29/02/2008
Das 21,3 milhões de pessoas ocupadas no país, 51,1% ou o equivalente a 10,866 milhões de brasileiros têm carteira assinada. Esse é o maior número de trabalhadores formalizados já apurado pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) desde março de 2002, quando a série começou a ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 42,4% dos ocupados eram formalizados.
Esse fenômeno é conseqüência da estabilidade econômica e da maior confiança dos empresários de que o país continuará crescendo no longo prazo. `Não chega a ser um boom de formalização mas o resultado está em linha com os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)`, afirma o coordenador da PME, Cimar Azeredo. O Caged, que é divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho, tem uma metodologia diferente da utilizada pelo IBGE, porém, também vem apontando sucessivos recordes na criação de postos de trabalho formais.
Uma das brasileiras que realizou recentemente o sonho de ter um emprego com carteira assinada foi Regilane de Oliveira Pereira, de 26 anos. Filha de uma dona-de-casa com um auxiliar de escritório, começou a trabalhar como vendedora temporária no ano passado e teve a sorte de ser contratada. `Trabalhei uma semana em outubro, no Dia das Crianças, e fui chamada para voltar em novembro. Em 29 de dezembro me contaram que ia ser efetivada. Nem acreditei`, relembra. No novo emprego, Regilane recebe pouco mais de R$ 700 por uma jornada de oito horas diárias com folga a cada sete dias. Além do salário, ganha o equivalente a R$ 348 em vales-transporte e auxílio alimentação, além de ter recolhidas as contribuições para a Previdência e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
Emprego de qualidade
Somente na iniciativa privada, o emprego formal registrou uma expansão de 8,7% em janeiro na comparação com janeiro de 2006, atingindo 43,8% da população ocupada. Já no serviço militar ou funcionalismo público estatutário, a alta chegou a 1,4%, representando 7,3% do total das pessoas com emprego. O percentual de trabalhadores com carteira assinada vem subindo há sete meses consecutivos. É a maior participação no total do mercado em toda a série histórica, afirmou Azeredo.
Com o aumento da formalização, a taxa de desemprego no país caiu de 9,3% em janeiro de 2007 para 8,0% no mês passado — segunda menor taxa já registrada pela PME desde 2002, perdendo apenas para dezembro de 2007 (7,4%). Isso aconteceu porque o ritmo do crescimento do número de pessoas ocupadas (3,6%) é bem superior ao da População Economicamente Ativa (2,2%). Na avaliação de Azeredo, o país está criando novos postos de trabalho com mais qualidade e melhores salários. O rendimento real médio dos ocupados foi de R$ 1.172,50 no mês passado, o que representa uma elevação de 3,4% em relação a janeiro de 2007.
A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Andreia Parente Lameiros, concorda com Azeredo. O maior número de contratações formais tem ocorrido, principalmente, na indústria e comércio. No caso da indústria, explica Maria Andreia, os segmentos que apresentaram uma expansão menor foram o de vestuário e têxtil, que sofrem com a valorização do real frente ao dólar e com a competitividade voraz dos produtos importados. `Mas o crescimento do emprego formal na indústria é generalizado`, ressalta a pesquisadora.
A economista da consultoria Tendências, Cláudia Oshiro, destaca que o aumento da quantidade de empregos com carteira assinada está relacionado ao otimismo dos empresários de que a economia continuará em expansão. `Isso faz com que ele opte por arcar com todos os custos contratuais, que são altos`, frisa Cláudia. Ela acrescenta que o posto de trabalho formal traz a sensação de segurança, o que estimula o consumo e, conseqüentemente, a ampliação do Produto Interno Bruto (PIB).
O menor nível para janeiro O país iniciou o ano com a menor taxa de desemprego já registrada em um mês de janeiro, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa representou 8% da População Economicamente Ativa (PEA), a segunda mais baixa da série histórica iniciada em março de 2002, perdendo apenas para dezembro de 2007 (7,4%). Em janeiro do ano passado, o desemprego era de 9,3%. A pesquisa analisa dados das seis maiores regiões metropolitanas do país — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.
O coordenador da PME, Cimar Azeredo, explica que, somente no mês passado, 120 mil pessoas foram demitidas, o que refletiu automaticamente na ligeira elevação do desemprego. A maior parte das dispensas foi promovida no comércio, que normalmente contrata milhares de temporários para atender o movimento adicional de final de ano e, passada a febre pelo consumo, realiza demissões. `Esse aumento já era esperado e é explicado pela dispensa de temporários`, afirma. `O resultado para o primeiro mês do ano foi muito favorável`, acrescenta.
A PME mostra que a PEA contava com 23,1 milhões de pessoas em janeiro, sendo que 21,26 milhões estão ocupadas e 1,84 milhão estão desocupados. O contingente de desempregados cresceu 7,5% de dezembro para o mês passado. Em relação a janeiro de 2007, houve queda de 12,1%. Na comparação anual, houve quedas em Recife (13,6%), Salvador (15,4%), Belo Horizonte (18,0%), São Paulo (12,8%) e Porto Alegre (20,4%).
Azeredo alerta que as incertezas quanto o efeito da crise do mercado imobiliário norte-americano para a economia global podem contribuir para redução do ritmo de contratação no país. `Pode haver um aumento da taxa de desocupação, mas tudo dependerá do crescimento do país`, conta. A economista da consultoria Tendências, Cláudia Oshiro, acredita que o mercado de trabalho não deverá ser impactado pelas turbulências pois o crescimento econômico está sustentado na demanda interna. Ela estima que a taxa de desemprego média em 2008 deve ser de 8,8% ante 9,3% de 2007. `Espero que o desemprego continue caindo. Talvez em um ritmo menor do que vimos no ano passado. A atividade econômica continuará forte`.
