20/11/2008
Apesar dos receios mundiais em relação ao desenrolar da crise financeira, agentes do setor elétrico brasileiro enxergam uma luz no fim do túnel para os consumidores de energia e acreditam na possibilidade de o preço do insumo sofrer redução a partir de 2009. `A crise deve ser vista como oportunidade. Todos estimam que haverá diminuição no consumo de energia, o que vai gerar uma folga entre as curvas de oferta e demanda e, consequentemente, um recuo no preço do megawatt (MW)`, diz Raimundo Batista, presidente da consultoria e comercializadora Enecel, durante o evento realizado em Belo Horizonte para comemorar os 20 anos de existência da empresa.
O cenário traçado por Batista vale sobretudo para o mercado livre (sem vínculo com uma distribuidora e composto por grandes consumidores), que `é mais baseado no preço de curto prazo`.
Segundo o presidente da Enecel, em 2003 os contratos bilaterais do mercado livre eram fechados em torno de US$ 25 por megawatt-hora (MWh) e em 2008 o valor saltou para cerca de US$ 80 o MWh. `Há uma tendência de queda no preço da energia e para 2013 acredito que os contratos serão fechados a cerca de US$ 30 por MWh`, estima o especialista. Bernardo Salomão, diretor da mineira Cemig, Miroel Wolowski, diretor da Tractebel (maior geradora privada do Brasil) e Amilcar Guerreiro, diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), concordam com Batista em relação à tendência de redução no valor da energia, mas preferem não estimar em quanto ficará o valor do megawatt.
Enquanto os agentes do setor elétrico discutiam o futuro do mercado livre de energia, Eduardo Giannetti, economista e cientista social, contextualizava as previsões em relação ao futuro da eletricidade com os acontecimentos da crise econômica mundial. `Estamos vivendo um momento de perplexidade e ansiedade no mundo e, para mim, há uma visão exagerada sobre o futuro`, afirma Giannetti, que salienta: `Acredito que deveria haver uma moderação no pessimismo que estamos vendo neste momento no mundo`. O economista classifica a crise como `uma desalavancagem necessária para a correção do sistema financeiro que está muito distante da economia real`. `No setor elétrico, eu posso dizer que este é o momento de o Brasil encontrar o equilíbrio entre a oferta e a demanda`, diz.
João Camilo Penna, ex-ministro de Indústria e Comércio, concorda com Giannetti e ressalta: `É preciso fortalecer o setor produtivo no País porque trata-se de algo real e palpável`. Guerreiro, da EPE, reforça que a redução no consumo se dará por conta da diminuição da atividade produtiva brasileira, que derrubará o Produto Interno Bruto (PIB). Por outro lado, os executivos concordam que, com a redução no preço na energia, poderá haver uma retomada da produção industrial. Giannetti estima que neste e nos próximos dois anos o Brasil terá um crescimento entre 2% e 3% no PIB. `O crescimento da demanda por energia é igual ao crescimento do PIB, portanto, se a taxa econômica subir 3%, o consumo elétrico subirá 3%`, afirma Batista, da Enecel.
Salomão, diretor da Cemig, comenta que a companhia já sente os efeitos da crise. `Até o fim do ano, esperamos computar crescimento de 8% no faturamento sobre 2007. Essa taxa está quase um ponto percentual abaixo da nossa projeção do início do ano`, afirma o diretor. `Mas em 2008 os efeitos serão amenos. Acredito que em 2009 terá uma redução mais forte no consumo de energia principalmente por parte da indústria`, diz Salomão.
O executivo afirma que a Cemig vai continuar crescendo, mas em ritmo mais lento. `Estamos 100% contratados para até 2012/13, por isso vamos continuar em ascensão`. Questionado sobre se a Cemig tem interesse em manter os investimentos e projetos de expansão, Salomão é enfático: `Vamos manter, inclusive, até o início da semana que vem, devemos anunciar a nossa participação no leilão das linhas de transmissão das usinas do rio Madeira`, antecipa, sem revelar os possíveis parceiros da empresa na disputa.
Wolowski, da Tractebel, demonstra tranqüilidade em relação aos efeitos da crise financeira. `Há uma diminuição da projeção da demanda e, além disso, a partir do ano que vem, haverá redução no preço da eletricidade`, diz. `Porém, nossos contratos já estão firmados e são de longo prazo`. Segundo ele, os contratos bilaterais feitos entre a geradora e os consumidores livres começam a vencer em 2014. `Até lá muito pode acontecer, nós temos forte geração de caixa e a dívida é de quase zero`, arremata.
