Sinal verde para retomada da construção de Angra 3

26/06/2007
Segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Rubner, serão adotadas várias ações complementares para estabelecer um marco legal para começar as obras, paralisadas desde 1984. A previsão do ministro é que a usina entre em operação em 2013. Rubner informou que a decisão do CNPE não inclui as demais usinas nucleares que estão nos planos da Eletronuclear. `A decisão do Conselho é somente sobre Angra 3`, disse Rubner.

A Eletronuclear anunciou, na semana passada, que vai começar este ano a analisar a instalação de pelo menos mais quatro centrais nucleares, que deverão ser instaladas no Nordeste e Sudeste. Rubner diz que as obras de Angra 3 não têm prazo para começar. Antes disso, devem ser definidos alguns temas específicos. `Faltam documentos para regularizar vários temas, como tarifas, empresa que fará a obra, entre outros`, diz o ministro.

No estudo que o ministério realizou no ano passado, a tarifa era de R$ 140 o MWh. Segundo Rubner, o preço poderá ficar abaixo deste valor por causa da conjuntura econômica do País. Ele afirma que a construtora que fará a obra será definida nesse estudo. `Pode ser contrato antigo ou uma nova licitação`, afirma. Algumas ações para a construção da usina, no entanto, já estão adiantadas, como a licitação ambiental e a consulta pública. No último final de semana, foram realizadas audiências públicas em Angra dos Reis, Rio Claro e Parati e anteriormente já foram realizados estudos de impacto ambiental. O ministro lembrou que o sítio onde estão localizadas as usinas já foi licenciado anteriormente para Angra 1 e Angra 2, o que também facilita, na sua visão, o atual processo de liberação ambiental.

Com a retomada de Angra 3, o Brasil vai desenvolver o ciclo completo da energia nuclear, que envolve o beneficiamento de urânio enriquecido em toda a cadeia. Hoje parte do enriquecimento é feito na Europa. `Com o maior volume que Angra 3 demandará, o País fará todo o beneficiamento de urânio aqui`.

Até hoje, 30% dos equipamentos para a obra de Angra 3 já foram adquiridos pelo País e o governo gasta US$ 20 milhões por ano para manter as máquinas em condições de uso, além de pagar seguro, inspeções e outros custos operacionais. Os equipamentos foram comprados em 1999 por uma quantia que hoje equivale a US$ 750 milhões.

As usinas de Angra 1 e Angra 2 têm hoje capacidade instalada para produzir 2.007 MW e respondem por 1,9% da matriz energética brasileira. Quando Angra 3 estiver operando, a previsão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é de que as três usinas nucleares respondam por 2% da matriz energética nacional, já que prevê outras fontes de energia entrando no sistema elétrico, como as hidrelétricas, térmicas e alternativas.

Fonte: Gazeta Mercantil

Rivadavia Severo

26/6/2007.