13/05/2008
Em clima festivo, com a presença de nove governadores, dez ministros, líderes industriais e sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu ontem a área econômica do governo para o Rio e anunciou, em tom solene, sua nova política industrial, que também é um socorro aos segmentos empresariais que sofrem com a valorização do real e a forte concorrência de produtos importados. O valor mais aguardado da Política de Desenvolvimento Produtivo foi a desoneração tributária, que será de R$ 21,4 bilhões entre 2008 e 2010.
O tamanho da renúncia fiscal — soma que o governo deixará de arrecadar — mostra, segundo industriais, uma clara interferência do presidente Lula na queda-de-braço com a Receita Federal, que queria jogar o valor para baixo. `Procuramos ser bastante ousados, mas não tão ousados quanto (queriam) o BNDES e o Ministério da Indústria e Comércio. O objetivo é baratear investimentos e exportações para garantir sustentabilidade do ciclo de crescimento em curso no país`, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevendo uma `nova onda de expansão das exportações`.
Entre as medidas (leia quadro) mais comemoradas pelos empresários está a redução da contribuição patronal para a seguridade social sobre a folha de pagamento para até 10% e da contribuição ao Sistema S para até zero, de acordo com a participação das exportações no faturamento da empresa. No total, serão mais de R$ 210 bilhões em investimentos até 2010 para 25 áreas prioritárias. Somados aos R$ 40 bilhões do Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (PACTI), o valor chegaria a R$ 250 bilhões. Após a cerimônia, empresários lamentaram a manutenção do real forte.
Muito aplaudido, Lula disse que está rompendo com `25 anos de descrença nas nossas próprias forças` e que seu governo reflete um longo e penoso aprendizado. `Aprendemos que não queremos inflação. Aprendemos que queremos um governo com suas contas em dia. Aprendemos que as empresas não podem ser eternamente ineficientes e viver às custas de subsídios e protecionismos descabidos`, discursou, usando pela primeira vez um teleprompter transparente (recurso de projeção dos textos numa tela à sua frente).
Em um dos raros improvisos durante o discurso, Lula convocou os brasileiros para uma luta em favor da produção brasileira de etanol, motivo de controvérsia mundial. Segundo o presidente, os biocombustíveis são um setor estratégico para o país. `Os lobbies, por mais poderosos que sejam, não conseguirão bater os biocombustíveis. O Brasil não irá mudar seu comportamento de forma alguma, qualquer que seja a crítica que nos façam`, garantiu.
O ministro Mantega, por sua vez, espera `um grande surto de expansão da indústria naval`, que recebeu um pacote de bondades. Entre as medidas estão a suspensão da cobrança de IPI, PIS e Cofins (impostos) incidentes sobre peças e materiais destinados à construção de navios novos por estaleiros nacionais e a criação do fundo garantidor de performance, com valor inicial de R$ 400 milhões, para a indústria naval.
Data histórica
Lula lembrou que há 30 anos vivera um dia histórico, em 12 de maio de 1978, quando liderou sua primeira greve de peso, da Scania, na sede do Sindicato do ABC. Ao mesmo tempo, homenageou o ex-ministro do Planejamento dos governos militares de Médici e Geisel, o economista João Paulo dos Reis Velloso, segundo ele autor do último grande plano de desenvolvimento para o país. `Claro que naquela época o Estado era muito mais forte e o presidente tinha muito mais poder do que hoje. E eu preciso ter muito mais flexibilidade que vocês precisavam naquela época`, disse Lula, provocando risos da platéia. Dois ministros, Guido Mantega e Miguel Jorge, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, revezaram-se na tribuna para apresentar, ao longo de duas horas, o que o ministro do Desenvolvimento chamou de `saco de bondades (do governo) para os exportadores`.
Entre as ambiciosas metas do governo, que devem ser alcançadas até o fim do segundo mandato de Lula, estão o aumento do investimento direto na economia para 21% do PIB (em 2010 chegaria a R$ 620 bilhões); elevação dos investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB (R$ 18,2 bilhões); participação brasileira nas exportações mundiais de 1,5% do comércio mundial; além de mais 10% de micro e pequenas empresas incluídas no mercado exportador.
