26/03/2008
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em ação e decidiu, por ora, brecar as conversas entre o PT e o PSDB para a formação de uma aliança na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Social, Márcio Lacerda, filiado ao PSB em setembro, foi escolhido pelo governador mineiro, Aécio Neves, e pelo prefeito de BH, Fernando Pimentel, para a cabeça de chapa. O deputado estadual Roberto Carvalho (PT) seria o vice. No entanto, a exclusão dos aliados e de lideranças do PT em Minas Gerais provocou reação dos mineiros da cúpula do governo federal.
Descontente com a forma de construção da aliança, o vice-presidente da República, José Alencar (PRB), reuniu-se na manhã de ontem com Lula para tratar do assunto. Alencar estava acompanhado dos ministros do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias (PT), do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci (PT), e do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB). Todos mineiros e contrários ao entendimento com o PSDB.
Durante o encontro, Alencar teria reclamado formalmente da maneira como o processo foi conduzido e de ter sido alijado dos entendimentos. Mesma reclamação que vem sendo feita por Patrus, Dulci e Costa. A primeira conversa de Alencar com Lula sobre o tema aconteceu no domingo de Páscoa, durante a missa de Ação de Graças celebrada no Palácio do Jaburu (residência oficial do vice-presidente), em agradecimento pela recuperação do vice-presidente. Nesse dia, ele teria dito ao presidente que ficou magoado por ter sido excluído das discussões em torno do acordo na capital mineira.
No encontro de ontem, que durou aproximadamente uma hora, o presidente mais escutou do que falou. No entanto, deixou claro que não pretende abrir mão de fazer seu sucessor e que as alianças com partidos de oposição podem ocorrer, desde que não haja repercussão nacional. Lembrou que há pelo menos seis nomes da base interessados em disputar a prefeitura de BH e pediu que seja tomada uma decisão que `não deixe seqüelas`. De acordo um dos participantes da reunião, Lula demonstrou muita preocupação com os rumos do debate.
Quem se opõe à aliança do PSDB com o PT teme a ascensão de Aécio, principal articulador do acordo, e um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência em 2010. Para os tucanos aliados do governador, a avaliação é que Lula não está preocupado com Aécio. Segundo eles, são os ministros e o vice presidente mineiro que temem o crescimento político do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Ontem, Lula negou aos aliados mineiros que teria avalizado a movimentação de Pimentel para conduzir a aliança com os tucanos.
Semana passada, o vice-presidente, em reunião com Hélio Costa, já tinha manifestado seu desagrado e ironizado o acordo. Ele afirmou que a explicação para não ter sido consultado sobre a possível aliança era o fato de o PRB ser um `partido pequeno`. Até 6 de abril, data em que o PT da capital delibera sobre as alianças eleitorais, devem ocorrer outras reuniões com o presidente para tratar do assunto. Na segunda-feira, a direção nacional da legenda vai reunir dirigentes e lideranças do PT de Minas Gerais, entre eles os ministros Dulci e Patrus, para discutir o assunto.
análise da notícia Preocupação com a unidade
Ao brecar ontem o acordo selado entre o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu mais uma demonstração de que atuará para manter a harmonia entre os partidos governistas nas eleições municipais deste ano. Lula não quer saber de cizânia na coalizão, em especial em cidades com peso político.
Há duas semanas, o presidente mandou o PT de São Paulo negociar com o PMDB uma chapa conjunta à prefeitura da capital paulista, encabeçada pela atual ministra do Turismo, Marta Suplicy. E, por isso, pede agora a Pimentel que não feche um pacto com os tucanos sem levar em consideração os planos políticos dos parceiros PRB, do vice-presidente José Alencar, e PMDB, do ministro das Comunicações, Hélio Costa.
Tanto empenho pela união da base tem uma explicação, que há muito tempo deixou de ser segredo contado apenas nos bastidores. Mais que garantir a governabilidade nos últimos dois anos de seu segundo mandato, o presidente quer pavimentar o caminho de seu principal projeto político: fazer o sucessor em 2010. De preferência alguém do PT. Por isso, Lula insiste em se prevenir contra possíveis seqüelas que eventuais alianças podem deixar em sua base de sustentação.
