04/07/2007
A greve dos professores da rede estadual chegou ao fim. Com o retorno oficial às atividades normais em toda a Bahia, a Secretaria da Educação (SEC) publica hoje uma portaria antecipando de 13 para 9 deste mês o prazo para os colégios apresentarem os planos de reposição de aulas.
Assim, o pagamento dos professores que tiveram os pontos cortados (referentes ao mês de junho) deverá ser efetuado até o dia 13. Os 5.611 professores que já haviam retornado às salas de aula terão os salários repostos amanhã e os 12.850 restantes receberão no próximo dia 13.
Será elaborado um novo calendário escolar, respeitando o cumprimento dos 200 dias letivos. Mesmo com a greve, que teve início no mês de maio e durou 56 dias, 90% das escolas já haviam retomado as aulas no interior do estado. Na capital e região metropolitana, o índice foi menor - 50%.
As Diretorias Regionais de Educação (Direcs) farão o acompanhamento da reposição das aulas no estado. `Esperamos que toda a comunidade escolar se envolva no processo`, afirmou o secretário da Educação, Adeum Sauer. Ele informou que a Mesa Central de Negociação Permanente continuará atuante, o que ajudará no avanço de várias questões. O calendário da mesa setorial também continua inalterado, com reuniões previstas para os dias 11, 25 e 30 deste mês. A Bahia contabiliza cerca de 44 mil professores e 1,2 milhão de alunos.
Reunião com pais - No Colégio Estadual Dirlene Mendonça, no bairro de Mussurunga, onde estudam cerca de mil alunos, as aulas já eram ministradas normalmente desde ontem. A diretora Leila Rubens Fonseca informou que, no próximo sábado, haverá uma reunião com os pais de alunos para tratar da retomada das atividades pedagógicas junto aos 35 professores que compõem o corpo docente do colégio.
Os alunos da escola festejaram o retorno às aulas, como Priscila dos Santos, 17 anos, estudante do 2o ano do ensino médio. `A greve atrasou nossos estudos, mas eu estou disposta a enfrentar aulas até fevereiro, caso seja necessário`, afirmou.
Durante a paralisação, Priscila conta que aproveitou o tempo ocioso para ler vários livros. `Para não perder o pique, pois não gostava de ficar em casa sem fazer nada`, falou a jovem.
Já Elias Santana da Silva, 21 anos, aluno do 3o ano, não se afastou do colégio durante os 56 dias. `Vinha todos os dias para cá colher informações sobre a greve`, disse ele, que pretende fazer vestibular para educação física. Como está no 3o ano, ele admitiu estar um pouco preocupado com a reposição das aulas, já que precisa estar preparado para a forte concorrência. `Espero contar com a colaboração dos professores e também dos colegas`, completou Elias.
Anúncio na rádio - Já no Colégio Estadual Rômulo Almeida, no Imbuí, os professores haviam decidido voltar ao trabalho na última sexta-feira. O retorno foi divulgado pela comunidade, através de anúncios na rádio comunitária e nas igrejas, além de convocação feita pelos próprios professores. Alguns alunos, porém, não acreditaram no fim da paralisação e nem todos marcaram presença nas salas de aula. Com o fim oficial da greve, os estudantes devem comparecer em maior número a partir de hoje.
A diretora Adilma de Jesus Rodrigues explica que, se os professores tivessem atendido a determinação do governo de voltar a dar aulas no dia 25 de junho, o ano letivo se estenderia até 18 de janeiro de 2008. `Como a greve se alongou, o calendário deverá ir além, inclusive com aulas aos sábados`, falou a diretora do Rômulo Almeida, onde estudam 1.700 alunos e lecionam 65 professores.
A professora Mércia Dione Barreto, que ensina educação artística, reconheceu que o docente, de modo geral, está voltando ao trabalho um pouco entristecido. `Já os alunos voltam desestimulados, principalmente os que cursam o 3o ano e vão prestar vestibular. Por outro lado, temos o compromisso de repor as aulas e aguardamos com ansiedade a definição do novo calendário`, disse a professora que leciona na rede estadual há 15 anos.
