14/05/2007
Mesmo com críticas a seus antecessores, o secretário da Cultura, Marcio Meirelles, promete manter o que eles fizeram de positivo. Em seus depoimentos e entrevistas, ele tem defendido uma melhor distribuição dos recursos aos artistas e aos produtores de cultura no Estado. Segundo Meirelles, as gestões anteriores prestigiavam poucos beneficiados e acabavam marginalizando uma grande parte dos artistas.
`A imagem que era vendida da Bahia corresponde a uma pequena fatia da realidade. Sempre se investiu muito em Salvador e, no máximo, no Recôncavo. Pela densidade demográfica e pela produção da capital, é natural que Salvador seja beneficiada. Mas o Carnaval, por exemplo, não pode ser tão centralizado na cidade`, diz o secretário em entrevista exclusiva.
DIÁLOGO - Para democratizar o acesso à cultura, Meirelles afirma já estar tomando as atitudes necessárias e promete não retaliar ninguém, independentemente de questões partidárias: `Nesses quatro meses de gestão, a nova Secretaria já começou o diálogo diretamente com 160 municípios baianos e com os demais por via indireta`.
O I Encontro de Dirigentes Municipais de Cultura, realizado nessa semana em Salvador, teve o objetivo de promover essa aproximação entre municípios e secretaria.
Representantes de 133 municípios estiveram na capital baiana para criar um fórum de dirigentes municipais que deverá manter uma interlocução contínua com a secretaria. `Esse fórum deverá viabilizar o sistema estadual de cultura, que implica um planejamento e repasse de recursos. Assim, os municípios vão parar de vir com um pires na mão e se submeter a essa dependência perversa em relação ao Estado. Isso é essencial, porque o município é uma instituição que está perto da população, ao contrário do Estado e da União, mais distantes`, observa Meirelles.
O secretário promete ouvir as comunidades: `O Pelourinho, por exemplo, não é um equipamento cultural e a população de lá precisa decidir, com o Estado, o destino do bairro`.
FAZ CULTURA - O Fazcultura, um dos programas que marcaram a gestão anterior da Secretaria, tem sido alvo de rumores que apontam para a sua extinção, negada pelo atual secretário: `Nossa tendência não é extinguir nada. Precisamos, no entanto, rever o custo-benefício e o impacto social de cada projeto. Vamos reformular a lei que regulamenta o Fazcultura, parado em dezembro do ano passado por iniciativa do governo anterior, que suspendeu as inscrições no programa. Porém, os projetos que já haviam sido aprovados continuam recebendo os devidos benefícios`, assegura.
Segundo a assessoria de comunicação do governo, o Fazcultura, em 2006, destinou 93% dos recursos do programa a proponentes de Salvador. Dos 20 maiores beneficiários, 100% eram da capital ou de Lauro de Freitas e esses ficavam com 57% dos recursos. Ainda segundo a assessoria, os dez maiores proponentes ficavam com quase 41% do montante destinado ao programa.
JORGE AMADO - Especulou-se recentemente também a extinção do Prêmio Jorge Amado, que, desde 2002, era entregue a uma personalidade da cultura nacional. `Somente para preparar a premiação, eram gastos R$ 70 mil, além do prêmio de R$ 100 mil, que contemplava apenas uma pessoa. Estamos discutindo a forma e os impactos cultural e social do prêmio, que não está extinto`, afirma.
`A homenagem a Jorge Amado não deixará de ser feita, até porque os valores que ele defendia, como liberdade e democracia, são apoiados pelo governo atual`, garante mais uma vez Meirelles, que não condena a gestão anterior à dele, mas faz algumas ressalvas. `Os governos anteriores implantaram projetos importantes, mas que precisam se adequar ao novo momento, pois muito privilégios precisam ser acabados. Não me cabe julgar meu antecessor, mas devo redimensionar e distribuir melhor o acesso aos bens de produção`, diz.
