27/03/2008
O jardineiro José Arlindo Santos de Jesus, 54 anos, tem até o meio-dia desta quinta-feira (27) para sair do vão onde mora - segundo ele, há 11 anos - com quatro filhos com idades entre 5 e 10 anos. O prazo foi dado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), em ação realizada às 9 horas da manhã de ontem, no trecho da BR-324, próximo ao viaduto na entrada do bairro de Águas Claras. Permanecer com os filhos no único cômodo foi a alternativa utilizada pelo jardineiro para que a casa não fosse destruída.
Os técnicos do órgão já deixaram no chão uma barraca onde Arlindo, que está desempregado, vendia cigarros e bebidas. `Eles vieram aqui ontem (anteontem) dizendo que eu deveria sair. Respondi que só iam derrubar se fosse comigo e meus filhos dentro`.
Em nota, a Conder informou que a ação `está respaldada por mandado de imissão de posse concedida pela Justiça (6ª Vara da Fazenda Pública)`.
Um dos técnicos da Conder teria dito que Arlindo deveria procurar uma casa com aluguel até o valor de R$ 200 e levar o proprietário até a sede do órgão para firmar contrato. `Eles me falaram que, durante três meses, iam pagar a casa e, nesse prazo, sairia a minha indenização`, relatou.
No texto divulgado pela assessoria de imprensa, a Conder `não descarta a possibilidade de vir a indenizar possíveis benfeitorias introduzidas pelos ocupantes, desde que devidamente comprovadas e de terem sido feitas de boa-fé`. Diante da situação inesperada, o jardineiro voltou a nutrir o desejo antigo de voltar a Amargosa (a 248 km de Salvador), sua cidade natal. `Lá, pelo menos, tenho minha família, que pode me ajudar a criar meus filhos.
Mesmo assim, preciso de alguém que me ajude com o transporte para chegar lá. Minha mulher me deixou, mas não posso largar meus filhos`, lamentou.
No terreno, também funcionava uma oficina há 10 anos. O mecânico Manuel do Socorro, 37 anos, ficou sabendo ontem que não poderia mais ficar no local onde trabalha com mais 10 amigos.
`No espaço não funcionava nada. Aí juntei alguns amigos e ganhamos a vida assim. Agora está todo mundo sem emprego e com família para sustentar`.
Órgão anuncia construção de obra bancada pelo PAC
A desocupação da área próxima a Águas Claras, na BR-324, foi motivada pela implantação do Sistema Viário Águas Claras - Pirajá e a construção de 270 unidades habitacionais destinadas a famílias de baixa renda, já cadastradas pela Conder, além de rede de água e esgotos, quadra poli esportiva e um centro comunitário.
A obra está orçada em R$ 15,4 milhões, sendo R$ 12,6 mi recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os R$ 2,8 mi restantes são contrapartida do Estado.
A presidente da Conder, Maria Del Carmen, não foi encontrada pela reportagem para dar detalhes dos projetos. Segundo a assessoria do órgão, somente ela, que passou o dia ontem em Brasília, poderia falar sobre o assunto. A informação dada pelo jardineiro José Arlindo e o mecânico Manuel do Socorro, de que estariam ocupando a casa há pelo menos 10 anos, no entanto, foi contestada. De acordo com a assessoria, a Conder dispõe de fotos aéreas de 2006 e elas mostram que a área estava desocupada.
ALUGUEL - Técnicos da Conder já mediram, fotografaram a casa de José Arlindo e levarão o material à comissão de avaliação do órgão para aferir o valor da indenização que será paga a ele. Será tomada como base de cálculo a benfeitoria feita pelo jardineiro no imóvel. Enquanto aguarda o andamento do processo, José Arlindo ficará em uma casa alugada, com aluguel pago pela Conder, como garantiu a assessoria de imprensa, que informou também que este é um procedimento comum utilizado pela Conder quando necessita remover famílias para realizar intervenções.
