17/09/2007
A garantia de abastecimento energético está no limite do crescimento econômico. O crescimento de 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrado no segundo trimestre acendeu um novo sinal de alerta no setor energético e colocou em cheque os cálculos do governo federal, que em seu relatório sobre oferta e demanda de energia aponta garantia de abastecimento para um crescimento médio da economia de 4,8% ao ano.
O fato do fornecimento de eletricidade estar no limite do crescimento econômico, entretanto, não assusta Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão ligado ao ministério de Minas e Energia. Para o executivo, não há motivos para alarme, porque o atual nível hidrológico aponta para uma tranqüilidade no abastecimento das hidrelétricas nos próximos anos e o risco de falta de energia que o governo trabalha é de 5%, considerado por ele bastante rígido.
O crescimento do Produto Interno Bruto mais forte do que o previsto pelo planalto foi puxado pela indústria, que consome 68% do gás do Brasil e é grande consumidor de energia elétrica. A previsão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) é de que o segmento continue puxando o crescimento do PIB no segundo semestre. E analistas de bancos já apontam para um aumento do PIB acima dos 5% no ano.
No entanto, o grande gargalo do setor energético, já reconhecido pelo próprio executivo da EPE, é justamente a atual escassez de oferta de gás natural. Tolmasquim, porém, diz que `o apagão branco do gás`, assim chamado pelo mercado, é na realidade uma questão de preço e não de escassez de oferta do insumo, já que o governo deixou de subsidiar o produto. `O apagão branco será resolvido no longo prazo. No curto, a indústria que não está contratada terá que buscar outras fontes de energia, como o óleo combustível`, afirma.
O problema é que falta gás natural para despachar todas as térmicas juntas. Elas são acionadas em caso de escassez de chuvas, o que reduz a capacidade das hidrelétricas. Além disso, a demanda tende a aumentar. Para 2010, está previsto o consumo de 71 milhões de metros cúbicos diários, mas esse volume pode ser reavaliado em caso de o PIB cresça acima das previsões do governo que são de 5% ao ano.
As distribuidoras estaduais, por exemplo, já calculam uma demanda de 130 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Hoje, a produção líquida do Brasil do insumo gira em torno de 27 milhões de metros cúbicos diários, mesmo volume importado da Bolívia. Enquanto isso, a matriz térmica do País funciona com apenas 30% de sua capacidade instalada. O parque hidrelétrico brasileiro tem capacidade de produzir 7 milhões de megawatts (MW) por dia, mas só entra no sistema elétrico nacional quando o nível hidrológico está baixo. `Temos que ter gás natural para quando tivermos um ano de poucas chuvas. O gás que virá será para atender esse requisito`, diz o representante do ministério. A falta de gás já foi sentida em julho, quando a Petrobras deixou de abastecer algumas térmicas. Segundo Tolmasquim, a oferta de gás é uma questão de preço e que a tendência mundial é que ele chegue mais próximo do pago pelo óleo combustível. `Do contrário, estaríamos em uma situação de crise, como em alguns países da América Latina`, afirma Tolmasquim. Na avaliação do presidente, o preço do gás era baixo no passado, porque havia pouco aproveitamento do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol). Por isso havia estímulo ao consumo de gás.
A solução da falta de gás natural virá da Petrobras. A estatal vai disponibilizar mais 31 milhões de metros cúbicos diários de gás, a partir de três navios que serão convertidos em usinas para fazer a regaseificação do Gás Natural Liqüefeito (GNL) importado. Mas, para o próximo ano, está previsto que somente 7 milhões de metros cúbicos sejam ofertados. Além do GNL, a produção de gás natural da Petrobras no País deve subir nos próximos anos. Para 2007 a previsão é de 34 milhões de metros cúbicos. Já para 2008 a produção prevista é de 50 milhões, passando para 69 milhões em 2009 e 71 milhões em 2010, entre gás associado e não associado.
O Brasil tem reservas provadas de 348 bilhões de metros cúbicos de gás natural. Para começar a explorar esse potencial, os investimentos previstos são de US$ 22,5 bilhões até 2011 no setor, sendo US$ 18 bilhões por parte da Petrobras e US$ 4,5 bilhões por parceiros da estatal brasileira. Somente em gasodutos, terminais e equipamentos a estatal brasileira terá de investir, entre 2008 e 2012, US$ 6,7 bilhões para garantir o abastecimento de gás. O investimento, segundo a estatal, será capaz de atender toda a demanda de gás no período de 2008 a 2012, que apresentará um forte crescimento de 19,4% ano, passando dos atuais 46 milhões de m³ por dia para 134 milhões de m³/dia. Segundo as previsões da Petrobras, as termelétricas irão absorver o maior volume do gás projetado para o futuro: 48 milhões de metros cúbicos por dia. Para indústria, serão destinados 42 milhões de metros cúbicos/dia. Dos 134 milhões de metros cúbicos diários previstos para 2012, 72,9 milhões de m³/dia serão oriundos de reservas nacionais, 30 milhões m³/dia da Bolívia e 31,1 milhões m³/dia de plantas de gás natural liquefeito (GNL), de acordo com a estatal.