Repórter: Alessandra Mello
Fonte: Correio Braziliense
26/3/2008
Descontente com a forma de construção da aliança, o vice-presidente da República, José Alencar (PRB), reuniu-se na manhã de ontem com Lula para tratar do assunto. Alencar estava acompanhado dos ministros do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias (PT), do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci (PT), e do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB). Todos mineiros e contrários ao entendimento com o PSDB.
Durante o encontro, Alencar teria reclamado formalmente da maneira como o processo foi conduzido e de ter sido alijado dos entendimentos. Mesma reclamação que vem sendo feita por Patrus, Dulci e Costa. A primeira conversa de Alencar com Lula sobre o tema aconteceu no domingo de Páscoa, durante a missa de Ação de Graças celebrada no Palácio do Jaburu (residência oficial do vice-presidente), em agradecimento pela recuperação do vice-presidente. Nesse dia, ele teria dito ao presidente que ficou magoado por ter sido excluído das discussões em torno do acordo na capital mineira.
No encontro de ontem, que durou aproximadamente uma hora, o presidente mais escutou do que falou. No entanto, deixou claro que não pretende abrir mão de fazer seu sucessor e que as alianças com partidos de oposição podem ocorrer, desde que não haja repercussão nacional. Lembrou que há pelo menos seis nomes da base interessados em disputar a prefeitura de BH e pediu que seja tomada uma decisão que `não deixe seqüelas`. De acordo um dos participantes da reunião, Lula demonstrou muita preocupação com os rumos do debate.
Quem se opõe à aliança do PSDB com o PT teme a ascensão de Aécio, principal articulador do acordo, e um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência em 2010. Para os tucanos aliados do governador, a avaliação é que Lula não está preocupado com Aécio. Segundo eles, são os ministros e o vice presidente mineiro que temem o crescimento político do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Ontem, Lula negou aos aliados mineiros que teria avalizado a movimentação de Pimentel para conduzir a aliança com os tucanos.
Semana passada, o vice-presidente, em reunião com Hélio Costa, já tinha manifestado seu desagrado e ironizado o acordo. Ele afirmou que a explicação para não ter sido consultado sobre a possível aliança era o fato de o PRB ser um `partido pequeno`. Até 6 de abril, data em que o PT da capital delibera sobre as alianças eleitorais, devem ocorrer outras reuniões com o presidente para tratar do assunto. Na segunda-feira, a direção nacional da legenda vai reunir dirigentes e lideranças do PT de Minas Gerais, entre eles os ministros Dulci e Patrus, para discutir o assunto.
análise da notícia Preocupação com a unidade
Ao brecar ontem o acordo selado entre o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu mais uma demonstração de que atuará para manter a harmonia entre os partidos governistas nas eleições municipais deste ano. Lula não quer saber de cizânia na coalizão, em especial em cidades com peso político.
Há duas semanas, o presidente mandou o PT de São Paulo negociar com o PMDB uma chapa conjunta à prefeitura da capital paulista, encabeçada pela atual ministra do Turismo, Marta Suplicy. E, por isso, pede agora a Pimentel que não feche um pacto com os tucanos sem levar em consideração os planos políticos dos parceiros PRB, do vice-presidente José Alencar, e PMDB, do ministro das Comunicações, Hélio Costa.
Tanto empenho pela união da base tem uma explicação, que há muito tempo deixou de ser segredo contado apenas nos bastidores. Mais que garantir a governabilidade nos últimos dois anos de seu segundo mandato, o presidente quer pavimentar o caminho de seu principal projeto político: fazer o sucessor em 2010. De preferência alguém do PT. Por isso, Lula insiste em se prevenir contra possíveis seqüelas que eventuais alianças podem deixar em sua base de sustentação.
Repórter: Alessandra Mello
Fonte: Correio Braziliense
26/3/2008