FGV: setor de combustíveis puxou taxa maior do IGP-M

10/08/2007
RIO - O fim da deflação nos preços dos produtos industriais no atacado (de -0,04% para 0,13%), provocado principalmente pelo setor de combustíveis, foi determinante para a taxa maior da primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que subiu 0,27% em agosto, ante alta de 0,15% em igual prévia do mesmo indicador em julho. A análise é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

Ele considerou que, na passagem da primeira prévia do IGP-M de julho para igual prévia em agosto, houve acelerações de preços tanto nos produtos industriais quanto nos agrícolas (de 0,60% para 0,79%). Porém, o peso dos preços industriais na formação da inflação do atacado é três vezes maior do que os do agrícolas.

O economista explicou que o setor industrial foi fortemente influenciado por um fator específico: o fim da deflação nos preços dos combustíveis e lubrificantes no atacado (de -0,84% para 0,12%). Isso porque o preço do álcool etílico hidratado parou de cair (de -5,57% para 1,04%), no período, após três meses em deflação.

Álcool

Quadros explicou que o preço do álcool não registrava alta desde a primeira prévia do IGP-M de abril, quando preço do produto subiu 2,62%. Ele comentou que o produto estava sendo beneficiado pelo período de safra da cana-de-açúcar, que gerou oferta maior de cana no mercado interno, bem como de seus derivados.

Embora o período de safra de cana ainda não tenha acabado, o economista disse não acreditar em novas deflações nos preços do álcool, daqui por diante. Para ele, a elevação registrada na primeira prévia do IGP-M de agosto indica que a trajetória do preço do produto tomou outra direção. `Não devemos esperar novas reduções nos preços do álcool, como vimos no mês passado, por causa da safra da cana`, afirmou ele.

Taxa maior

O IGP-M de agosto está caminhando para uma taxa maior do que a verificada em julho, quando o índice subiu 0,28%, na avaliação do coordenador de Análises Econômicas da FGV. Ele admitiu o fato ao comentar o resultado da primeira prévia do índice de agosto, anunciada hoje, e que subiu 0,27% - quase o resultado total do índice fechado do mês passado.

ALESSANDRA SARAIVA - Agencia Estado

Em 10/08/2007.