Avanço da educação básica do Brasil em 2007 teve contribuição da Bahia

24/07/2008
Com um crescimento de 25,9%, a Bahia foi um dos estados responsáveis pelo avanço de 10% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do Brasil (Ideb) no ano passado. Os números do Ministério da Educação (MEC) foram divulgados nesta quinta-feira (24) pelo governador Jaques Wagner na abertura do Seminário Educação e Convivência no Campo, no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador.

O evento, promovido por meio da parceria entre a Secretaria Estadual da Educação (SEC), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Rede de Educação do Semi-árido Brasileiro (Resab), reuniu também representantes de 52 municípios da região, educadores e integrantes de organizações não-governamentais (ONGs) ligadas ao setor.

Serão discutidos até esta sexta-feira (25) temas ligados à capacitação de estudantes do ensino fundamental e da alfabetização, além da evasão escolar e adaptação da educação às práticas do campo.

Somente no semi-árido baiano vivem 7 milhões de pessoas e 50% estão na linha de pobreza. A coordenadora de Educação do Unicef, Salte Silva, afirmou que esses números também estão diretamente ligados à ausência de crianças e adolescentes na escola.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que em 2006 a Bahia ainda não havia universalizado o ensino fundamental. No mesmo período, apenas 26% das pessoas com idade entre 15 e 17 anos freqüentavam a escola nessa região e pouco mais de 10% delas conseguiam concluir o ensino médio.

Para mudar essa realidade, o coordenador regional do Unicef, Rui Pavan, defendeu a contextualização dos ensinos básico, fundamental e médio no semi-árido. Segundo ele, a Bahia teve um avanço significativo em 2007, mas ainda precisa cumprir outras etapas.

Entre os pontos positivos destacados por Pavan, está o Programa Todos pela Alfabetização (Topa), que capacitou 171 mil baianos no ano passado, grande parte deles nos municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). `É preciso ainda vencer problemas como a falta de infra-estrutura, qualidade e evasão escolar, principalmente no ensino básico. Outro desafio é aliar a educação à realidade vivida nos municípios do semi-árido`, avaliou o coordenador.

Nesse sentido, o governo da Bahia, via Secretaria da Educação, está colocando em prática o Programa Saberes da Terra, que receberá R$ 15 milhões do MEC e atenderá a 5,7 mil pessoas.

O secretário Adeum Sauer disse que o programa consiste em qualificar os alunos do ensino fundamental com relação às demandas e especificidades do campo. `Além disso, estamos estimulando o ensino técnico profissionalizante e apoiando escolas municipais que sequer possuíam água e energia elétrica`, ressaltou.

Capacitação de 40 mil estudantes da zona rural

Algumas das experiências bem-sucedidas foram mostradas pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC) durante o seminário. O MOC atua com parcerias e convênios, em 22 municípios da região sisaleira e já capacitou 40 mil estudantes da zona rural.

Um dos coordenadores do movimento, Neidson Batista, explicou que o trabalho passa pela capacitação de educadores das escolas municipais e pela adequação da realidade do semi-árido à sala de aula. `Percebemos muitos avanços em disciplinas como Português e Matemática`, disse.

Outro projeto desenvolvido pelo MOC é o Baú de Leitura, que já chegou a 23 mil crianças e envolve cerca de mil educadores e 942 escolas em 47 municípios baianos.

Fonte: Agecom

Em 24/07/2008.