Frota de ônibus do transporte intermunicipal será renovada

14/03/2007
Muitos dos ônibus que fazem o transporte intermunicipal estão velhos e sucateados, liberam pelo escapamento uma intensa fumaça preta e não passam por uma manutenção sistemática. A denúncia é dos rodoviários que atribuem o problema à idade da frota - uma média de oito anos de uso. `Se eu fosse passageiro, não pegava. Dirigi um que ia dançando na estrada`, disparou um motorista, que não quis ser identificado. Entre as empresas apontadas estão a São João, Camurujipe, São Luís e Jauá. Para tentar diminuir a insatisfação de passageiros e rodoviários, será assinado hoje um protocolo de intenções entre a Secretaria Estadual de Infra-estrutura (Seinfra) e o grupo responsável por três empresas com linhas no sudoeste, sul e extremo sul da Bahia para a renovação de 67 ônibus da frota. A intenção é a cada ano renovar 10% da frota. Atualmente, rodam pelo estado cerca de 2,8 mil ônibus.

A professora universitária Cleuze Carvalho, 45 anos, por exemplo, já ficou três vezes no caminho para Esplanada, por conta de panes nos ônibus. `São velhos, sujos e desconfortáveis. Prefiro pagar R$5 a mais e viajar de executivo`, contou Cleuze. `A meta é reduzir a média de tempo dos ônibus para 3,5 e quatro anos`, explicou diretor-executivo da Agerba, Antônio Lomanto Netto, responsável pela fiscalização do serviço. O reajuste da tarifa já é certo. `A renovação da frota requer investimentos que passam pelo realinhamento tarifário. O papel da Agerba será estabelecer uma tarifa justa, factível com o poder aquisitivo da população`, afirmou Netto. As empresas campeãs no ranking de reclamação na ouvidoria da Agerba pelos passageiros são a Camurujipe e a Novo Horizonte.

`O carro parece um pau de arara, carro de roça mesmo. Se chover, a gente se molha mesmo dentro do ônibus`, reclamou o estudante Josemar Oliveira, 26 anos, que seguia para Muritiba, pela empresa Jauá. A balconista Miriam Amaral Campos, 35 anos, não tem boas recordações da viagem que fez de Vitória de Conquista a Porto Seguro de ônibus onde quebrou três vezes na estrada. `Saindo daqui de Salvador, os ônibus estão melhores. O pior é quando saem do interior`, queixou-se. Outra modalidade adotada pelas empresas que tem trazido preocupação aos passageiros é a viagem em microônibus. `São 187 km em microônibus para Castro Alves`, reclamou o aposentado Manoel Oliveira, 67 anos, antes de embarcar pela Camurujipe.

Entre as reclamações dos profissionais está a falta de manutenção sistemática. A cobradora da empresa São João não esconde o medo. `O receio maior não é ficar na estrada, mas um acidente. A última vez, o ônibus quebrou e fiquei cinco horas na estrada aguardando`, contou. Segundo outro motorista, mesmo com problema técnico, os ônibus continuam rodando. `Não pára. Se a peça quebra, coloca uma recondicionada no lugar e vai levando`, explicou um motorista da Expresso Alagoinhas.

Para o deficiente físico Vicente Cunha de Oliveira, não adianta renovação na frota se os problemas de acesso continuarem. `Vim até num ônibus chique, com TV e filme de DVD. O problema é que depois da porta principal, a que separa a cabine do motorista, é estreita. A largura entre as poltronas é outro problema. Tenho que ser carregado bem alto, senão minhas pernas ficam batendo nos braços. Tenho dificuldades para fazer reservas, já que as primeiras cadeiras seriam as mais adequadas`, reclamou. Ontem, ele seguia de volta para Paramirim após tratamento médico na capital.

As empresas Viação Cidade Sol, Expresso Brasileiro e Rota Transportes serão as primeiras a receber os ônibus novos, que irão atender 176 linhas. O financiamento ao Grupo Carletto será feito pelo Banco Mercedes-Benz e está orçado em R$19,3 milhões. A assinatura do protocolo de intenções acontece hoje na Seinfra. Segundo o presidente da Associação de Empresas de Transporte Coletivo Rodoviário do Estado da Bahia (Abemtro), Lucas Ribeiro, a cada ano, a meta é substituir 250 ônibus. No total, 50 empresas são responsáveis pelo transporte intermunicipal.

Correio da Bahia 14/03/2007