Os 25 setores escolhidos para integrar o programa são complexo industrial da saúde, tecnologias de informação e comunicação, energia nuclear, complexo industrial da defesa, nanotecnologia, biotecnologia, complexo automotivo, bens de capital, têxtil e confecções, madeira e móveis, higiene, perfumaria e cosméticos, construção civil, complexo de serviços, indústria naval e de cabotagem, couro, calçados e artefatos, agroindústrias, biodiesel, plásticos, complexo aeronáutico, petróleo, gás natural e petroquímica, bioetanol, mineração, siderurgia, celulose e carnes.
`Esse é um processo aberto e evolutivo que requer avanços na organização empresarial aos empresários e exigirá de nós do governo um grande esforço de gestão. Agora é fazer acontecer`, discursou Coutinho.
`Não é uma fantasia, um desejo do governo, mas uma realidade que já está sendo posta em prática`, fez coro Mantega`, lembrando que a maioria das medidas será enviada ao Congresso como medidas provisórias.. Ao lado do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), Lula aproveitou para pedir apoio ao Congresso na votação das medidas.
Jorge Gerdau, representante do Conselho Nacional do Desenvolvimento Industrial: `Não é com câmbio sobrevalorizado em parte nenhuma do mundo que se aumentam as exportações. Quero ver essa teoria virar realidade`.
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp): `Não existe nenhum país desenvolvido que não tenha registrado a ação do Estado indutor. A estadofobia que ataca uns e a estadolatria que afeta outros não têm sentido`.
Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda: `Eu esperava algo mais abrangente, não só para software, mas para outras empresas da cadeia de equipamentos eletroeletrônicos que estão sofrendo com a alta do real sobre o dólar`.
Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee): `O desafio será instituir um modelo de gestão ágil para acompanhar o cumprimento das metas listadas`.
Repórter: Ricardo Miranda
Fonte: Correio Braziliense
13/5/2008.
Governo lança pacote para favorecer, principalmente, a aplicação de dinheiro na produção de bens que serão vendidos a outros países. Renúncia fiscal vai atingir R$ 21,4 bilhões durante três anos Em clima festivo, com a presença de nove governadores, dez ministros, líderes industriais e sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu ontem a área econômica do governo para o Rio e anunciou, em tom solene, sua nova política industrial, que também é um socorro aos segmentos empresariais que sofrem com a valorização do real e a forte concorrência de produtos importados. O valor mais aguardado da Política de Desenvolvimento Produtivo foi a desoneração tributária, que será de R$ 21,4 bilhões entre 2008 e 2010.
O tamanho da renúncia fiscal — soma que o governo deixará de arrecadar — mostra, segundo industriais, uma clara interferência do presidente Lula na queda-de-braço com a Receita Federal, que queria jogar o valor para baixo. `Procuramos ser bastante ousados, mas não tão ousados quanto (queriam) o BNDES e o Ministério da Indústria e Comércio. O objetivo é baratear investimentos e exportações para garantir sustentabilidade do ciclo de crescimento em curso no país`, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevendo uma `nova onda de expansão das exportações`.
Entre as medidas (leia quadro) mais comemoradas pelos empresários está a redução da contribuição patronal para a seguridade social sobre a folha de pagamento para até 10% e da contribuição ao Sistema S para até zero, de acordo com a participação das exportações no faturamento da empresa. No total, serão mais de R$ 210 bilhões em investimentos até 2010 para 25 áreas prioritárias. Somados aos R$ 40 bilhões do Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (PACTI), o valor chegaria a R$ 250 bilhões. Após a cerimônia, empresários lamentaram a manutenção do real forte.
Muito aplaudido, Lula disse que está rompendo com `25 anos de descrença nas nossas próprias forças` e que seu governo reflete um longo e penoso aprendizado. `Aprendemos que não queremos inflação. Aprendemos que queremos um governo com suas contas em dia. Aprendemos que as empresas não podem ser eternamente ineficientes e viver às custas de subsídios e protecionismos descabidos`, discursou, usando pela primeira vez um teleprompter transparente (recurso de projeção dos textos numa tela à sua frente).