Fonte: Jornal Gazeta Mercantil
Repórter: Rivadavia Severo
Em 17/09/2007.
O fato do fornecimento de eletricidade estar no limite do crescimento econômico, entretanto, não assusta Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão ligado ao ministério de Minas e Energia. Para o executivo, não há motivos para alarme, porque o atual nível hidrológico aponta para uma tranqüilidade no abastecimento das hidrelétricas nos próximos anos e o risco de falta de energia que o governo trabalha é de 5%, considerado por ele bastante rígido.
O crescimento do Produto Interno Bruto mais forte do que o previsto pelo planalto foi puxado pela indústria, que consome 68% do gás do Brasil e é grande consumidor de energia elétrica. A previsão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) é de que o segmento continue puxando o crescimento do PIB no segundo semestre. E analistas de bancos já apontam para um aumento do PIB acima dos 5% no ano.
No entanto, o grande gargalo do setor energético, já reconhecido pelo próprio executivo da EPE, é justamente a atual escassez de oferta de gás natural. Tolmasquim, porém, diz que `o apagão branco do gás`, assim chamado pelo mercado, é na realidade uma questão de preço e não de escassez de oferta do insumo, já que o governo deixou de subsidiar o produto. `O apagão branco será resolvido no longo prazo. No curto, a indústria que não está contratada terá que buscar outras fontes de energia, como o óleo combustível`, afirma.
O problema é que falta gás natural para despachar todas as térmicas juntas. Elas são acionadas em caso de escassez de chuvas, o que reduz a capacidade das hidrelétricas. Além disso, a demanda tende a aumentar. Para 2010, está previsto o consumo de 71 milhões de metros cúbicos diários, mas esse volume pode ser reavaliado em caso de o PIB cresça acima das previsões do governo que são de 5% ao ano.
As distribuidoras estaduais, por exemplo, já calculam uma demanda de 130 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Hoje, a produção líquida do Brasil do insumo gira em torno de 27 milhões de metros cúbicos diários, mesmo volume importado da Bolívia. Enquanto isso, a matriz térmica do País funciona com apenas 30% de sua capacidade instalada. O parque hidrelétrico brasileiro tem capacidade de produzir 7 milhões de megawatts (MW) por dia, mas só entra no sistema elétrico nacional quando o nível hidrológico está baixo. `Temos que ter gás natural para quando tivermos um ano de poucas chuvas. O gás que virá será para atender esse requisito`, diz o representante do ministério. A falta de gás já foi sentida em julho, quando a Petrobras deixou de abastecer algumas térmicas. Segundo Tolmasquim, a oferta de gás é uma questão de preço e que a tendência mundial é que ele chegue mais próximo do pago pelo óleo combustível. `Do contrário, estaríamos em uma situação de crise, como em alguns países da América Latina`, afirma Tolmasquim. Na avaliação do presidente, o preço do gás era baixo no passado, porque havia pouco aproveitamento do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol). Por isso havia estímulo ao consumo de gás.
A solução da falta de gás natural virá da Petrobras. A estatal vai disponibilizar mais 31 milhões de metros cúbicos diários de gás, a partir de três navios que serão convertidos em usinas para fazer a regaseificação do Gás Natural Liqüefeito (GNL) importado. Mas, para o próximo ano, está previsto que somente 7 milhões de metros cúbicos sejam ofertados. Além do GNL, a produção de gás natural da Petrobras no País deve subir nos próximos anos. Para 2007 a previsão é de 34 milhões de metros cúbicos. Já para 2008 a produção prevista é de 50 milhões, passando para 69 milhões em 2009 e 71 milhões em 2010, entre gás associado e não associado.
O Brasil tem reservas provadas de 348 bilhões de metros cúbicos de gás natural. Para começar a explorar esse potencial, os investimentos previstos são de US$ 22,5 bilhões até 2011 no setor, sendo US$ 18 bilhões por parte da Petrobras e US$ 4,5 bilhões por parceiros da estatal brasileira. Somente em gasodutos, terminais e equipamentos a estatal brasileira terá de investir, entre 2008 e 2012, US$ 6,7 bilhões para garantir o abastecimento de gás. O investimento, segundo a estatal, será capaz de atender toda a demanda de gás no período de 2008 a 2012, que apresentará um forte crescimento de 19,4% ano, passando dos atuais 46 milhões de m³ por dia para 134 milhões de m³/dia. Segundo as previsões da Petrobras, as termelétricas irão absorver o maior volume do gás projetado para o futuro: 48 milhões de metros cúbicos por dia. Para indústria, serão destinados 42 milhões de metros cúbicos/dia. Dos 134 milhões de metros cúbicos diários previstos para 2012, 72,9 milhões de m³/dia serão oriundos de reservas nacionais, 30 milhões m³/dia da Bolívia e 31,1 milhões m³/dia de plantas de gás natural liquefeito (GNL), de acordo com a estatal.
Fonte: Jornal Gazeta Mercantil
Repórter: Rivadavia Severo
Em 17/09/2007.