A força dos PACs

10/08/2007
O programa de obras que o governo federal chama de PAC, sigla que significa Programa de Aceleração do Crescimento, nada mais é que o velho e eficiente programa de metas, que tão bons resultados vem prestando ao Homem desde os tempos das cavernas, passando pela Antiguidade, Idade Média e chegando aos dias de hoje com o seu prestígio inabalável como força inspiradora na realização dos projetos mais ousados, no plano individual como no coletivo, dos grupos, das cidades ou das nações.

Na famosa alegoria em que o caminheiro indaga, um de cada vez, de três operários que labutam num canteiro de obras sobre o que estão fazendo, o primeiro e menos produtivo respondeu que construía um muro. O segundo, um pouco mais produtivo, respondeu que estava construindo uma cantareira. Já o terceiro, visivelmente o mais produtivo dos três, levantou os olhos para os céus e clamou orgulhosamente: -Estou erguendo uma catedral. Esse último era o único que estava inteirado e imbuído do significado maior de sua missão.

Desde tempos imemo-riais, exercita-se a prática de motivar as pessoas envolvidas na execução de um projeto com o conhecimento dos fins a que se destina o seu trabalho. Foi assim nas guerras de conquistas e na implantação da infra-estrutura dos impérios, na construção dos grandes palácios ou na implantação das pirâmides do Egito. Foi no sentimento de ser parte de um projeto maior que o soldado Felípedes encontrou motivação e energia para correr em dois dias centenas de quilômetros, de Maratona a Esparta, para anunciar a vitória grega sobre os persas, no ano 490 antes de Cristo. Continua sendo assim nos tempos modernos, e disso sabem muito bem todos os que lideram processos bem-sucedidos de crescimento, no setor público quanto privado.

Do ponto de vista substantivo, o PAC do governo Lula é relativamente modesto quando confrontado com o conjunto de nossas grandes necessidades de obras de infra-estrutura, como estradas, ferrovias, hidrelétricas, portos e aeroportos. Possui o inegável mérito, porém, de despertar confiança e expectativas positivas na melhoria das condições de vida da população, permitindo aos cidadãos o acompanhamento crítico do cumprimento das metas anunciadas e dificultando a ação solerte e paralisante da velha corrupção que vive de criar dificuldades para vender facilidades. Quando a burocracia, por burrice ou safadagem, ameaça retardar o cumprimento de um prazo, recorre-se à contra-ofensiva de comunicar à ministra Dilma Roussef, líder do processo de acompanhamento do programa. Como num passe de mágica, o entrave artificial desaparece.

Tudo isso é dito para evidenciar a falta que faz a explicitação de programa similar ao PAC pelo governo estadual baiano.

O embrionário clima de desalento que começa a se formar sobre as reais possibilidades da administração Wagner corresponder às expectativas que o elegeram tem muito mais a ver com a ausência de comunicação explícita do que pretende fazer do que propriamente com a falta de um programa de governo. Afinal de contas, não se pode, sensatamente, supor que o governo já não tenha definido o que tenciona fazer em setores básicos como educação, saúde, segurança, infra-estrutura de transportes, sanitária, turística, agrícola e industrial. A abertura plena das contas públicas, via internet, a quem delas queira conhecer, é, sem dúvida, um começo promissor.

Uma vez tornado do conhecimento público o programa de governo, a maledicência útil e vigilante substituirá o recurso ao refrão popular que diz que `todo vento é bom para barcos sem destino` pela otimista mensagem que ensina: `Quando um desejo é anunciado, todo o Universo conspira para que se realize`.

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

10/08/07