Em um dos raros improvisos durante o discurso, Lula convocou os brasileiros para uma luta em favor da produção brasileira de etanol, motivo de controvérsia mundial. Segundo o presidente, os biocombustíveis são um setor estratégico para o país. `Os lobbies, por mais poderosos que sejam, não conseguirão bater os biocombustíveis. O Brasil não irá mudar seu comportamento de forma alguma, qualquer que seja a crítica que nos façam`, garantiu.
O ministro Mantega, por sua vez, espera `um grande surto de expansão da indústria naval`, que recebeu um pacote de bondades. Entre as medidas estão a suspensão da cobrança de IPI, PIS e Cofins (impostos) incidentes sobre peças e materiais destinados à construção de navios novos por estaleiros nacionais e a criação do fundo garantidor de performance, com valor inicial de R$ 400 milhões, para a indústria naval.
Data histórica
Lula lembrou que há 30 anos vivera um dia histórico, em 12 de maio de 1978, quando liderou sua primeira greve de peso, da Scania, na sede do Sindicato do ABC. Ao mesmo tempo, homenageou o ex-ministro do Planejamento dos governos militares de Médici e Geisel, o economista João Paulo dos Reis Velloso, segundo ele autor do último grande plano de desenvolvimento para o país. `Claro que naquela época o Estado era muito mais forte e o presidente tinha muito mais poder do que hoje. E eu preciso ter muito mais flexibilidade que vocês precisavam naquela época`, disse Lula, provocando risos da platéia. Dois ministros, Guido Mantega e Miguel Jorge, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, revezaram-se na tribuna para apresentar, ao longo de duas horas, o que o ministro do Desenvolvimento chamou de `saco de bondades (do governo) para os exportadores`.
Entre as ambiciosas metas do governo, que devem ser alcançadas até o fim do segundo mandato de Lula, estão o aumento do investimento direto na economia para 21% do PIB (em 2010 chegaria a R$ 620 bilhões); elevação dos investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB (R$ 18,2 bilhões); participação brasileira nas exportações mundiais de 1,5% do comércio mundial; além de mais 10% de micro e pequenas empresas incluídas no mercado exportador.
Os 25 setores escolhidos para integrar o programa são complexo industrial da saúde, tecnologias de informação e comunicação, energia nuclear, complexo industrial da defesa, nanotecnologia, biotecnologia, complexo automotivo, bens de capital, têxtil e confecções, madeira e móveis, higiene, perfumaria e cosméticos, construção civil, complexo de serviços, indústria naval e de cabotagem, couro, calçados e artefatos, agroindústrias, biodiesel, plásticos, complexo aeronáutico, petróleo, gás natural e petroquímica, bioetanol, mineração, siderurgia, celulose e carnes.
`Esse é um processo aberto e evolutivo que requer avanços na organização empresarial aos empresários e exigirá de nós do governo um grande esforço de gestão. Agora é fazer acontecer`, discursou Coutinho.
`Não é uma fantasia, um desejo do governo, mas uma realidade que já está sendo posta em prática`, fez coro Mantega`, lembrando que a maioria das medidas será enviada ao Congresso como medidas provisórias.. Ao lado do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), Lula aproveitou para pedir apoio ao Congresso na votação das medidas.
Jorge Gerdau, representante do Conselho Nacional do Desenvolvimento Industrial: `Não é com câmbio sobrevalorizado em parte nenhuma do mundo que se aumentam as exportações. Quero ver essa teoria virar realidade`.
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp): `Não existe nenhum país desenvolvido que não tenha registrado a ação do Estado indutor. A estadofobia que ataca uns e a estadolatria que afeta outros não têm sentido`.
Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda: `Eu esperava algo mais abrangente, não só para software, mas para outras empresas da cadeia de equipamentos eletroeletrônicos que estão sofrendo com a alta do real sobre o dólar`.
Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee): `O desafio será instituir um modelo de gestão ágil para acompanhar o cumprimento das metas listadas`.
Repórter: Ricardo Miranda
Fonte: Correio Braziliense
13/5/2008.
O tamanho da renúncia fiscal — soma que o governo deixará de arrecadar — mostra, segundo industriais, uma clara interferência do presidente Lula na queda-de-braço com a Receita Federal, que queria jogar o valor para baixo. `Procuramos ser bastante ousados, mas não tão ousados quanto (queriam) o BNDES e o Ministério da Indústria e Comércio. O objetivo é baratear investimentos e exportações para garantir sustentabilidade do ciclo de crescimento em curso no país`, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevendo uma `nova onda de expansão das exportações`.
Entre as medidas (leia quadro) mais comemoradas pelos empresários está a redução da contribuição patronal para a seguridade social sobre a folha de pagamento para até 10% e da contribuição ao Sistema S para até zero, de acordo com a participação das exportações no faturamento da empresa. No total, serão mais de R$ 210 bilhões em investimentos até 2010 para 25 áreas prioritárias. Somados aos R$ 40 bilhões do Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (PACTI), o valor chegaria a R$ 250 bilhões. Após a cerimônia, empresários lamentaram a manutenção do real forte.
Muito aplaudido, Lula disse que está rompendo com `25 anos de descrença nas nossas próprias forças` e que seu governo reflete um longo e penoso aprendizado. `Aprendemos que não queremos inflação. Aprendemos que queremos um governo com suas contas em dia. Aprendemos que as empresas não podem ser eternamente ineficientes e viver às custas de subsídios e protecionismos descabidos`, discursou, usando pela primeira vez um teleprompter transparente (recurso de projeção dos textos numa tela à sua frente).
Em um dos raros improvisos durante o discurso, Lula convocou os brasileiros para uma luta em favor da produção brasileira de etanol, motivo de controvérsia mundial. Segundo o presidente, os biocombustíveis são um setor estratégico para o país. `Os lobbies, por mais poderosos que sejam, não conseguirão bater os biocombustíveis. O Brasil não irá mudar seu comportamento de forma alguma, qualquer que seja a crítica que nos façam`, garantiu.
O ministro Mantega, por sua vez, espera `um grande surto de expansão da indústria naval`, que recebeu um pacote de bondades. Entre as medidas estão a suspensão da cobrança de IPI, PIS e Cofins (impostos) incidentes sobre peças e materiais destinados à construção de navios novos por estaleiros nacionais e a criação do fundo garantidor de performance, com valor inicial de R$ 400 milhões, para a indústria naval.
Data histórica
Lula lembrou que há 30 anos vivera um dia histórico, em 12 de maio de 1978, quando liderou sua primeira greve de peso, da Scania, na sede do Sindicato do ABC. Ao mesmo tempo, homenageou o ex-ministro do Planejamento dos governos militares de Médici e Geisel, o economista João Paulo dos Reis Velloso, segundo ele autor do último grande plano de desenvolvimento para o país. `Claro que naquela época o Estado era muito mais forte e o presidente tinha muito mais poder do que hoje. E eu preciso ter muito mais flexibilidade que vocês precisavam naquela época`, disse Lula, provocando risos da platéia. Dois ministros, Guido Mantega e Miguel Jorge, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, revezaram-se na tribuna para apresentar, ao longo de duas horas, o que o ministro do Desenvolvimento chamou de `saco de bondades (do governo) para os exportadores`.
Entre as ambiciosas metas do governo, que devem ser alcançadas até o fim do segundo mandato de Lula, estão o aumento do investimento direto na economia para 21% do PIB (em 2010 chegaria a R$ 620 bilhões); elevação dos investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB (R$ 18,2 bilhões); participação brasileira nas exportações mundiais de 1,5% do comércio mundial; além de mais 10% de micro e pequenas empresas incluídas no mercado exportador.
