ETH Bioenergia pode ter parceria com Petrobras

19/02/2010
Após anunciar a compra da Brenco, numa operação que deu origem a uma das maiores produtoras mundiais de etanol, a ETH Bionergia confirmou ontem que `existem conversas` com a Petrobras para uma parceria na construção de um alcoolduto. As duas empresas têm projetos próprios para o transporte de etanol por meio de dutos, e a intenção seria juntar os dois empreendimentos. A ETH Bionergia deve ser também líder em energia elétrica a partir da biomassa com capacidade de gerar 2.700 gigawatts (GW)/hora/ano.

O presidente da ETH, José Carlos Grubisich, que vai presidir a empresa que nasce da fusão com a Brenco, não quis comentar a possibilidade de a estatal também ser sócia na nova companhia nos moldes da associação recente entre Cosan e Shell. Ele confirmou, no entanto, o processo de abertura de capital da ETH entre o final de 2011 e início de 2012.

— Existem conversas com a Petrobras, já que o nosso alcooduto é complementar ao deles. Estamos em constante contato com as empresas de petróleo, mas não temos nada nos moldes de Cosan e Shell — desconversou Grubisich

. A entrada da Petrobras no negócio do etanol via ETH é vista pelos especialistas do setor como uma ótima oportunidade de a estatal garantir sua presença na exploração de álcool no país e, de quebra, segurar o crescimento dos investimentos de estrangeiros na produção e distribuição do produto no mercado nacional

. Para o presidente da Unica, entidade que reúne as usinas de açúcar e álcool do país, Marcos Jank, a união ETHBrenco fortalece a presença do capital brasileiro.

A nova empresa que surgirá da fusão de ETH e Brenco, cujos ativos estão avaliados em R$ 7 bilhões, pretende ser a maior produtora de etanol do mundo até 2012, com capacidade de moagem de 40 milhões de toneladas de cana e produção de 3 bilhões de litros por ano em nove usinas.

O programa de investimentos prevê até 2012 a aplicação de mais R$ 3,5 bilhões, somando R$ 7,3 bilhões com os R$ 3,8 bilhões realizados até 2009.

— O casamento das duas empresas está criando a maior empresa de etanol do mundo. O alcooduto é a melhor forma de transportar combustível líquido pela segurança e pelo custo — disse Philippe Reichstul, presidente da Brenco e ex-presidente da Petrobras, que vai se afastar do negócio a partir de abril, no processo de transição.


Autor(es): Agencia O Globo/Lino Rodrigues e Henrique Gomes Batista

O Globo - 19/02/2010