Museu a céu aberto vai proteger sítios arqueológicos em Paulo Afonso

17/07/2008
Mais de 100 sítios arqueológicos da região do cânion do São Francisco, em Paulo Afonso, com pinturas rupestres datadas de 9 mil anos, vão ser protegidos pelo Museu a Céu Aberto de Artes Rupestres, criado em parceria pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

O projeto do museu vai ser apresentado à comunidade e autoridades nesta quinta-feira (17), às 15h, na Uneb, em Paulo Afonso, durante o evento em comemoração pelo cinqüentenário do município.

As artes rupestres, sinais e figuras pintados pelos homens primitivos em rochas e paredes de cavernas, estão gravadas em rochedos graníticos do sertão baiano. `Desde 1950, são alvo da ação da população, que quebrava o granito para a produção e venda de paralelepípedo e brita, destruindo nossa memória, sem nem ao menos conhecê-la`, disse o diretor do Departamento de Educação do Campus VIII da Uneb, Juracy Marques.

Além de barrar a destruição do acervo, a iniciativa visa implantar atividades turísticas no local, garantindo renda para a comunidade, que antes sobrevivia da extração do minério. A proposta é instalar, inicialmente, 10 passarelas em diferentes áreas-piloto, a fim de que visitantes e pesquisadores tenham acesso aos sítios, preservando as gravuras. As passarelas serão de madeira certificada, um padrão exigido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). `Aos visitantes será cobrada uma pequena taxa para garantir renda à comunidade`, explicou Marques. Ele disse ainda que a extração de granito está paralisada devido a uma ação do Ministério Público Federal.

Memória cultural

Grafismos puros, que lembram sinais geométricos como círculos, semicírculos, linhas paralelas e entrecruzadas, representam a relevância histórica dos sítios, segundo Cleonice Vergne, arqueóloga do Centro de Arqueologia e Antropologia de Paulo Afonso (Caapa/Uneb). `Na região, não há incidência de figuras reconhecíveis em uma área ampla. O próximo passo é descobrir por que nesse espaço há a preferência apenas pelo grafismo puro`, disse.

Para ela, a construção do museu permitirá também o acesso das pessoas a um pouco da história tradicional do Nordeste. `Nossa proposta é dar à sociedade um retorno, para que ela se aproprie do seu patrimônio`, afirmou. Haverá ações educativas para crianças, jovens e adultos da região, sobre a herança de negros quilombolas, homens pré-históricos do Baixo São Francisco e de comunidades de fundo de pasto.

`Estas são provas documentais da presença humana pré-colonial que permitem estudar a identidade brasileira dos que viveram em nosso território há pelo menos 9 mil anos`, destacou Marques. Ainda segundo ele, cerca de 50 sítios foram completamente destruídos. As principais localidades de ocorrência são os povoados de Rio do Sal, Lagoas das Pedras, Mão Direita e Malhada Grande.

Fonte: Agecom

Em 17/07/2008.