Os 25 setores escolhidos para integrar o programa são complexo industrial da saúde, tecnologias de informação e comunicação, energia nuclear, complexo industrial da defesa, nanotecnologia, biotecnologia, complexo automotivo, bens de capital, têxtil e confecções, madeira e móveis, higiene, perfumaria e cosméticos, construção civil, complexo de serviços, indústria naval e de cabotagem, couro, calçados e artefatos, agroindústrias, biodiesel, plásticos, complexo aeronáutico, petróleo, gás natural e petroquímica, bioetanol, mineração, siderurgia, celulose e carnes.
`Esse é um processo aberto e evolutivo que requer avanços na organização empresarial aos empresários e exigirá de nós do governo um grande esforço de gestão. Agora é fazer acontecer`, discursou Coutinho.
`Não é uma fantasia, um desejo do governo, mas uma realidade que já está sendo posta em prática`, fez coro Mantega`, lembrando que a maioria das medidas será enviada ao Congresso como medidas provisórias.. Ao lado do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), Lula aproveitou para pedir apoio ao Congresso na votação das medidas.
Jorge Gerdau, representante do Conselho Nacional do Desenvolvimento Industrial: `Não é com câmbio sobrevalorizado em parte nenhuma do mundo que se aumentam as exportações. Quero ver essa teoria virar realidade`.
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp): `Não existe nenhum país desenvolvido que não tenha registrado a ação do Estado indutor. A estadofobia que ataca uns e a estadolatria que afeta outros não têm sentido`.
Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda: `Eu esperava algo mais abrangente, não só para software, mas para outras empresas da cadeia de equipamentos eletroeletrônicos que estão sofrendo com a alta do real sobre o dólar`.
Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee): `O desafio será instituir um modelo de gestão ágil para acompanhar o cumprimento das metas listadas`.
Repórter: Ricardo Miranda
Fonte: Correio Braziliense
13/5/2008.
Governo lança pacote para favorecer, principalmente, a aplicação de dinheiro na produção de bens que serão vendidos a outros países. Renúncia fiscal vai atingir R$ 21,4 bilhões durante três anos Em clima festivo, com a presença de nove governadores, dez ministros, líderes industriais e sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu ontem a área econômica do governo para o Rio e anunciou, em tom solene, sua nova política industrial, que também é um socorro aos segmentos empresariais que sofrem com a valorização do real e a forte concorrência de produtos importados. O valor mais aguardado da Política de Desenvolvimento Produtivo foi a desoneração tributária, que será de R$ 21,4 bilhões entre 2008 e 2010.
O tamanho da renúncia fiscal — soma que o governo deixará de arrecadar — mostra, segundo industriais, uma clara interferência do presidente Lula na queda-de-braço com a Receita Federal, que queria jogar o valor para baixo. `Procuramos ser bastante ousados, mas não tão ousados quanto (queriam) o BNDES e o Ministério da Indústria e Comércio. O objetivo é baratear investimentos e exportações para garantir sustentabilidade do ciclo de crescimento em curso no país`, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevendo uma `nova onda de expansão das exportações`.
Entre as medidas (leia quadro) mais comemoradas pelos empresários está a redução da contribuição patronal para a seguridade social sobre a folha de pagamento para até 10% e da contribuição ao Sistema S para até zero, de acordo com a participação das exportações no faturamento da empresa. No total, serão mais de R$ 210 bilhões em investimentos até 2010 para 25 áreas prioritárias. Somados aos R$ 40 bilhões do Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (PACTI), o valor chegaria a R$ 250 bilhões. Após a cerimônia, empresários lamentaram a manutenção do real forte.
Muito aplaudido, Lula disse que está rompendo com `25 anos de descrença nas nossas próprias forças` e que seu governo reflete um longo e penoso aprendizado. `Aprendemos que não queremos inflação. Aprendemos que queremos um governo com suas contas em dia. Aprendemos que as empresas não podem ser eternamente ineficientes e viver às custas de subsídios e protecionismos descabidos`, discursou, usando pela primeira vez um teleprompter transparente (recurso de projeção dos textos numa tela à sua frente).
