poderia chegar a uma potência estalada de 143 GW no segmento, dez vezes mais do que a capacidade da usina de Itaipu, uma das maiores do mundo. Mas a medição tinha sido feita com aerogeradores com altura inferior a 50 metros. Hoje usam-se equipamentos com altura superior a 100 metros. Quanto maior altura, maior a velocidade dos ventos. `O potencial deve ser maior que os 143 GW, mas não sei quantas vezes. Algo que era sustentado apenas por subsídio se tornou bastante competitivo.`
Em 2005 o Brasil detinha dez usinas eólicas de 28 MW. Nesse ano estão em operação cerca de 1500 MW, sendo que 1200 MW estão em construção e outros 6000 MW em contratos, devendo entrar em operação até 2016. `Esse número deve aumentar ainda mais, porque temos mais um leilão no fim do ano`, ressalta Tolmasquim. O Brasil precisa acrescentar 6.000 MW de potência por ano para assegurar o crescimento da demanda. Nessa década o planejamento do governo prioriza fontes renováveis que devem crescer 12% ao ano até 2020. `A energia eólica é uma fonte limpa, o que chama a atenção de muitas empresas. Temos ainda muito o que expandir, nosso desafio é manter a contratação anual de 2000 MW`, diz Elbia Mello, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
Em 2005, o MWh eólico custou R$ 306, em 2011 o MWh chegou a R$ 102, quase o mesmo preço da fonte hídrica. Hoje muitas empresas estão investindo no Brasil e nacionalizando peças e equipamentos, o que contribui para a redução de custos. Há um outro motivo: países da Europa têm freado o ritmo de expansão e cortado subsídios. Resultado: há ociosidade no parque mundial de fabricantes, o que contribui também para redução de preços. `O Brasil ganha espaço enquanto na Europa perde dinamismo`, afirma Collin Johnson, chefe da área de energia Grant Thornton International.
Autor(es): Por Roberto Rockmann | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 26/04/2012.