Repórter: Edna Simão
Fonte: Correio Braziliense
Em 29/2/2008.
Esse fenômeno é conseqüência da estabilidade econômica e da maior confiança dos empresários de que o país continuará crescendo no longo prazo. `Não chega a ser um boom de formalização mas o resultado está em linha com os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)`, afirma o coordenador da PME, Cimar Azeredo. O Caged, que é divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho, tem uma metodologia diferente da utilizada pelo IBGE, porém, também vem apontando sucessivos recordes na criação de postos de trabalho formais.
Uma das brasileiras que realizou recentemente o sonho de ter um emprego com carteira assinada foi Regilane de Oliveira Pereira, de 26 anos. Filha de uma dona-de-casa com um auxiliar de escritório, começou a trabalhar como vendedora temporária no ano passado e teve a sorte de ser contratada. `Trabalhei uma semana em outubro, no Dia das Crianças, e fui chamada para voltar em novembro. Em 29 de dezembro me contaram que ia ser efetivada. Nem acreditei`, relembra. No novo emprego, Regilane recebe pouco mais de R$ 700 por uma jornada de oito horas diárias com folga a cada sete dias. Além do salário, ganha o equivalente a R$ 348 em vales-transporte e auxílio alimentação, além de ter recolhidas as contribuições para a Previdência e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
Emprego de qualidade
Somente na iniciativa privada, o emprego formal registrou uma expansão de 8,7% em janeiro na comparação com janeiro de 2006, atingindo 43,8% da população ocupada. Já no serviço militar ou funcionalismo público estatutário, a alta chegou a 1,4%, representando 7,3% do total das pessoas com emprego. O percentual de trabalhadores com carteira assinada vem subindo há sete meses consecutivos. É a maior participação no total do mercado em toda a série histórica, afirmou Azeredo.
Com o aumento da formalização, a taxa de desemprego no país caiu de 9,3% em janeiro de 2007 para 8,0% no mês passado — segunda menor taxa já registrada pela PME desde 2002, perdendo apenas para dezembro de 2007 (7,4%). Isso aconteceu porque o ritmo do crescimento do número de pessoas ocupadas (3,6%) é bem superior ao da População Economicamente Ativa (2,2%). Na avaliação de Azeredo, o país está criando novos postos de trabalho com mais qualidade e melhores salários. O rendimento real médio dos ocupados foi de R$ 1.172,50 no mês passado, o que representa uma elevação de 3,4% em relação a janeiro de 2007.
A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Andreia Parente Lameiros, concorda com Azeredo. O maior número de contratações formais tem ocorrido, principalmente, na indústria e comércio. No caso da indústria, explica Maria Andreia, os segmentos que apresentaram uma expansão menor foram o de vestuário e têxtil, que sofrem com a valorização do real frente ao dólar e com a competitividade voraz dos produtos importados. `Mas o crescimento do emprego formal na indústria é generalizado`, ressalta a pesquisadora.
A economista da consultoria Tendências, Cláudia Oshiro, destaca que o aumento da quantidade de empregos com carteira assinada está relacionado ao otimismo dos empresários de que a economia continuará em expansão. `Isso faz com que ele opte por arcar com todos os custos contratuais, que são altos`, frisa Cláudia. Ela acrescenta que o posto de trabalho formal traz a sensação de segurança, o que estimula o consumo e, conseqüentemente, a ampliação do Produto Interno Bruto (PIB).
O menor nível para janeiro O país iniciou o ano com a menor taxa de desemprego já registrada em um mês de janeiro, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa representou 8% da População Economicamente Ativa (PEA), a segunda mais baixa da série histórica iniciada em março de 2002, perdendo apenas para dezembro de 2007 (7,4%). Em janeiro do ano passado, o desemprego era de 9,3%. A pesquisa analisa dados das seis maiores regiões metropolitanas do país — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.
O coordenador da PME, Cimar Azeredo, explica que, somente no mês passado, 120 mil pessoas foram demitidas, o que refletiu automaticamente na ligeira elevação do desemprego. A maior parte das dispensas foi promovida no comércio, que normalmente contrata milhares de temporários para atender o movimento adicional de final de ano e, passada a febre pelo consumo, realiza demissões. `Esse aumento já era esperado e é explicado pela dispensa de temporários`, afirma. `O resultado para o primeiro mês do ano foi muito favorável`, acrescenta.
A PME mostra que a PEA contava com 23,1 milhões de pessoas em janeiro, sendo que 21,26 milhões estão ocupadas e 1,84 milhão estão desocupados. O contingente de desempregados cresceu 7,5% de dezembro para o mês passado. Em relação a janeiro de 2007, houve queda de 12,1%. Na comparação anual, houve quedas em Recife (13,6%), Salvador (15,4%), Belo Horizonte (18,0%), São Paulo (12,8%) e Porto Alegre (20,4%).
Azeredo alerta que as incertezas quanto o efeito da crise do mercado imobiliário norte-americano para a economia global podem contribuir para redução do ritmo de contratação no país. `Pode haver um aumento da taxa de desocupação, mas tudo dependerá do crescimento do país`, conta. A economista da consultoria Tendências, Cláudia Oshiro, acredita que o mercado de trabalho não deverá ser impactado pelas turbulências pois o crescimento econômico está sustentado na demanda interna. Ela estima que a taxa de desemprego média em 2008 deve ser de 8,8% ante 9,3% de 2007. `Espero que o desemprego continue caindo. Talvez em um ritmo menor do que vimos no ano passado. A atividade econômica continuará forte`.
Repórter: Edna Simão
Fonte: Correio Braziliense
Em 29/2/2008.