Sem retaliação - Para o secretário Adeum Sauer, seria enganoso dizer que a greve não trouxe prejuízo à educação. `É claro que houve prejuízos, mas o que buscaremos fazer é minimizá-los para evitar maiores transtornos para professores e estudantes`, falou. O secretário afirmou que não haverá nenhuma retaliação por conta da longa duração da greve. `Os professores são figuras centrais no processo de valorização da educação que queremos efetivar. Contamos com eles`, declarou Sauer.
Portas abertas
O Colégio Carneiro Ribeiro, em Pero Vaz, também funcionou normalmente ontem, com a presença de professores nas 13 turmas do matutino e de 50% dos alunos. A direção anunciou o retorno dos professores na rádio comunitária do bairro, na semana passada, convocando os alunos às salas. `Continuar na greve seria perda de tempo e só aumentaríamos o prejuízo dos alunos`, considerou a professora de Português, Zuleica Miguez, que havia retornado à sala de aula desde a semana passada.
Há quase 30 anos trabalhando com educação, a professora Carmem dos Santos Lima se orgulha em dizer que nunca participou de uma greve. `Durante todos esses dias eu vim para a escola. Não faço greve porque acho que não devo prejudicar o outro, no caso, os estudantes`, contou, acrescentando que se manteve fiel ao compromisso de estar nas salas mesmo sob ameaça de ser repudiada pela APLB/Sindicato.
Já na Escola Princesa Izabel, no bairro de Cidade Nova, não houve interrupção das atividades nas sete turmas do matutino em nenhum momento. Nas 10 turmas da tarde e 13 da noite, os professores também decidiram pelo retorno desde o dia 11 de junho. A escola possui 32 professores e atende a cerca de 1.500 alunos. No Colégio Leopoldo Reis, que funciona em Dois Leões, a direção já havia mobilizado professores e alunos pelo retorno desde a semana passada. Dos 20 professores que lecionam no local, apenas quatro não haviam retomado as atividades até ontem.
Fonte: Diário Oficial
04/07/07
Assim, o pagamento dos professores que tiveram os pontos cortados (referentes ao mês de junho) deverá ser efetuado até o dia 13. Os 5.611 professores que já haviam retornado às salas de aula terão os salários repostos amanhã e os 12.850 restantes receberão no próximo dia 13.
Será elaborado um novo calendário escolar, respeitando o cumprimento dos 200 dias letivos. Mesmo com a greve, que teve início no mês de maio e durou 56 dias, 90% das escolas já haviam retomado as aulas no interior do estado. Na capital e região metropolitana, o índice foi menor - 50%.
As Diretorias Regionais de Educação (Direcs) farão o acompanhamento da reposição das aulas no estado. `Esperamos que toda a comunidade escolar se envolva no processo`, afirmou o secretário da Educação, Adeum Sauer. Ele informou que a Mesa Central de Negociação Permanente continuará atuante, o que ajudará no avanço de várias questões. O calendário da mesa setorial também continua inalterado, com reuniões previstas para os dias 11, 25 e 30 deste mês. A Bahia contabiliza cerca de 44 mil professores e 1,2 milhão de alunos.
Reunião com pais - No Colégio Estadual Dirlene Mendonça, no bairro de Mussurunga, onde estudam cerca de mil alunos, as aulas já eram ministradas normalmente desde ontem. A diretora Leila Rubens Fonseca informou que, no próximo sábado, haverá uma reunião com os pais de alunos para tratar da retomada das atividades pedagógicas junto aos 35 professores que compõem o corpo docente do colégio.
Os alunos da escola festejaram o retorno às aulas, como Priscila dos Santos, 17 anos, estudante do 2o ano do ensino médio. `A greve atrasou nossos estudos, mas eu estou disposta a enfrentar aulas até fevereiro, caso seja necessário`, afirmou.