Autor(es): Roberta Scrivano
Fonte: Gazeta Mercantil
20/11/2008.
O cenário traçado por Batista vale sobretudo para o mercado livre (sem vínculo com uma distribuidora e composto por grandes consumidores), que `é mais baseado no preço de curto prazo`.
Segundo o presidente da Enecel, em 2003 os contratos bilaterais do mercado livre eram fechados em torno de US$ 25 por megawatt-hora (MWh) e em 2008 o valor saltou para cerca de US$ 80 o MWh. `Há uma tendência de queda no preço da energia e para 2013 acredito que os contratos serão fechados a cerca de US$ 30 por MWh`, estima o especialista. Bernardo Salomão, diretor da mineira Cemig, Miroel Wolowski, diretor da Tractebel (maior geradora privada do Brasil) e Amilcar Guerreiro, diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), concordam com Batista em relação à tendência de redução no valor da energia, mas preferem não estimar em quanto ficará o valor do megawatt.
Enquanto os agentes do setor elétrico discutiam o futuro do mercado livre de energia, Eduardo Giannetti, economista e cientista social, contextualizava as previsões em relação ao futuro da eletricidade com os acontecimentos da crise econômica mundial. `Estamos vivendo um momento de perplexidade e ansiedade no mundo e, para mim, há uma visão exagerada sobre o futuro`, afirma Giannetti, que salienta: `Acredito que deveria haver uma moderação no pessimismo que estamos vendo neste momento no mundo`. O economista classifica a crise como `uma desalavancagem necessária para a correção do sistema financeiro que está muito distante da economia real`. `No setor elétrico, eu posso dizer que este é o momento de o Brasil encontrar o equilíbrio entre a oferta e a demanda`, diz.
João Camilo Penna, ex-ministro de Indústria e Comércio, concorda com Giannetti e ressalta: `É preciso fortalecer o setor produtivo no País porque trata-se de algo real e palpável`. Guerreiro, da EPE, reforça que a redução no consumo se dará por conta da diminuição da atividade produtiva brasileira, que derrubará o Produto Interno Bruto (PIB). Por outro lado, os executivos concordam que, com a redução no preço na energia, poderá haver uma retomada da produção industrial. Giannetti estima que neste e nos próximos dois anos o Brasil terá um crescimento entre 2% e 3% no PIB. `O crescimento da demanda por energia é igual ao crescimento do PIB, portanto, se a taxa econômica subir 3%, o consumo elétrico subirá 3%`, afirma Batista, da Enecel.
Salomão, diretor da Cemig, comenta que a companhia já sente os efeitos da crise. `Até o fim do ano, esperamos computar crescimento de 8% no faturamento sobre 2007. Essa taxa está quase um ponto percentual abaixo da nossa projeção do início do ano`, afirma o diretor. `Mas em 2008 os efeitos serão amenos. Acredito que em 2009 terá uma redução mais forte no consumo de energia principalmente por parte da indústria`, diz Salomão.
O executivo afirma que a Cemig vai continuar crescendo, mas em ritmo mais lento. `Estamos 100% contratados para até 2012/13, por isso vamos continuar em ascensão`. Questionado sobre se a Cemig tem interesse em manter os investimentos e projetos de expansão, Salomão é enfático: `Vamos manter, inclusive, até o início da semana que vem, devemos anunciar a nossa participação no leilão das linhas de transmissão das usinas do rio Madeira`, antecipa, sem revelar os possíveis parceiros da empresa na disputa.
Wolowski, da Tractebel, demonstra tranqüilidade em relação aos efeitos da crise financeira. `Há uma diminuição da projeção da demanda e, além disso, a partir do ano que vem, haverá redução no preço da eletricidade`, diz. `Porém, nossos contratos já estão firmados e são de longo prazo`. Segundo ele, os contratos bilaterais feitos entre a geradora e os consumidores livres começam a vencer em 2014. `Até lá muito pode acontecer, nós temos forte geração de caixa e a dívida é de quase zero`, arremata.
Autor(es): Roberta Scrivano
Fonte: Gazeta Mercantil
20/11/2008.