Repórteres: MEIRE OLIVEIRA
mroliveira@grupoatarde.com.br
VALMAR HUPSEL FILHO
vhupsel@grupoatarde.com.br
Fonte: Jornal A Tarde
Em 27/03/2008.
Os técnicos do órgão já deixaram no chão uma barraca onde Arlindo, que está desempregado, vendia cigarros e bebidas. `Eles vieram aqui ontem (anteontem) dizendo que eu deveria sair. Respondi que só iam derrubar se fosse comigo e meus filhos dentro`.
Em nota, a Conder informou que a ação `está respaldada por mandado de imissão de posse concedida pela Justiça (6ª Vara da Fazenda Pública)`.
Um dos técnicos da Conder teria dito que Arlindo deveria procurar uma casa com aluguel até o valor de R$ 200 e levar o proprietário até a sede do órgão para firmar contrato. `Eles me falaram que, durante três meses, iam pagar a casa e, nesse prazo, sairia a minha indenização`, relatou.
No texto divulgado pela assessoria de imprensa, a Conder `não descarta a possibilidade de vir a indenizar possíveis benfeitorias introduzidas pelos ocupantes, desde que devidamente comprovadas e de terem sido feitas de boa-fé`. Diante da situação inesperada, o jardineiro voltou a nutrir o desejo antigo de voltar a Amargosa (a 248 km de Salvador), sua cidade natal. `Lá, pelo menos, tenho minha família, que pode me ajudar a criar meus filhos.
Mesmo assim, preciso de alguém que me ajude com o transporte para chegar lá. Minha mulher me deixou, mas não posso largar meus filhos`, lamentou.
No terreno, também funcionava uma oficina há 10 anos. O mecânico Manuel do Socorro, 37 anos, ficou sabendo ontem que não poderia mais ficar no local onde trabalha com mais 10 amigos.
`No espaço não funcionava nada. Aí juntei alguns amigos e ganhamos a vida assim. Agora está todo mundo sem emprego e com família para sustentar`.
Órgão anuncia construção de obra bancada pelo PAC
A desocupação da área próxima a Águas Claras, na BR-324, foi motivada pela implantação do Sistema Viário Águas Claras - Pirajá e a construção de 270 unidades habitacionais destinadas a famílias de baixa renda, já cadastradas pela Conder, além de rede de água e esgotos, quadra poli esportiva e um centro comunitário.
A obra está orçada em R$ 15,4 milhões, sendo R$ 12,6 mi recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os R$ 2,8 mi restantes são contrapartida do Estado.
A presidente da Conder, Maria Del Carmen, não foi encontrada pela reportagem para dar detalhes dos projetos. Segundo a assessoria do órgão, somente ela, que passou o dia ontem em Brasília, poderia falar sobre o assunto. A informação dada pelo jardineiro José Arlindo e o mecânico Manuel do Socorro, de que estariam ocupando a casa há pelo menos 10 anos, no entanto, foi contestada. De acordo com a assessoria, a Conder dispõe de fotos aéreas de 2006 e elas mostram que a área estava desocupada.
ALUGUEL - Técnicos da Conder já mediram, fotografaram a casa de José Arlindo e levarão o material à comissão de avaliação do órgão para aferir o valor da indenização que será paga a ele. Será tomada como base de cálculo a benfeitoria feita pelo jardineiro no imóvel. Enquanto aguarda o andamento do processo, José Arlindo ficará em uma casa alugada, com aluguel pago pela Conder, como garantiu a assessoria de imprensa, que informou também que este é um procedimento comum utilizado pela Conder quando necessita remover famílias para realizar intervenções.
Repórteres: MEIRE OLIVEIRA
mroliveira@grupoatarde.com.br
VALMAR HUPSEL FILHO
vhupsel@grupoatarde.com.br
Fonte: Jornal A Tarde
Em 27/03/2008.