Indústria acelera ritmo de produção em 2008

06/03/2008
Entre os itens pesquisados, o principal destaque positivo entre dezembro e janeiro foi de veículos automotores, com alta de 9%, depois de uma queda de 7,5% no último mês de 2007. O setor teve a maior contribuição para a alta de 1,8% da indústria geral. No total, 88% dos produtos pesquisados pelo IBGE nesse setor tiveram aumento de produção. A seguir, o maior peso veio de outros produtos químicos, com alta de 14,6% e índice de difusão de 58%, graças à maior produção de herbicidas, inseticidas, tintas e vernizes.

Em sentido contrário, a maior queda foi de máquinas para escritório e de informática, com recuo de 10,9% e redução na produção de 80% dos produtos pesquisados. Segundo Sales, depois de subir 14,4% em 2007, o setor aponta para a existência de estoques elevados, o que levou a uma redução na produção nos últimos dois meses.`Além disso, o setor de informática também pode estar sofrendo com o aumento das importações de partes de computadores para montagem aqui ` , explicou Sales.

O técnico do IBGE ponderou ainda que mesmo a queda de 0,3% no indicador da média móvel trimestral para o conjunto da indústria -- o primeiro recuo desde julho de 2006 - pode ser considerado um ajuste pontual e não uma mudança de tendência. `Não há sinal de inflexão na curva. A queda da média móvel aconteceu por causa da saída de outubro, mês de recorde na produção`, afirmou Sales.

O técnico do IBGE chamou a atenção para os níveis recorde atingidos pela produção de bens intermediários e de bens de consumo duráveis. Os bens intermediários avançaram 1,3% em relação a dezembro, o que, segundo Sales, indica um possível impacto positivo na produção de bens finais no futuro.`Os bens intermediários são o grupo mais pesado e subiram 1,3% pelo segundo mês seguido. Este foi o principal fator explicativo para a alta de 1,8% para a indústria geral` , acrescentou.

Para Antonio Licha, economista coordenador do Grupo de Conjuntura do Instituto de Economia (IE), da UFRJ, esta aceleração da atividade fabril faz parte do próprio ciclo econômico de crescimento que o país está vivendo. `É uma espécie de fato estilizado do ciclo. A aceleração decorre de uma reação em cadeia dos diversos setores da economia, sustentada pela demanda doméstica, cujo aquecimento tem surpreendido os analistas.`

O comportamento do setor de bens de capital foi interpretado por Licha como pontual. `Pode ser um ajuste, já que o setor vinha crescendo a taxas muito elevadas. Ou uma concentração de encomendas no tempo. Mas o patamar dessa indústria deve continuar elevado, pois os investimentos continuam estão crescendo`, avalia o economista.

Nos próximos meses, porém, Licha prevê que a indústria pode crescer a taxa mais baixas, entre 6% e 7%. `O patamar de 8% é difícil de sustentar.` Essa pequena desaceleração, segundo ele, será fruto das dificuldades que as empresas vão enfrentar para captar recursos no exterior, seja via colocação de debêntures, seja de ações.`Muitas empresas já suspenderam programas de abertura de capital (IPO na sigla em inglês) por conta da crise americana, que tem reduzido a oferta de crédito externo.`

Licha avalia, contudo, que esta desaceleração `suave` não é nada que faça pensar que a economia no país possa crescer menos de 5% em 2008. Para o economista, 5% é piso. `Quem está prevendo um PIB de 4,5% está subestimando o desempenho forte da indústria`, diz Licha.

Para fevereiro, a consultoria Rosenberg & Associados avalia que os indicadores antecedentes da atividade econômica do mês não dão sinais de arrefecimento no ritmo de expansão das fábricas. O consumo de energia elétrica avançou 3,6% ante o mesmo período do ano passado e 1,1% contra janeiro, com ajuste sazonal. A venda de veículos (automóveis, caminhões e ônibus) aumentou 36,9%, depois de uma expansão de 40,7% em janeiro.

Em 2008, os economistas da Rosenberg trabalham com manutenção da expansão da massa salarial e do crédito, mas a taxas menores que as de 2007. No cenário da consultoria, o desaquecimento da economia mundial também pode levar a indústria brasileira a crescer a uma taxa menor que a taxa de 6% atingida em 2007.

Fonte: Valor Econômico

Em 6/3/2008.