O executivo explicou que o aumento da geração de energia térmica é necessário para preservar o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas até novembro, quando termina o chamado período seco. Nos meses de seca, as chuvas são menos intensas nas nascentes dos rios e, com isso, o volume de água é menor, obrigando ao maior uso de água armazenada para girar as turbinas das usinas. No país, há térmicas movidas a gás, a carvão e a óleo combustível.
— Agora a geração térmica é necessária por segurança energética — explicou.
Segundo Chipp, atualmente os reservatórios estão bem elevados. No entanto, é preciso preservá-los para chegarem em novembro nos níveis mínimos de segurança estipulados pelo ONS. No próximo dia 30 de novembro, o nível dos reservatórios na Região Nordeste deve ser de, no mínimo, 20% de sua capacidade de armazenamento, e na Região Sudeste o nível-meta é de 39%.
ONS defende construção de mais termelétricas
Na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), no último dia 31 de maio, o governo decidiu que a hidrelétrica já poderia aumentar sua geração, considerando apenas a possibilidade de duas das três linhas saírem do sistema, sem risco de apagão. Com isso, a geração térmica foi reduzida na última semana.
— O objetivo da geração térmica é a segurança energética. Para a formação de estoques de segurança, para poupar os reservatórios, para chegarem nos níveis fixados e não termos problemas no próximo ano — destacou Chipp.
O presidente do ONS defendeu a necessidade de o país planejar a construção de mais termelétricas, sejam a gás natural, a Gás Natural Liquefeito (GNL) ou até mesmo a carvão.
Novas térmicas são necessárias, segundo ele, para atender de forma complementar o consumo de energia nos próximos anos. O executivo disse estar preocupado pelo fato de o Plano Decenal do setor elétrico não prever novas térmicas no período de 2014 a 2018.
— O mercado está crescendo, ao mesmo tempo em que a capacidade de armazenar água não crescerá, uma vez que todas as novas e grandes usinas em construção são a fio d`água, ou seja, sem reservatórios. Então vamos precisar cada vez mais de complementação térmica — afirmou Chipp.
O presidente do ONS disse que, por exemplo, na Região Sul, seria necessária uma nova termelétrica, possivelmente a carvão, de pelo menos mil MW. No ano passado, o Sudeste transferiu cerca de 6 mil MW médios durante quatro meses para o Sul. Mas, para ele, essa operação é de risco, pois podem acontecer acidentes nas linhas.
O Globo - 04/06/2010.