`Vimos uma secretaria patrimonialista, com equipamentos construídos com manutenção inadequada e muito caros. Para recuperar alguns problemas estruturais do Teatro Castro Alves, como cupins e vazamento, seria necessário R$ 1 milhão`, afirma Márcio Meirelles.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: Roberto Midlej
12/05/07
`A imagem que era vendida da Bahia corresponde a uma pequena fatia da realidade. Sempre se investiu muito em Salvador e, no máximo, no Recôncavo. Pela densidade demográfica e pela produção da capital, é natural que Salvador seja beneficiada. Mas o Carnaval, por exemplo, não pode ser tão centralizado na cidade`, diz o secretário em entrevista exclusiva.
DIÁLOGO - Para democratizar o acesso à cultura, Meirelles afirma já estar tomando as atitudes necessárias e promete não retaliar ninguém, independentemente de questões partidárias: `Nesses quatro meses de gestão, a nova Secretaria já começou o diálogo diretamente com 160 municípios baianos e com os demais por via indireta`.
O I Encontro de Dirigentes Municipais de Cultura, realizado nessa semana em Salvador, teve o objetivo de promover essa aproximação entre municípios e secretaria.
Representantes de 133 municípios estiveram na capital baiana para criar um fórum de dirigentes municipais que deverá manter uma interlocução contínua com a secretaria. `Esse fórum deverá viabilizar o sistema estadual de cultura, que implica um planejamento e repasse de recursos. Assim, os municípios vão parar de vir com um pires na mão e se submeter a essa dependência perversa em relação ao Estado. Isso é essencial, porque o município é uma instituição que está perto da população, ao contrário do Estado e da União, mais distantes`, observa Meirelles.
O secretário promete ouvir as comunidades: `O Pelourinho, por exemplo, não é um equipamento cultural e a população de lá precisa decidir, com o Estado, o destino do bairro`.
FAZ CULTURA - O Fazcultura, um dos programas que marcaram a gestão anterior da Secretaria, tem sido alvo de rumores que apontam para a sua extinção, negada pelo atual secretário: `Nossa tendência não é extinguir nada. Precisamos, no entanto, rever o custo-benefício e o impacto social de cada projeto. Vamos reformular a lei que regulamenta o Fazcultura, parado em dezembro do ano passado por iniciativa do governo anterior, que suspendeu as inscrições no programa. Porém, os projetos que já haviam sido aprovados continuam recebendo os devidos benefícios`, assegura.
Segundo a assessoria de comunicação do governo, o Fazcultura, em 2006, destinou 93% dos recursos do programa a proponentes de Salvador. Dos 20 maiores beneficiários, 100% eram da capital ou de Lauro de Freitas e esses ficavam com 57% dos recursos. Ainda segundo a assessoria, os dez maiores proponentes ficavam com quase 41% do montante destinado ao programa.
JORGE AMADO - Especulou-se recentemente também a extinção do Prêmio Jorge Amado, que, desde 2002, era entregue a uma personalidade da cultura nacional. `Somente para preparar a premiação, eram gastos R$ 70 mil, além do prêmio de R$ 100 mil, que contemplava apenas uma pessoa. Estamos discutindo a forma e os impactos cultural e social do prêmio, que não está extinto`, afirma.
`A homenagem a Jorge Amado não deixará de ser feita, até porque os valores que ele defendia, como liberdade e democracia, são apoiados pelo governo atual`, garante mais uma vez Meirelles, que não condena a gestão anterior à dele, mas faz algumas ressalvas. `Os governos anteriores implantaram projetos importantes, mas que precisam se adequar ao novo momento, pois muito privilégios precisam ser acabados. Não me cabe julgar meu antecessor, mas devo redimensionar e distribuir melhor o acesso aos bens de produção`, diz.
`Vimos uma secretaria patrimonialista, com equipamentos construídos com manutenção inadequada e muito caros. Para recuperar alguns problemas estruturais do Teatro Castro Alves, como cupins e vazamento, seria necessário R$ 1 milhão`, afirma Márcio Meirelles.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: Roberto Midlej
12/05/07