Durante a paralisação, Priscila conta que aproveitou o tempo ocioso para ler vários livros. `Para não perder o pique, pois não gostava de ficar em casa sem fazer nada`, falou a jovem.
Já Elias Santana da Silva, 21 anos, aluno do 3o ano, não se afastou do colégio durante os 56 dias. `Vinha todos os dias para cá colher informações sobre a greve`, disse ele, que pretende fazer vestibular para educação física. Como está no 3o ano, ele admitiu estar um pouco preocupado com a reposição das aulas, já que precisa estar preparado para a forte concorrência. `Espero contar com a colaboração dos professores e também dos colegas`, completou Elias.
Anúncio na rádio - Já no Colégio Estadual Rômulo Almeida, no Imbuí, os professores haviam decidido voltar ao trabalho na última sexta-feira. O retorno foi divulgado pela comunidade, através de anúncios na rádio comunitária e nas igrejas, além de convocação feita pelos próprios professores. Alguns alunos, porém, não acreditaram no fim da paralisação e nem todos marcaram presença nas salas de aula. Com o fim oficial da greve, os estudantes devem comparecer em maior número a partir de hoje.
A diretora Adilma de Jesus Rodrigues explica que, se os professores tivessem atendido a determinação do governo de voltar a dar aulas no dia 25 de junho, o ano letivo se estenderia até 18 de janeiro de 2008. `Como a greve se alongou, o calendário deverá ir além, inclusive com aulas aos sábados`, falou a diretora do Rômulo Almeida, onde estudam 1.700 alunos e lecionam 65 professores.
A professora Mércia Dione Barreto, que ensina educação artística, reconheceu que o docente, de modo geral, está voltando ao trabalho um pouco entristecido. `Já os alunos voltam desestimulados, principalmente os que cursam o 3o ano e vão prestar vestibular. Por outro lado, temos o compromisso de repor as aulas e aguardamos com ansiedade a definição do novo calendário`, disse a professora que leciona na rede estadual há 15 anos.
Sem retaliação - Para o secretário Adeum Sauer, seria enganoso dizer que a greve não trouxe prejuízo à educação. `É claro que houve prejuízos, mas o que buscaremos fazer é minimizá-los para evitar maiores transtornos para professores e estudantes`, falou. O secretário afirmou que não haverá nenhuma retaliação por conta da longa duração da greve. `Os professores são figuras centrais no processo de valorização da educação que queremos efetivar. Contamos com eles`, declarou Sauer.
Portas abertas
O Colégio Carneiro Ribeiro, em Pero Vaz, também funcionou normalmente ontem, com a presença de professores nas 13 turmas do matutino e de 50% dos alunos. A direção anunciou o retorno dos professores na rádio comunitária do bairro, na semana passada, convocando os alunos às salas. `Continuar na greve seria perda de tempo e só aumentaríamos o prejuízo dos alunos`, considerou a professora de Português, Zuleica Miguez, que havia retornado à sala de aula desde a semana passada.
Há quase 30 anos trabalhando com educação, a professora Carmem dos Santos Lima se orgulha em dizer que nunca participou de uma greve. `Durante todos esses dias eu vim para a escola. Não faço greve porque acho que não devo prejudicar o outro, no caso, os estudantes`, contou, acrescentando que se manteve fiel ao compromisso de estar nas salas mesmo sob ameaça de ser repudiada pela APLB/Sindicato.
Já na Escola Princesa Izabel, no bairro de Cidade Nova, não houve interrupção das atividades nas sete turmas do matutino em nenhum momento. Nas 10 turmas da tarde e 13 da noite, os professores também decidiram pelo retorno desde o dia 11 de junho. A escola possui 32 professores e atende a cerca de 1.500 alunos. No Colégio Leopoldo Reis, que funciona em Dois Leões, a direção já havia mobilizado professores e alunos pelo retorno desde a semana passada. Dos 20 professores que lecionam no local, apenas quatro não haviam retomado as atividades até ontem.
Fonte: Diário Oficial
04/07/07