Em um dos raros improvisos durante o discurso, Lula convocou os brasileiros para uma luta em favor da produção brasileira de etanol, motivo de controvérsia mundial. Segundo o presidente, os biocombustíveis são um setor estratégico para o país. `Os lobbies, por mais poderosos que sejam, não conseguirão bater os biocombustíveis. O Brasil não irá mudar seu comportamento de forma alguma, qualquer que seja a crítica que nos façam`, garantiu.
O ministro Mantega, por sua vez, espera `um grande surto de expansão da indústria naval`, que recebeu um pacote de bondades. Entre as medidas estão a suspensão da cobrança de IPI, PIS e Cofins (impostos) incidentes sobre peças e materiais destinados à construção de navios novos por estaleiros nacionais e a criação do fundo garantidor de performance, com valor inicial de R$ 400 milhões, para a indústria naval.
Data histórica
Lula lembrou que há 30 anos vivera um dia histórico, em 12 de maio de 1978, quando liderou sua primeira greve de peso, da Scania, na sede do Sindicato do ABC. Ao mesmo tempo, homenageou o ex-ministro do Planejamento dos governos militares de Médici e Geisel, o economista João Paulo dos Reis Velloso, segundo ele autor do último grande plano de desenvolvimento para o país. `Claro que naquela época o Estado era muito mais forte e o presidente tinha muito mais poder do que hoje. E eu preciso ter muito mais flexibilidade que vocês precisavam naquela época`, disse Lula, provocando risos da platéia. Dois ministros, Guido Mantega e Miguel Jorge, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, revezaram-se na tribuna para apresentar, ao longo de duas horas, o que o ministro do Desenvolvimento chamou de `saco de bondades (do governo) para os exportadores`.
Entre as ambiciosas metas do governo, que devem ser alcançadas até o fim do segundo mandato de Lula, estão o aumento do investimento direto na economia para 21% do PIB (em 2010 chegaria a R$ 620 bilhões); elevação dos investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB (R$ 18,2 bilhões); participação brasileira nas exportações mundiais de 1,5% do comércio mundial; além de mais 10% de micro e pequenas empresas incluídas no mercado exportador.
Os 25 setores escolhidos para integrar o programa são complexo industrial da saúde, tecnologias de informação e comunicação, energia nuclear, complexo industrial da defesa, nanotecnologia, biotecnologia, complexo automotivo, bens de capital, têxtil e confecções, madeira e móveis, higiene, perfumaria e cosméticos, construção civil, complexo de serviços, indústria naval e de cabotagem, couro, calçados e artefatos, agroindústrias, biodiesel, plásticos, complexo aeronáutico, petróleo, gás natural e petroquímica, bioetanol, mineração, siderurgia, celulose e carnes.
`Esse é um processo aberto e evolutivo que requer avanços na organização empresarial aos empresários e exigirá de nós do governo um grande esforço de gestão. Agora é fazer acontecer`, discursou Coutinho.
`Não é uma fantasia, um desejo do governo, mas uma realidade que já está sendo posta em prática`, fez coro Mantega`, lembrando que a maioria das medidas será enviada ao Congresso como medidas provisórias.. Ao lado do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), Lula aproveitou para pedir apoio ao Congresso na votação das medidas.
Jorge Gerdau, representante do Conselho Nacional do Desenvolvimento Industrial: `Não é com câmbio sobrevalorizado em parte nenhuma do mundo que se aumentam as exportações. Quero ver essa teoria virar realidade`.
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp): `Não existe nenhum país desenvolvido que não tenha registrado a ação do Estado indutor. A estadofobia que ataca uns e a estadolatria que afeta outros não têm sentido`.
Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda: `Eu esperava algo mais abrangente, não só para software, mas para outras empresas da cadeia de equipamentos eletroeletrônicos que estão sofrendo com a alta do real sobre o dólar`.
Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee): `O desafio será instituir um modelo de gestão ágil para acompanhar o cumprimento das metas listadas`.
Repórter: Ricardo Miranda
Fonte: Correio Braziliense
13/5/2008.