25/04/2008
`Elimino os agrotóxicos colocando os alimentos de molho numa bacia com água e vinagre, uma hora antes de fazer a salada`, contou a técnica em patologia Analice de Santana, 41 anos, que ontem comprava alguns tomates e folhas de alface em um supermercado no bairro de Nazaré. Segundo especialistas, tal medida não passa de mito, já que não há como escapar de agrotóxicos quando os alimentos já estiverem contaminados.
A nutricionista Maria Palmira Teles, do Centro de Referência Estadual para Assistência ao Diabetes e Endocrinologia (Cedeba), explica que não existem medidas que possam ser adotadas para diminuir ou retirar os agrotóxicos dos alimentos. `Uma vez contaminado, não adianta fazer mais nada`, desmistifica. Segundo ela, existem algumas partes das frutas e verduras que concentram maior teor das substâncias. `Aquela parte mais dura, que fica na rodela do abacaxi, por exemplo, não deve ser ingerida, porque ali fica todo o acúmulo do agrotóxico`, alerta.
O caso da alface e do morango é emblemático. A análise feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou índices de agrotóxicos acima do permitido nos dois alimentos. Com relação à folha, a especialista recomenda que as pessoas evitem o tipo hidropônico. `Ele é cultivado naquela água que ninguém sabe o que contém. Sempre indico o normal. Aliás, o ideal mesmo é o orgânico`, ensina a nutricionista. Ela recomenda ainda que se evite comer morangos que não sejam do tipo orgânico, pois todas as substâncias nocivas ficam impregnadas nas pequenas sementes da fruta, praticamente impossíveis de serem retiradas.
Mesmo alimentos com baixa percentagem de agrotóxicos requerem alguns cuidados, a exemplo da maçã (ver box com os índices). A nutricionista destaca que as hastes da fruta não devem ser ingeridas. `Devemos comer apenas o miolo. Temos a mania de ficar comendo aqueles cantinhos. É exatamente nas pontas que o agrotóxico fica concentrado`, diz a especialista.
Vegetais com altos índices
Presente em grande parte da culinária brasileira, o tomate foi o alimento que apresentou os maiores números referentes a resíduos de agrotóxicos. Das 123 amostras do fruto analisadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 55 apresentaram resultados insatisfatórios, o equivalente a 44,72%. Os dados colhidos em 2007 e apresentados esta semana pelo órgão são do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), coordenado pela Anvisa, em parceria com as Secretarias estaduais de Saúde de todo país.
No tomate, os técnicos encontraram a substância monocrotofós, ingrediente ativo que teve o uso proibido em novembro de 2006, em razão de sua alta toxicidade. Foi detectada ainda a presença do metamidofós, agrotóxico autorizado apenas para a cultura de tomate industrial (plantio rasteiro), embora os teores de resíduos encontrados não tenham ultrapassado os limites aceitáveis para a alimentação diária da população. Em relação ao percentual referente aos nove produtos estudados (alface, batata, morango, tomate, maçã, banana, mamão, cenoura e laranja), o índice de amostras comprometidas ficou em 17,28%.
A mesma pesquisa apontou que a batata e a maçã tiveram redução no número de amostras com sinais de agrotóxicos. A batata, que em 2002, primeiro ano de monitoramento do programa, apresentava índice de 22,2% de uso indevido de agrotóxicos, teve o nível reduzido para 1,36%. A maçã, que chegou a apresentar índice de 5,33% neste período, fechou 2007 com incidência de 2,9%.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
Repórter: Camila Vieira
Em 25/04/2008.
A nutricionista Maria Palmira Teles, do Centro de Referência Estadual para Assistência ao Diabetes e Endocrinologia (Cedeba), explica que não existem medidas que possam ser adotadas para diminuir ou retirar os agrotóxicos dos alimentos. `Uma vez contaminado, não adianta fazer mais nada`, desmistifica. Segundo ela, existem algumas partes das frutas e verduras que concentram maior teor das substâncias. `Aquela parte mais dura, que fica na rodela do abacaxi, por exemplo, não deve ser ingerida, porque ali fica todo o acúmulo do agrotóxico`, alerta.
O caso da alface e do morango é emblemático. A análise feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou índices de agrotóxicos acima do permitido nos dois alimentos. Com relação à folha, a especialista recomenda que as pessoas evitem o tipo hidropônico. `Ele é cultivado naquela água que ninguém sabe o que contém. Sempre indico o normal. Aliás, o ideal mesmo é o orgânico`, ensina a nutricionista. Ela recomenda ainda que se evite comer morangos que não sejam do tipo orgânico, pois todas as substâncias nocivas ficam impregnadas nas pequenas sementes da fruta, praticamente impossíveis de serem retiradas.
Mesmo alimentos com baixa percentagem de agrotóxicos requerem alguns cuidados, a exemplo da maçã (ver box com os índices). A nutricionista destaca que as hastes da fruta não devem ser ingeridas. `Devemos comer apenas o miolo. Temos a mania de ficar comendo aqueles cantinhos. É exatamente nas pontas que o agrotóxico fica concentrado`, diz a especialista.
Vegetais com altos índices
Presente em grande parte da culinária brasileira, o tomate foi o alimento que apresentou os maiores números referentes a resíduos de agrotóxicos. Das 123 amostras do fruto analisadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 55 apresentaram resultados insatisfatórios, o equivalente a 44,72%. Os dados colhidos em 2007 e apresentados esta semana pelo órgão são do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), coordenado pela Anvisa, em parceria com as Secretarias estaduais de Saúde de todo país.
No tomate, os técnicos encontraram a substância monocrotofós, ingrediente ativo que teve o uso proibido em novembro de 2006, em razão de sua alta toxicidade. Foi detectada ainda a presença do metamidofós, agrotóxico autorizado apenas para a cultura de tomate industrial (plantio rasteiro), embora os teores de resíduos encontrados não tenham ultrapassado os limites aceitáveis para a alimentação diária da população. Em relação ao percentual referente aos nove produtos estudados (alface, batata, morango, tomate, maçã, banana, mamão, cenoura e laranja), o índice de amostras comprometidas ficou em 17,28%.
A mesma pesquisa apontou que a batata e a maçã tiveram redução no número de amostras com sinais de agrotóxicos. A batata, que em 2002, primeiro ano de monitoramento do programa, apresentava índice de 22,2% de uso indevido de agrotóxicos, teve o nível reduzido para 1,36%. A maçã, que chegou a apresentar índice de 5,33% neste período, fechou 2007 com incidência de 2,9%.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
Repórter: Camila Vieira
Em 25/04/2008.