PREOCUPAÇÕES COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DERRUBAM BOLSAS

11/03/2008
A Bovespa seguiu a tendência mundial de queda e ficou abaixo dos 60 mil pontos; desde o pico de 28 de fevereiro, a perda é de 8,47%. O dólar avançou 1,3% e ultrapassou os R$ 1,70.

Preocupações com a saúde de financeira de bancos importantes fizeram com que as Bolsas americanas voltassem a ter um dia negativo ontem, arrastando também outros mercados. Surgiram rumores de que o banco Bear Stearns enfrenta problemas de liquidez e que o rival Lehman Brothers irá demitir 5% dos funcionários. Além disso, o Citigroup disse que os principais bancos de investimento americanos devem ter novas baixas contábeis bilionárias. Com as ações de bancos e corretoras sofrendo forte desvalorização, os mercados dos EUA tiveram o terceiro pregão consecutivo de queda. O índice Dow Jones caiu 1,29% -no mês, ele já retrocedeu 4,29%. O S&P 500 se desvalorizou em 1,55%, e a Nasdaq, de alta tecnologia, 1,95%. A Bovespa caiu 3,02%. Com os problemas no mundo financeiro, os investidores aumentaram suas apostas em commodities como o petróleo, que subiu 2,62%, para US$ 107,90, valor recorde.

Os rumores sobre o Bear Stearns ganharam força depois que a agência de classificação de risco Moody`s rebaixou a nota de alguns de seus títulos lastreados em hipotecas Alt-A, que é o meio-termo entre as `prime` (de primeira linha) e as `subprime` (de alto risco).

A especulação derrubou as ações do quinto maior banco de investimento dos EUA em 11,1% e fez seus dirigentes saírem em sua defesa. Para Alan Greenberg, ex-presidente-executivo e chefe do seu comitê executivo, os rumores sobre a falta de liquidez são `totalmente ridículos`. Já Alan Schwartz, atual CEO, disse que a liquidez da instituição `continua forte`. O rival Lehman Brothers também sofreu forte desvalorização, depois que a TV CNBC disse que ele pretende demitir mais 1.400 funcionários -no ano passado, ele eliminou cerca de 4.000 vagas. Os papéis da corretora caíram 7,29% ontem. O Lehman Brothers e o Bear Stearns divulgam seus balanços do primeiro trimestre fiscal na semana que vem. Outros bancos também tiveram perdas expressivas. As ações do Citigroup caíram 5,74%, e as do Merrill Lynch, 5,20% -os dois bancos perderam quase US$ 10 bilhões no quarto trimestre de 2007. As do Morgan Stanley retrocederam 3,91%, e as do Goldman Sachs se desvalorizaram em 2,81%.

As preocupações com o setor financeiro aumentaram depois que um relatório de um analista do Citigroup afirmou que o Goldman Sachs pode ter baixa contábil (revisão dos valores de ativos) de US$ 3,2 bilhões, e o Merrill Lynch, de US$ 2,9 bilhões. Morgan Stanley e Lehman Brothers também teriam perdas bilionárias. As incertezas derrubaram ainda mais as ações da Ambac e da MBIA, as duas maiores seguradoras de títulos financeiros do mundo e que são uma das principais preocupações dos mercados. Caíram 23,26% e 10,18%, respectivamente. Desde o início do ano, os papéis da Ambac tiveram queda de 71,7%. Os da MBIA, de 39,46%. Já as ações da Blackstone, umas das maiores empresas de `private equity` (de capital privado) do mundo, subiram 2,88% apesar da queda de 89% no lucro no último trimestre de 2007, para US$ 88 milhões.

Desenvolvidos têm peso maior na economia

Apesar dos pedidos do presidente do BCE (Banco Central Europeu), o francês Jean-Claude Trichet, é difícil enxergar um cenário em que os mercados emergentes possam compensar a desaceleração nos países desenvolvidos. Isso porque esses, com exceção da China, têm peso muito menor na economia mundial que aqueles. O PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, por exemplo, é mais que o dobro da soma das economias dos Brics (o grupo de emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China) em 2007, segundo projeções de outubro do FMI. A China disputa com a Alemanha o posto de terceira maior economia mundial, mas a diferença é enorme na relação PIB per capita. A diferença também se reflete nas relações comerciais. A China foi o terceiro maior importador e exportador de mercadorias em 2006, mas os demais integrantes Brics ficaram muito distantes dos países desenvolvidos.

Fonte: Folha de S. Paulo

Em 11/3/2008.