13/08/2007
LONDRES - Apesar do movimento positivo que domina os mercados neste início desta semana, o ambiente entre investidores é de intenso nervosismo. A avaliação consensual é que os problemas nascidos da crise no setor de hipotecas subprime (de alto risco) estão ainda longe de serem totalmente conhecidos e novas surpresas negativas inevitavelmente emergirão, garantindo a continuidade da volatilidade pelo menos no curto prazo.
`Depois dessa calmaria, certamente vem outra tempestade`, disse um estrategista de um banco norte-americano em Londres. Além disso, indicadores que mostrem a saúde da economia dos Estados Unidos, com o índice inflacionário ao consumidor (CPI) na próxima quarta-feira, voltarão a ter relevância, calibrando as expectativas com os próximos passos do Federal Reserve.
A questão que vale bilhões ou trilhões de dólares é saber qual será a duração da volatilidade. Será apenas temporária, como a maioria dos analistas ainda aposta escorados no argumento de que os fundamentos da economia global continuam positivos? Ou estaríamos apenas diante da ponta de um iceberg de aperto no crédito e crescente aversão ao risco cujas conseqüências poderão ser muito mais nefastas e duradouras, inclusive gerando uma recessão nos Estados Unidos?
A intensa cobertura na imprensa internacional neste fim de semana sobre a volatilidade financeira refletiu essas dúvidas que atormentam os agentes de mercado. Jornais britânicos, por exemplo, variaram seus enfoques, alguns aventando a possibilidade de estarmos diante de uma nova crise sistêmica, enquanto outros manifestaram confiança na capacidade dos bancos centrais evitarem o pior.
A ação dos BCs, que injetaram desde a semana passada bilhões de dólares para conter o aperto no crédito, é alvo de debate. No jornal britânico The Guardian, por exemplo, um articulista alertou que as autoridades monetárias apenas agravaram a situação, se precipitando na intervenção e sinalizando para os mercados que a situação pode ser muito mais grave do que se pensa.
De qualquer maneira, há pelo menos um ponto de consenso entre analistas neste momento: a volatilidade deve continuar no curto prazo. `Os bancos centrais provavelmente fizeram o suficiente para verem os mercados se consolidarem por uns dois dias, mas o sentimento continua muito frágil`, disse o economista do Royal Bank of Scotland, David Simmons. `O foco nesta tarde estará nos Estados Unidos, onde queremos ver se o Fed vai injetar liquidez, e como as bolsas vão abrir.`
O economista do Dresdner Kleinwort, Kevin Logan, avalia que os mercados estão passando por um processo de `desengajamento`, no qual investidores e financiadores estão retirando liquidez dos mercados financeiros por causa das incertezas em torno da capacidade de pagamento de seus parceiros. `Isso pode ser superado em algumas semanas`, disse. `Ou pode exigir uma ação mais agressiva do Fed para restaurar uma sensação de que os mercados estão funcionando normalmente`, ponderou.
Logan, no entanto, salientou que uma coisa está clara: `a economia norte-americana está muito mais vulnerável a uma forte desaceleração econômica ou a uma recessão neste ano do que estava durante o último período de desengajamento em 1998`.
Fonte: João Caminoto, da Agência Estado
Em 13/08/2007.
`Depois dessa calmaria, certamente vem outra tempestade`, disse um estrategista de um banco norte-americano em Londres. Além disso, indicadores que mostrem a saúde da economia dos Estados Unidos, com o índice inflacionário ao consumidor (CPI) na próxima quarta-feira, voltarão a ter relevância, calibrando as expectativas com os próximos passos do Federal Reserve.
A questão que vale bilhões ou trilhões de dólares é saber qual será a duração da volatilidade. Será apenas temporária, como a maioria dos analistas ainda aposta escorados no argumento de que os fundamentos da economia global continuam positivos? Ou estaríamos apenas diante da ponta de um iceberg de aperto no crédito e crescente aversão ao risco cujas conseqüências poderão ser muito mais nefastas e duradouras, inclusive gerando uma recessão nos Estados Unidos?
A intensa cobertura na imprensa internacional neste fim de semana sobre a volatilidade financeira refletiu essas dúvidas que atormentam os agentes de mercado. Jornais britânicos, por exemplo, variaram seus enfoques, alguns aventando a possibilidade de estarmos diante de uma nova crise sistêmica, enquanto outros manifestaram confiança na capacidade dos bancos centrais evitarem o pior.
A ação dos BCs, que injetaram desde a semana passada bilhões de dólares para conter o aperto no crédito, é alvo de debate. No jornal britânico The Guardian, por exemplo, um articulista alertou que as autoridades monetárias apenas agravaram a situação, se precipitando na intervenção e sinalizando para os mercados que a situação pode ser muito mais grave do que se pensa.
De qualquer maneira, há pelo menos um ponto de consenso entre analistas neste momento: a volatilidade deve continuar no curto prazo. `Os bancos centrais provavelmente fizeram o suficiente para verem os mercados se consolidarem por uns dois dias, mas o sentimento continua muito frágil`, disse o economista do Royal Bank of Scotland, David Simmons. `O foco nesta tarde estará nos Estados Unidos, onde queremos ver se o Fed vai injetar liquidez, e como as bolsas vão abrir.`
O economista do Dresdner Kleinwort, Kevin Logan, avalia que os mercados estão passando por um processo de `desengajamento`, no qual investidores e financiadores estão retirando liquidez dos mercados financeiros por causa das incertezas em torno da capacidade de pagamento de seus parceiros. `Isso pode ser superado em algumas semanas`, disse. `Ou pode exigir uma ação mais agressiva do Fed para restaurar uma sensação de que os mercados estão funcionando normalmente`, ponderou.
Logan, no entanto, salientou que uma coisa está clara: `a economia norte-americana está muito mais vulnerável a uma forte desaceleração econômica ou a uma recessão neste ano do que estava durante o último período de desengajamento em 1998`.
Fonte: João Caminoto, da Agência Estado
Em 13/08/2007.